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Este podcast tem o apoio do Banco Credibom. Tem capital ou folga financeira para se tornar um investidor? Qual a melhor solução no mercado? É o que pergunto a António Gaspar, professor de Economia e Finanças da Universidade Europeia. Qual é, professor? Qual é a melhor solução no mercado?
Eu, para poder responder a essa pergunta, tenho que fazer aqui uma divisão. Se o perfil do investidor é conservador ou se o perfil do investidor é liberal. Isto vai depois determinar o tipo de produtos que são mais adequados para uns ou para outros. Eu começaria na ótica conservadora. E aí, dentro da ótica conservadora, eu escolheria dois vetores: grandes montantes para o investidor ou montantes menores. Aqui nos grandes montantes, hoje creio que faz todo sentido para um investidor conservador e que queira garantir o seu investimento, fazer uma escolha no imobiliário. E aqui a escolha será entre rústico ou urbano, escolher de uma forma criteriosa o local do investimento, este seria um investimento seguro.
Antes de avançarmos para os pequenos montantes, qual é o intervalo de valores que define um grande montante?
Eu diria que grandes montantes a partir de 250 mil, 300 mil euros. Que já compra um terreno, já pode comprar um imóvel, não um imóvel muito bem situado e novo. Mas que já poderá comprar um imóvel, rústico ou urbano, na cidade, não propriamente aqui em Lisboa, mas se calhar aqui à volta de Lisboa ou então na província, em que ficava com um investimento seguro. Tinha ali aquele imóvel, rústico ou urbano, que depois numa fase posterior poderia vender com alguns ganhos e, nalguns casos, ganhos significativos. Para os montantes mais pequenos, o que é que nós temos? Nós temos obrigações do Tesouro, temos certificados de aforro e temos muito pouco daqueles produtos que nós chamamos de capital garantido. Ora bem, o que é que acontece aqui? Quer as obrigações do Tesouro, quer os certificados de aforro, pagam uma taxa de tal maneira pequena, esta pouca rentabilidade acaba por ser comida pela taxa de inflação. Nós se formos deflacionar a taxa de juro que estes produtos pagam, chegamos com taxa zero, nalguns casos, eventualmente, com taxa negativa. Mas estas seriam as aplicações que existem no mercado, não existe outro tipo no mercado. Se estivermos a pensar na ótica liberal, as coisas já são completamente diferentes. E aí, na ótica liberal, eu começaria com investimento no mercado de capitais, escolhendo de uma forma criteriosa os títulos onde se deve apostar. Há uma máxima no mercado de capitais, que se diz que tudo o que foi no passado, a rentabilidade passada não garante uma rentabilidade futura. Eu aconselharia a escolher, de facto, uns títulos, que tivessem tido um comportamento, pelo menos no último ano, que aconselhasse a investir nesse título e não investir noutros. Há também outras variantes, o mercado de derivados. Mas isto já não numa primeira fase do investidor, mas já num investidor mais maduro, que saiba o que é os futuros, as opções e os swaps. São produtos derivados já com alguma complexidade para pessoas entendidas, mas que podem tirar interessantes rentabilidades. Depois há outra opção que é o mercado cambial. E aqui, há muita gente destes investidores na ótica liberal, há muitos investidores que andam no mercado cambial, particularmente na compra de divisas, aquilo que tu me referiu, dólar, as moedas mais fortes. Porque nós sabemos que geralmente, durante um ano, há vários acontecimentos que fazem flutuar o dólar. Porque ciclicamente isso acontece. E há muita gente que anda aqui, no mercado cambial, na compra de divisas, não é só dólares, mas sobretudo dólares, que depois compra numa baixa para depois poder vender, lá mais à frente, com algum ganho. Por fim, para compor aqui o cesto de produtos que o investidor liberal poderá comprar para abastecer esse mesmo cesto, a compra de commodities. Commodities agrícolas, commodities minerais, metais ou energia ou fibras. Agrícolas, há hoje mercados em Portugal, de facto, isso não existe, mas pode-se comprar através de bolsas internacionais. Soja, milho, algodão, açúcar. Nos minerais, por exemplo, o petróleo, gás natural ou minérios. Nos industriais, por exemplo, os petroquímicos. Nos metais, por exemplo, os minérios, o aço ou alumínio. E na energia, biocombustíveis e nas fibras, as fibras sintéticas. Ou seja, há aqui, eu diria, quatro produtos em que um investidor liberal poderá avançar para compor o seu cesto de produtos de investimento. Um lado, o mercado de capitais, o outro lado, o mercado de derivados, mercado cambial e compra de commodities. Para um investidor júnior, mesmo na ótica liberal, é interessante entrar pelos produtos mais fáceis de perceção. Aqueles que eu melhor domino, portanto, daí que eu há pouco estava a dizer que a entrada no mercado de capitais para um jovem investidor é a melhor entrada que tem um investidor liberal. Porque o mercado de capitais é aquele mais percetível, é aquele mais corrente. E depois é aqueles em que os títulos Aconselhável é entrar na compra de títulos com maior liquidez e com essas tais maiores rentabilidades passadas. Apesar, como disse, não garantir as rentabilidades futuras, mas sobretudo ter maior liquidez. Maior liquidez por quê? Porque num certo e determinado momento, se quiser vender, mesmo que não seja com grande ganho, ou mesmo que seja ao par, ao mesmo preço que o comprou, tem sempre, em conceito desse capital ou parte desse capital, um título de grande liquidez, vende de certeza num dia. Vai a uma sessão do mercado de capitais e vende.
Professor António Gaspar, o mercado está cheio de soluções, quais são os investimentos mais seguros?
Os investimentos mais seguros, de fato, são para a área conservadora, para o investidor conservador. São as obrigações do Tesouro, certificados de aforro, produtos de capital garantido ou investimentos no imobiliário, rústico ou urbano. Mas tem que ter em atenção que, de fato, se optar pelas obrigações do Tesouro, certificados de aforro ou produtos de capital garantido, as rentabilidades são de tal maneira baixas que, descontando a taxa de inflação, a rentabilidade fica junto ao zero. No caso de ter um montante mais elevado, quer investir, comprar o imobiliário urbano ou rústico, sim, aí poderá ter uma valorização interessante, porque como nós sabemos, nos últimos anos o imobiliário, quer rústico quer urbano, tem crescido.
Continua a ser um setor seguro e rentável, o imobiliário.
Absolutamente.
Muito bem, professor António Gaspar, agradeço os seus conselhos. Muito obrigado.
De nada, sempre ao seu dispor.
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