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Está no ar o Português Suave, edição de quarta-feira, só com resposta aos nossos ouvintes. Eu sou o João Costa e Silva. Claro, tenho de estar com o Marco Neves, porque isto não se faz sem ele.
Olá. Está tudo bem?
Está tudo bem.
Já agora, podemos dizer logo de início que quem tiver mais dúvidas pode enviar para portuguesSuave@observador.tv.
Sim, nós dizemos sempre no fim.
Mas nós ficamos, para mudar um pouquinho a ordem.
Ou para o 91 002 41 85, é usar o nosso WhatsApp.
Eu tenho mesmo um bloqueio mental. Eu já estive a pensar e ainda estava agora: "Será que eu vou conseguir dizer o número de telefone?" Mas esquece, fica para 2027.
Já está a assumir, Marco.
Já estou a assumir que a minha promessa de Ano Novo deste ano não vai ser cumprida.
Já se quebrou. Ao dia 14 de janeiro.
Exato. É assim. Já agora, disseste a data e eu lembrei-me que queria dizer hoje uma coisa. Hoje, dia 14 de janeiro, tenho um filho que faz anos, que é o Matias, e ele gosta muito que eu diga isto. Ele faz oito anos e fica todo contente por eu dizer ao mundo.
O Matias faz anos no mesmo mês que eu. Eu faço dia 22 de janeiro e ele faz dia 14.
Uma palavra para as pessoas que fazem anos no mesmo dia ou no mesmo mês.
Conheço muita gente que faz anos no mesmo dia que eu. Aliás, o meu avô, que já faleceu, fazia anos no mesmo dia que eu.
Eu também conheço muitas pessoas que fazem anos na mesma altura que eu, eu faço 16 de setembro, e é a altura do ano em que mais pessoas nascem.
Estou a me lembrar, em janeiro faz anos o Cristiano Ronaldo, que é logo depois de mim, o Rui Maria Pêgo, o Harry Styles, portanto, só estrelas.
Mas devia haver um nome.
O teu filho.
Pois, exato. Se calhar, um dia há de ser uma estrela. Devíamos ter um nome para pessoas que fazem anos na mesma altura, ou no mesmo dia. Não vou inventar. Vamos às dúvidas.
Vamos.
O Camilo Carneiro, não é uma dúvida, ele já nos enviou uma dúvida sobre calçar e vestir. Nós já falámos disso, talvez voltemos daqui a uns tempos, mas ele agora enviou só uma observação. Nós já falámos de "tchau" aqui no programa, e ele diz-nos que na Estónia, onde ele está, "tchau" também é usado para dizer olá, tal como em Itália.
Então confirma-se.
Sim, porque o "tchau" italiano, que teve origem no Vêneto, em Veneza, depois passou para o italiano e depois espalhou-se pelo mundo, o "tchau" originalmente era um olá/adeus. Nós, em português, é que decidimos especializá-lo no adeus. A mim faz-me confusão imaginar alguém a enxergar a pé de outra pessoa e dizer "tchau". É confuso.
E o adeus, ao mesmo tempo, às vezes pode parecer agressivo. No outro dia, disseram um adeus e eu fiquei a pensar: "Adeus é muito agressivo."
É um pouquinho.
A menos que nós realmente queiramos ser frios.
É como numa mensagem de texto, tu terminares o cumprimento com um ponto final.
Sim.
"Beijinhos." A pessoa está zangada. Adeus.
Ou pode ser só cumpridora.
Pode pôr um ponto de exclamação. Lá está, a pontuação é tão curiosa, porque num contexto informal, tu cumprires a regra de pôres o ponto, pode ser mau sinal.
É verdade.
Num texto formal, não. Mas tu mandares um beijo, ponto, ou um beijinho, ponto, até amanhã, ponto. Mas depois cada pessoa tem o seu estilo. A verdade é que eu consigo às vezes identificar quem é que escreveu a mensagem só pela pontuação.
Claro. E às vezes temos pessoas que mandam aquele ponto final nos beijinhos e depois são queridas.
Exato, e nós até podemos saber que aquela pessoa é assim, põe pontos nos beijinhos. Há pessoas para tudo. E Pedro Álvares diz-nos.
Cabral?
Não é Cabral? Penso eu, não sei, pergunto. Sou eu o responsável por descobrir o Brasil. Mas ele faz várias perguntas, eu vou responder aqui a uma. Ele diz no início: "Já agora, no meu grupo de amigos eu era chamado de Edite Estrela por estar sempre a corrigir os erros dos outros. Agora é o Marco Neves a entidade que é invocada quando alguém tem alguma dúvida linguística." Primeiro, aqui uma homenagem à Edite Estrela, que foi e é muito importante para a língua portuguesa. E eu fico com dúvidas, na mensagem dele, se ele está aborrecido ou não. Ele não põe ponto final no "enfim".
Pronto, bom sinal.
Que seja só uma brincadeira. Espero, Pedro, que não estejas aborrecido. É a vida. Bem, a pergunta dele é: "Eu sempre disse ao fim ao cabo, mas a expressão correta é ao fim e ao cabo. Qual é a sua origem?" E de facto, é ao fim e ao cabo, nós é que depois vamos reduzindo às vezes um pouco, às vezes dizemos ao fim ao cabo. Este cabo também quer dizer fim. O cabo começa com a palavra caput, do latim, que também deu cabeça. No fundo, é uma cabeça, um promontório, um cabo na Terra, que não deixa de ser também o fim do caminho. Quando a pessoa vai até ao fim. Portanto, cabo também foi uma palavra muito usada em português para dizer fim, e depois criamos esta expressão, que no fundo é um reforço: ao fim e ao cabo. É como dizer ao fim, finalmente, é quase uma brincadeira com duas palavras que queriam dizer a mesma coisa. É ao fim e ao cabo, no fim de contas, é esta a origem.
Por acaso nunca tinha ouvido dessa forma, ao fim e ao cabo.
Pois, porque nós reduzimos muitas vezes para ao fim ao cabo. É uma daquelas expressões que na oralidade ficam reduzidas. É também mais um daqueles casos em que temos uma metáfora na língua que já está integrada na língua e nós não percebemos que é uma metáfora. Temos um promontório geográfico que depois se torna o fim de qualquer coisa, uma metáfora.
Bem, vamos a mais uma dúvida que nos chegou através do 91 002 41 85, ou seja, através do nosso WhatsApp.
Olá, Marco. Olá, João. O meu nome é António, sou de Lisboa e queria perguntar acerca de uma construção frásica que ouço, ou melhor, leio muitas vezes em frases do gênero: "Como ele tivesse alergia a ovos, não comia doces conventuais." Isto a mim parece-me estranho ou até errado. Não sei se me conseguem explicar um pouco de onde veio este tipo de construção ou se está correto. Muito obrigado pelo vosso trabalho.
Sim, é uma construção muito informal, não é aceitável no padrão da língua, mas a origem é clara. De forma mais padronizada, seria: "Como ele tinha alergia a óleos, tinha de comer..." Já não sei como é que era a frase, mas seria: "Como ele tinha alergia a óleos, acontecia isto". Agora, de onde é que vem este "ele tivesse"? Porque nós podemos usar o conjuntivo, que este tivesse é o conjuntivo, para falar de hipóteses. "Como se ele tivesse qualquer coisa". Mas aí tínhamos de pôr o se.
Sim, o se tinha de estar obrigatoriamente.
Só que o se muitas vezes cai, nós dizemos: "Como ele tivesse 20 anos, andava a viajar pelo mundo". Era uma hipótese, como se ele tivesse 20 anos. A verdade é que depois acabou por haver uma mistura de tempos verbais na cabeça das pessoas e informalmente nós acabamos por usar o conjuntivo quando deveria ser o indicativo, o perfeito indicativo. Queria só dizer que há uma outra construção, essa correta, muito antiga, tradicional, que é usar o mais-que-perfeito para falar também de hipóteses. Eu podia dizer: "Se eu tivesse 20 anos, iria viajar pelo mundo". Mas podemos dizer também com o mais-que-perfeito: "Tivera eu 20 anos". É mais poético.
Sim.
E aqui, provavelmente, este uso também começou há muitos séculos com um erro. Alguém que misturou os tempos, mas tornou-se um clássico quase da língua portuguesa, dizer: "Tivera eu 20 anos".
Serve mais até para marcar uma posição, para enfatizar, se calhar. Como tu dizes, mais poético.
Sim, é um pouco mais poético. E é assim que a língua às vezes se faz, mas claramente a frase que o António descreve não é hoje aceitável. Um professor de português iria corrigir essa frase.
Claro. Um abraço para o António, que nos fez chegar um áudio através do nosso WhatsApp, 91 002 41 85. Continuem a enviar. Também recebemos aqui uma proposta interessante que nos leva até a um fado. Vamos guardar para um outro episódio. Foi um áudio, agora já não me lembro do nome do ouvinte. José Mittos. Também já respondemos a uma dúvida há pouco tempo do José Mittos.
O José Mittos propõe uma análise a um fado particular e talvez nós possamos fazer isso em breve, quem sabe, aqui num dos próximos episódios. Mais uma vez, quem quiser enviar dúvidas ou comentários, pode também fazer no Spotify.
Sim, deixe-nos cinco estrelas no Spotify. Se nos ouve e gosta de nos ouvir, é só deixar lá as cinco estrelas.
Seja na Estónia, seja...
Na nossa página. Aliás, até vou conferir agora, ao momento, quantos é que temos. Deixa-me ver aqui, estou a chegar. 250.
250, muito bem.
Cinco estrelas.
Temos de chegar aos 300.
300, 500.
Vamos aos 300 primeiro, calma.
350, vá.
Vamos tentar chegar aos 350 nos próximos.
Pronto. Até ao final de janeiro.
Até ao final de janeiro.
Nós da última vez que fizemos isto, ultrapassamos largamente.
Pedimos aos nossos ouvintes que vão ao Spotify, mesmo que oiçam isto na rádio, que acedam ao Spotify e ponham lá as cinco estrelas.
E é muito importante também seguir, porque há pessoas que não ouvem na Rádio Observador e se seguirem o podcast, tanto na Apple Podcast como no Spotify, recebem sempre uma notificação quando há novo episódio. Portanto, assim não perdem nada do Marco Neves aqui no "Português Suave".
E do João, claro.
Às vezes.
E dos outros.
Marco.
Até domingo.
Um grande abraço, até domingo.