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Junta-se agora a este jornal das 17h a editora de economia do Observador, Alexandra Machado. Boa tarde. Alexandra, qual a importância destes dados e o que nos dizem face àquilo que aconteceu em 2021?
Boa tarde. Dizem-nos que o governo vai conseguir, previsivelmente, confirmar um déficit abaixo do que tinha previsto, abaixo dos 4,3%. Estes são dados que o INE só vai revelar mais tarde, o valor final do déficit só vai ser revelado mais tarde. Mas para já, João Leão está no bom caminho. Aliás, o ministro das Finanças já tinha admitido que isso poderia acontecer. Portanto, não há aqui espanto muito grande por se perceber que o déficit público ficou em 2021 pelos 8700 milhões, grosso modo, menos 2800 milhões que em 2020, que tinha sido o ano de maior penalização da pandemia, e por isso também o déficit nesse ano cresceu. Portanto, em comparação, 2021 vai ser sempre melhor que 2020.
Comparar com 2020 é quase fácil perante toda a despesa que aconteceu.
Exatamente. Mas de facto, há aqui um trabalho de esforço orçamental deste governo. Isso deve-se, como foi referido na introdução, o crescimento das receitas foram maiores que o crescimento das despesas. Apesar das despesas terem aumentado, as receitas aumentaram muito mais, e não só por via da recuperação económica, que permite aumentar impostos, mas há aqui um fator adicional em 2021, que foram verbas já recebidas do PRR, que já tem também o seu peso nestes números.
Muito bem. E portanto, espera-se também que a partir deste ano de 2022 continue também esta tendência de crescimento e de redução do déficit. Quanto à campanha, surgem estes dados, dia e meio, cerca de 30 horas do fecho da campanha, ainda podem vir a ter impacto naquilo que são os discursos e as posições dos diferentes partidos.
Sim, podem. Eu acho que o PS terá tendência a salientar estes valores. Eu estive a ver as datas em que a Direção Geral do Orçamento divulgou nos últimos dois anos a execução orçamental e caíram precisamente no dia 27 de janeiro. Portanto, não houve aqui nenhuma antecipação da Direção Geral do Orçamento este ano para divulgar estes valores. Aliás, os valores que foram revelados, o que se conhece ainda é de um comunicado do Ministério das Finanças. A Direção Geral do Orçamento só os divulgou um bocadinho mais tarde. A Direção Geral do Orçamento manteve a data de 27 de janeiro para divulgação destes dados. Mas estamos em campanha este ano. Portanto, António Costa vai usar os valores, com certeza, o que aliás já tem vindo a fazer, porque já tinha referido noutras ocasiões e durante a campanha, que o déficit iria ficar abaixo do previsto. Não é comparável com o que aconteceu com o valor antecipado de crescimento económico