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Junta-se agora a nós neste jornal Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Bom dia, Bruno. Vamos, antes de olhar para essas reações, olhar para esta decisão. De facto, foi uma sessão longa do tribunal, tivemos ainda que aguardar, surgiu depois a decisão final. Confirma-se aquilo que o governo já tinha decidido, a revogação do visto de Novak Djokovic e as autoridades australianas com pulso firme perante esta atitude de Djokovic.
Sim, a noite foi muito longa, aliás, se repares até no live blog, a certa altura deixámos de seguir porque já estava a haver o recurso às alegações, etc. Portanto, percebeu-se que aquilo ia demorar um bocadinho. O mais estranho durante a sessão foi que o ponto central de discussão, quer dos advogados de Djokovic, quer do advogado que representou Alex Hawke, que é o Ministro da Imigração que decidiu revogar o visto, tinha a ver com o facto de como é que Alex Hawke podia associar Djokovic a todos os movimentos de antivacinação e, por outro lado, como é que ele sabia que não seria pior deportar Djokovic, nesse sentido da antivacinação, em vez de ficar com ele na Austrália. Portanto, a sessão acabou por ser um bocadinho estranha em relação a tudo aquilo que nós soubemos ao longo da semana em relação a Novak Djokovic. Há uma certeza nesta altura, ou seja, os três juízes que curiosamente estavam em três cidades diferentes, em Sydney, em Adelaide e em Melbourne, porque tudo isto foi marcado à pressa, decidiram de uma forma unânime que a decisão de Alex Hawke estava certa, ou seja, Djokovic perdeu o seu recurso, vai ser deportado, ele próprio já está a assumir essa derrota no primeiro comentário que fez. Agora, para mim o mais estranho é depois de se saber tudo, depois inclusivamente do próprio governo australiano ter colocado em causa o PCR positivo que ele tinha, mas que nós percebemos agora na argumentação que até deu jeito haver esse PCR positivo, porque podiam falar de uma falha de caráter, porque ele deu uma entrevista sabendo que estava infetado e isso também ajuda a consolidar a revogação do visto. Aquilo que se falou, sobretudo, foi da questão de ele poder contribuir ou não para movimentos de antivacinação. Ainda assim, acho que é um final previsível. Os próprios jornais australianos durante a madrugada cá em Portugal diziam que era complicado Djokovic reverter esta decisão e, portanto, a partir de agora é esperar por todas as reações em catadupa que vão começar a surgir.
Sim, já tivemos a reação de Djokovic, já falámos dela, diz que está extremamente desapontado com a decisão do tribunal, mas diz também que respeita a decisão e que vai cooperar com as autoridades. Do lado do governo australiano, o Ministro da Imigração aplaudiu o tribunal. De facto, o tribunal validou essa decisão inicial deste ministério. O primeiro-ministro também emitiu comunicado, diz que vê com bons olhos esta decisão e que acaba por responder àquilo que foram os sacrifícios da população australiana nos últimos dois anos para responder à pandemia. Scott Morrison diz também que agora é tempo de aproveitar o Open da Austrália. E vamos centrar aqui na parte desportiva, nas reações desportivas, porque de facto desde que esta decisão surgiu há cerca de duas horas, já temos várias informações, vários pedidos de bilhetes para serem devolvidos, a devolução de bilhetes, e temos também já algumas reações desportivas de outros atletas. Está a surgir agora tudo em catadupa, sendo que a competição está prestes a começar também já durante esta semana.
Sim, essa é outra coisa estranhíssima, porque se nós olharmos para 2017 e 2018, o quadro dos jogos e a ordem dos jogos pelas horas era conhecido no sábado de manhã na Austrália. Hoje, domingo à tarde, na Austrália ainda não se sabia nada, tudo porque se estava à espera da decisão de Djokovic. Portanto, tudo isto mostra que o torneio estava basicamente preso pela decisão de Novak Djokovic poder ou não defender o seu título e poder ou não fazer história. E eu diria que esse é o seu problema, ou seja, seja quem o defende, como por exemplo o Kyrgios, o Zverev, agora a Alizé Cornet, já foi das primeiras a reagir no Twitter e a dizer: "Atenção, ele costuma ser o primeiro a defender-nos e nenhum de nós jogadores também se chegou à frente para o defender". Deixando depois uma linha a dizer: "Atenção, mas não me associem a movimentos antivacinados", porque infelizmente, nesta altura, qualquer opinião que tu possas emitir, ou és contra ou és a favor das vacinas, porque tudo isto foi desvirtuado por culpa apenas e só de Novak Djokovic. Isso aí podemos dar as voltas que quisermos, mas a culpa foi sempre dele. Em termos desportivos, o torneio vai perder aquela que é a sua grande figura. Há aqui dois pontos que agora sobressaem perante a ausência de Djokovic, que é a possibilidade de Medvedev ganhar o torneio e assim ascender a número um do ranking mundial em vez de Djokovic e, por outro lado, a possibilidade de Rafa Nadal ganhar o seu 21º Grand Slam, que era aquilo que Djokovic queria e em condições normais estaria mais apto e mais teoricamente favorito, digamos assim, do que Nadal para ganhar no Open da Austrália, embora Medvedev fosse genericamente o grande favorito para este torneio. Agora, de recordar tudo aquilo que se passou, de recordar que já existiu uma tenista há menos de uma semana que foi deportada exatamente por não estar vacinada. E para mim, a grande marca é que Djokovic queria tanto entrar na história que aquilo que conseguiu foi, sobretudo, manchar tudo aquilo que fez na sua história, porque até mesmo quando ele acha que consegue reverter um pouco a decisão e assumindo que deu uma entrevista ao jornal "L'Équipe" sabendo que estava infetado, portanto, que basicamente era uma fuga para a frente para provar que de facto ele estava infetado em dezembro e como tal não se podia vacinar, até aí ele não teve noção do passo que ele estava a dar, porque a imagem que ficou é de alguém que sabe que está infetado, que sabe que tem de ficar em isolamento e mesmo assim dá uma entrevista porque dizia que era muito chato estar a dizer ao jornalista que teria de cancelar. Portanto, violou as regras de isolamento na Sérvia, até na Sérvia, que mesmo assim continua a defendê-lo de uma forma acérrima. A imagem com que fica de muitas pessoas não é propriamente a melhor, porque a Covid-19 toca-nos a todos e na Sérvia também. Ainda por cima a Sérvia é um país que tem só cerca de 50% da população vacinada. E em relação àquilo que se passou na Austrália, há aqui um pormenor também importante de perceber, que é se a partir de agora e a partir desta decisão, se mantém aquela notícia que tinha vindo a público de que ele nos próximos três anos não poderia disputar o Open da Austrália. E se for assim, e olhando para aquilo que é hoje o circuito do ténis e olhando para os Grand Slams e sabendo que Roland-Garros tem sempre Nadal como favorito, sabendo que o US Open por norma tem sempre um dos mais novos, digamos assim, Medvedev, Zverev, etc., na final, vamos ver até quanto é que Djokovic não condicionou mesmo a sua grande ambição de se tornar o jogador com mais Grand Slams na história do ténis.
E de facto, para já, fica mesmo fora deste Open da Austrália. A decisão surgiu hoje. Obrigado a Bruno Roseiro, aqui explicações, quer a nível dos tribunais, quer também já na parte desportiva e daquilo que pode ser o futuro de Djokovic. Análise de Bruno Roseiro, editor de desporto do Observador. Djokovic vai mesmo ser deportado da Austrália. Está fora do Open, Open que já tinha vencido por nove vezes.