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Está conosco em estúdio a Joana Moreira, jornalista de cultura do Observador. Joana, boa tarde. David Lynch deixa um grande legado.

É assim mesmo, um enorme legado. Desde logo, no grande ecrã, a carreira David Lynch conta-se filmes tão distintos como "Eraserhead", um filme surrealista, para depois "Blue Velvet", "O Homem Elefante", "Coração Selvagem" ou "Mulholland Drive", possivelmente o mais emblemático dos filmes deste realizador, que também esteve uma grande preponderância no pequeno ecrã. No pequeno ecrã foi absolutamente revolucionário, se pensarmos em "Twin Peaks, que mudou completamente a forma de consumirmos séries televisivas, uma série sobre a morte de uma rapariga, que se tornou um absoluto fenômeno nos anos 90.

Mudou a história do cinema, o realizador David Lynch deixa uma marca na história do cinema?

Sem dúvida, que é curioso pensarmos que ele não tem nenhum Oscar, apesar de ter sido nomeado quatro vezes. Ele recebeu apenas um Oscar honorário já em 2020, já adivinhando-se que o objetivo era dar-lhe este presente de fim de carreira, mas mudou por completo a história do cinema. Aliás, se pensarmos em "Twin Peaks", por exemplo, o Cahiers du Cinéma chegou a considerar os 16 episódios da série como o melhor filme da década.

Joana, esta notícia da morte de David Lynch, aos 78 anos, acaba por não ser surpreendente, tendo em conta o estado de saúde.

Sim, em 2024 foi-lhe diagnosticado um enfisema pulmonar causado por toda uma vida agarrada ao tabaco. David Lynch deu, na altura, uma entrevista onde revelou que esse enfisema o obrigava a ter sempre consigo uma garrafa de oxigênio para se poder deslocar pela própria casa. Portanto, ele considerava, neste momento, filmar remotamente.