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Junta-se a este jornal das 10, Henrique Bornet, especialista em assuntos europeus e também comentador do Café Europa aqui na Rádio Observador. Bom dia, Henrique. Este não era o discurso esperado por parte de Ursula von der Leyen?

Bom dia. Era um discurso esperado, que eu acho que tem aqui duas ou três notas particularmente interessantes. A primeira é que von der Leyen, no fundo, faz um balanço daquilo que foi feito e é reconhecido que tem sido uma comissão que apanha várias crises e tem respondido bem. E depois é um discurso que, olhando para o futuro, já não vai a tempo, porque estamos a nove meses do fim do mandato e, portanto, já não vai a tempo de ter muitas novas iniciativas, muito práticas e, portanto, são mais coisas grandiosas, mas de pouca concretização imediata. E nessa componente é um pouco um discurso, chamemos de mais político ou eleitoral, ou seja, falar ao que preocupa os eleitores. E aí, por um lado, é bom estar a perceber o que está a preocupar as pessoas e a dimensão econômica. Parece-me que é excessivamente otimista, ou seja, apresenta-se como se fosse possível resolver tudo. E a partir daí, corre-se o risco, parece-me, quando se começa a dizer às pessoas que se sabe quais são os problemas todos e que se consegue resolver os problemas todos, e que se está a responder os problemas todos, corre-se o risco de as pessoas, passado um tempo, quando isso não acontecer, estarem desiludidas. E portanto, parece-me um bom discurso de alguém que lidera a União Europeia e que tem um balanço importante do que fez, que nesta fase promete um pouco demais.

E este discurso, Henrique Bornet, pode ser olhado como um discurso de despedida ou antes pelo contrário, há aqui algumas pistas que nos podem fazer pensar que Ursula von der Leyen pode candidatar-se novamente à presidência da Comissão Europeia.

Von der Leyen quis intencionalmente não dizer nada sobre isso. Mas há uma coisa: ouvindo este discurso, ninguém notaria que a presidente da comissão está de saída ou está teoricamente de saída. Portanto, eu diria que este é o discurso de alguém que acha que está para ficar, ou pelo menos alguém que fala no presente e no futuro, e não em tom de despedida. Limitada apenas, era isso que eu dizia há pouco, pelo fato de que havendo eleições, há propostas que já não faz muito sentido fazer, porque se por acaso não ficar, elas não serão concluídas no seu mandato. Mas não há nenhum sinal de uma pessoa em retirada. E com sinceridade, eu julgo que von der Leyen, provavelmente, se puder, quererá ficar. Parece-me que isso é mais ou menos percebido. Pode ser que as circunstâncias apontem para outro sítio e a NATO não é uma hipótese que esteja fora das discussões. Mas eu diria que se percebe que von der Leyen acha que tem um balanço positivo e tem coisas ainda para fazer