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Já a seguir, "Quem Conta um Conto", um programa trazido pelo Pingo Doce. Contar histórias a crianças estimula a criatividade, enriquece o vocabulário e desenvolve a inteligência e a imaginação. Por isso, o Pingo Doce criou o Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce. Enquanto esperamos pelo livro vencedor da sétima edição, ouça com os mais pequenos este podcast inspirado numa das histórias vencedoras das edições anteriores do prêmio.

Hoje estamos à conversa com Rita, a personagem dona de um diário, que permitiu que a autora Andreia Penso Pereira e a ilustradora Ana Granado vencessem a quinta edição do Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce. Bem-vinda, Ritinha, como estás? Feliz de estar aqui na rádio?

Olá, João Paulo.

Estás nervosa?

Um bocadinho. Eu só estou habituada a escrever no meu diário e não a falar para estas coisas tão grandes, os microfones.

Vais ver que daqui a pouco já te esqueces que eles existem.

Mas estes fones é que são bem fixes para ouvir música sem ter de ouvir a do meu irmão Filipe.

Ainda bem que falas nele, é mesmo sobre ele que queremos falar, Rita.

Eu juro que não andei a espiar mais.

Sim, mas segundo a Andreia Penso Pereira, há dois anos andaste a vasculhar o quarto do teu irmão.

Mais ou menos. Não foi bem vasculhar e foi para bem dele.

Queres contar a quem nos ouve e que não leu o livro "O Narciso com Pelos no Nariz" o que se passou?

Sim, pode ser. O Filipe sempre me chateou muito. E quando foi esta história toda que a Andreia mostrou a todos os meninos e meninas, sim, porque a Andreia também andou a vasculhar as minhas coisas, o meu diário, ainda por cima. Mas então, na altura, o Filipe tinha 14 anos e eu tinha nove.

Então, e agora quantos anos é que tens?

Agora já tenho 11 e o Filipe tem 16. Mas eu estava a dizer, o meu irmão andava muito estranho, não se chateava comigo, nem quando eu fazia birras para o pôr à prova e eu precisava de saber o que se andava a passar.

Pois, então decidiste bisbilhotar o quarto dele.

João Paulo, eu já disse que não foi bem isso. Eu entrei no quarto dele, olhei à volta e vi uma coisa muito estranha debaixo da cama. Eu achei que podia ser, sei lá, um bicho e afinal era um livro.

Já sei, o livro da Sophia de Mello Breyner Andresen.

Exatamente.

Que tu, aliás, não sabias quem era.

Sabia, só não me lembrava.

Ya, imagino.

Foi uma importante poetisa portuguesa. Vês, eu sei. Eu até já li um livro dela, só que não era poesia, era a "Fada Oriana". Aliás, foi a Andreia Penso Pereira e a Ana Granado que me ofereceram este livro.

Muito bem, mas achaste que o livro que descobriste no quarto do teu irmão era de magia negra?

Mais ou menos, eu não achei logo assim. A Andreia mexeu ali um bocadinho nas coisas que eu tinha no meu diário.

Foi mesmo? Verdade?

Foi, mais ou menos. Mas pronto, isso agora também não é importante, João Paulo. Era mais importante eu ficar bonita no livro. E a Ana Granado desenhou muito bem, não achou?

Achei, para casa, achei. Vamos lá então voltar à história do livro e do teu irmão.

Claro. Ele andava estranho e eu não percebia nada do que estava escrito no livro que ele tinha deixado debaixo da cama, porque eu ainda só andava no quarto ano naquela altura e eu sempre achei que aquilo não devia ser para o Filipe. Ele nem ia à bola com os amigos, ia jogar. E mais, ficava na casa de banho a olhar-se ao espelho, a fazer a barba. Ele sequer tinha barba, mas não era nada normal aquele comportamento no Filipe. Os pais, antes disso, até tinham de ralhar com ele para o obrigar a tomar banho. Como é que ele depois ficava assim tão preocupado com o corpo de um dia para o outro?

Rita, está bem, mas tu antes, além de vasculhares o quarto do teu irmão, ainda o andaste a perseguir na escola.

Eu?

Sim, é o que diz no livro "O Narciso com Pêlos no Nariz", que a Andreia Penso Pereira escreveu e a Ana Granado ilustrou.

Não foi perseguir o Filipe, vá lá, foi mais ou menos. Eu estava preocupada com o meu irmão. E se um extraterrestre o levasse, por exemplo, com quem é que ele ia discutir? Com quem?

Mas se o teu irmão andava estranho, devias ter falado com os teus pais primeiro, não achas, Rita?

Pois, devia. Sabes que depois de ter ficado duas vezes de castigo por causa disso, eu percebi que devia ter falado primeiro com os pais. Porque afinal, o Filipe estava só apaixonado pela Mariana.

E ainda para mais envergonhaste o teu irmão na escola à frente de todos. Já viste se a Mariana fosse realmente uma bruxa e não uma fada, podias ter estragado o namoro dos dois.

Eu sei. Eu já fui castigada, João Paulo. Não é preciso ralhar assim comigo, não é?

Desculpa, tens razão.

Se eu soubesse que era para ralhar comigo, eu não tinha vindo.

Vá lá, eu espero que tenhas aprendido que meteste-se assim na vida alheia, mesmo concretamente na vida do teu irmão, pode não correr bem.

Eu aprendi, mas sabes, aqueles miúdos da escola também. Primeiro, não deviam ter roubado o meu diário. Estamos a falar do meu diário, é uma coisa muito pessoal. E depois, lá porque o leram, eu é que estava a fazer a investigação. Eram as conclusões e as descrições minhas. Eram minhas. Não tinham nada de gozar com o Filipe só porque ele fazia aquilo. Aliás, a única pessoa que podia gozar com o Filipe era eu. Por quê? Porque sou irmã, claro. Coitado, o Filipe chorou tanto. Eu também chorei um bocadinho por ele e para a mãe ter ralhado comigo também, claro. Mas eu acho que, no final, todos os amigos ficaram com inveja do Filipe, porque a Mariana lhe deu um beijinho repenicado à frente de toda a gente. E eles, nada. Eu aposto que começaram também a arrancar pelos do nariz com a pinça que as mães usam para tratar das sobrancelhas.

Mas pelo que eu li no livro, tu também, entretanto, foste enfeitiçada pelo amor, o Diogo.

Eu? Qual Diogo?

Vai lá. No final do livro, descobrimos que tu, houve ali um-

Eu nada. O Diogo é só meu amigo.

Ok, não faz mal gostares do Diogo, Rita, assim como o teu irmão gosta da Mariana. Aliás, já sabes quais são muitos dos sintomas de se estar apaixonado. Será que não os identificas em ti também?

João Paulo, eu sei, mas promete que não diz a ninguém?

Prometo, vá, ninguém nos ouve.

Eu e o Diogo já demos um beijinho repenicado como a Mariana e o Filipe.

Mas que ótima notícia, Rita.

Obrigada, mas olhe, não conte mesmo nada a ninguém, senão ainda vão querer contar a minha história no próximo livro do Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce.

Sempre podias ser tu a escrevê-lo ou a ilustrá-lo, por que não?

Não me parece. Eu gosto mais de matemática do que de português ou de desenho. O Filipe desenha melhor do que eu. Além disso, eu não tenho idade para participar.

Mas olha que o português também é importante e ilustração também é uma área muito boa para dar asas à tua imaginação.

Eu sei, por isso é que eu estou sempre atenta para ler e ver a próxima história que vence o Prêmio Literatura Infantil Pingo Doce.

Fazes muito bem. Rita, então obrigado por teres vindo até aqui falar um bocadinho conosco. E então, custou muito?

Não, nada. Eu agora até ficava aqui a falar mais tempo para o microfone. Aliás, a Ana Granado devia ter vindo para me desenhar aqui na rádio. Eu assim mostrava ao Diogo.

Contar histórias a crianças estimula a criatividade, enriquece o vocabulário e desenvolve a inteligência e a imaginação. Por isso, o Pingo Doce criou o Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce. Enquanto esperamos pelo livro vencedor da sétima edição, ouça com os mais pequenos este podcast inspirado numa das histórias vencedoras das edições anteriores do prêmio. "Quem Conta um Conto" é um programa trazido pelo Pingo Doce.