Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Já a seguir, "Quem Conta um Conto", um programa trazido pelo Pingo Doce.

Hoje estamos à conversa com Orlando Babado da Horta, personagem principal do livro vencedor da segunda edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce. Bem-vindo, Orlando.

Olá, João Paulo, como está? Muito obrigado pelo convite.

Essa nós é que agradecemos a sua presença. Orlando, para quem nos ouve, deixe-me só informar que vamos falar consigo porque queremos ouvir a sua versão do conto escrito por Sérgio Mendes, ilustrado por Elias Gato, no qual o Orlando é o personagem principal, certo?

Corretíssimo, João Paulo. Eu sou a personagem principal do livro "Orlando, o Caracol Apaixonado", mas nem tudo o que se diz no livro é bem assim. É que quem conta um conto, acrescenta um ponto.

Sim, ok, já lá vamos. Mas diga-me só, continua feliz com a sua caracoleta e os seus 200 filhos?

Claro que sim, João Paulo.

Ok, então conte-nos lá a sua história de amor na era das tecnologias. Como é que conheceu a sua caracoleta? Foi mesmo pelo Facebook, como vem no livro?

Essa parte é verdade, foi mesmo. Eu e a minha Bárbara somos um dos casais que se conheceram pela internet. No nosso caso, pelo Facebook. Começámos a falar, mas eu queria mais. Foi quando decidi ir ter com ela ao parque de campismo de Lagos, mas regressámos para o norte, para a horta da dona Micas, onde ainda vivemos.

Mas diga-me uma coisa, Orlando, pelo que li no livro, a viagem para lá foi muito atribulada. O Orlando ia sempre de olhos fechados porque se os abria, ficava com dor de barriga, com enjoos.

Eu? Eu estive para ser paraquedista no regimento da caracolateria aérea, meu amigo.

Uau!

Como é que eu teria medo de alturas? Esse Sérgio Mendes gosta muito de inventar. Dava bem para escritor.

E foi por isso mesmo que ele ganhou a segunda edição do Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce, na vertente de texto.

É verdade, mas não deixa de ter sido graças à minha história de vida.

Ok, mas vá, retomando. Antes de conhecer a Bárbara, a sua mulher, o Orlando apaixonava-se com muita facilidade. Foi uma coisa que eu também li no conto.

Alguma, sim. Os outros bichos da horta da dona Micas até se metiam comigo, mas é que eu acredito no amor, sabe, João Paulo. Sou um apaixonado nato, nasci assim, mas agora só tenho olhos para a minha Bárbara e os meus 200 filhos, é claro.

Mas as coisas no campo amoroso, Orlando, não lhe corriam lá muito bem.

Quem é que disse isso?

Está no livro, "Orlando, o Caracol Apaixonado". Senão, vejamos, esteve para casar com um ouriço-cacheiro fêmea, mas como as suas primas ficaram cheias de picos na festa de noivado por causa da família dela, acabou-se o romance. Depois esteve com uma toupeira solteirona, mas quando ela apagou as velas num jantar romântico para o beijar, o Orlando ficou assustado e porque tinha medo do escuro, meteu-se para dentro da sua concha.

Não é bem medo, é respeito. Tenho muito respeitinho pelo escuro, mas medo, não.

Ok, certo. Mas então ainda teve um caso com uma centopeia bailarina.

Não me lembro da centopeia bailarina.

Pois, então. Está com vergonha que os nossos ouvintes fiquem a saber que ficou com uma câimbra nas antenas que o obrigou a ficar paralisado uma semana por ter de apertar as 200 mãos do pai e as 200 mãos da mãe da centopeia bailarina?

Não é uma coisa que me orgulhe, João Paulo, mas ao menos fui educado. Cumprimentei todas as mãos. Mas orgulha-me mais o meu potencial para a informática. Disse o Sérgio Mendes, não falou no livro.

Falou, claro que falou. E o Elias Gato ilustrou muito bem a sua página de Facebook.

Estava bonito na foto, não acha?

Muito, estava bastante bonito. Mas como é que o Orlando, só por ter estado na torre de um computador, aprendeu assim tanto sobre computadores?

Ora, não foi só por ter estado numa torre de computador. Gastei imensa baba a passar as folhas de vários livros sobre computadores. Eu até podia dar formação aos outros bichos ou até mesmo aos humanos.

Se assim foi, por que não ensinou a dona Micas, em vez de lhe assaltar o computador e passar a usá-lo para as suas coisas?

Porque a dona Micas é uma osga, e as osgas, toda a gente sabe, não têm uma inteligência tão profunda como a de um caracol. Teria de estar constantemente a repetir as mesmas lições. Nunca mais ia sair de lá. Nunca teria conhecido, por exemplo, a minha Bárbara, nem o Sérgio, nem o Elias teriam conseguido acabar o livro. Mas ensinei sobre computadores a todos os meus 200 filhos. Aliás, um está mesmo a estudar informática para caracóis.

Muito bem. Mas Orlando, por que quando criou a sua página de Facebook, deixou de ligar aos seus amigos da horta da dona Micas?

Não foi bem assim. Eles é que não queriam ouvir-me falar das maravilhas da internet.

Homem, mas também podia falar do tempo, das promoções dos frescos do Pingo Doce, sei lá, outras coisas, mas sempre a falar de internet.

Na realidade, eles já me aborreciam um bocadinho. Estavam sempre a chamar-me lesma. E eu não sou lesma, sou caracol. É um insulto. Foi quando descobri outros bichos de outros cantos do mundo, mas a Bárbara cativou-me logo, sei lá, com aquelas expressões algarvias.

E quando se foi embora com os bichos-de-lacre, não ficou triste de deixar os seus amigos para trás?

Ao início, nem por isso, mas depois senti um bocadinho de falta deles. O melhor foi quando os vi chegarem ao parque de campismo de Lagos com a dona Micas.

Isso nós também vimos nas ilustrações do Elias Gato, é verdade.

João Paulo, eu quase chorei, mas não quis dar parte fraca. Sabe como é. Um caracol pode babar, mas não chora.

Orlando, e quando decidiram regressar, a Bárbara não sente a falta das praias algarvias?

Sente, mas nós vamos lá todos os verões. Mas já não vamos de voo com os bichos-de-lacre. Santo caracolão me livre.

No final, confessa que tem medo, é isso.

Não, não é por isso. É só porque com a dona Micas podemos parar pelo caminho para esticarmos as antenas e comer umas alfaces, coisas assim.

Claro. Bom, Orlando, muito obrigado por ter vindo.

Obrigado por esta entrevista, João Paulo, gostei muito, estou muito feliz. E tenho um primo que trabalha na Rádio Concha, mas as instalações são muito diferentes destas aqui da Rádio Observador. Isto é uma coisa séria.

Isso é verdade. Bom, obrigado, Orlando. É verdade, íamos esquecendo de lhe perguntar: está com curiosidade de saber de quem será o conto vencedor da sétima edição do Prémio Literatura Infantil Pingo Doce?

Eu arrasto-me de curiosidade. Quando é que sai?

Não tem que gastar muita baba. Acho que lá para novembro vamos saber tudo. Nós depois avisamos aqui no Observador. Obrigado, Orlando, e obrigado por ter vindo até cá.

Um verdadeiro prazer. Muito obrigado.

"Quem Conta um Conto" é um programa trazido pelo Pingo Doce.