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Já a seguir, "Quem Conta um Conto", um programa trazido pelo Pingo Doce. Contar histórias a crianças estimula a criatividade, enriquece o vocabulário e desenvolve a inteligência e a imaginação. Por isso, o Pingo Doce criou o Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce. Enquanto esperamos pelo livro vencedor da sétima edição, ouça com os mais pequenos este podcast inspirado numa das histórias vencedoras das edições anteriores do prémio.

Hoje estamos à conversa com o senhor Lobo Mau, personagem principal do livro vencedor da sexta edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce. Bem-vindo, senhor Lobo Mau.

Obrigado, João Paulo. Pode deixar de me tratar por senhor. Basta Lobo Mau ou Lobo, ou até mesmo Lobos. Eu sei que o Pedro Velho, no livro "O Protesto do Lobo Mau", me desenhou meio velho, como o nome dele, mas eu ainda sou jovem.

Lobo, parece-me bem. Ora, senhor Lobo, era mesmo sobre o livro que o Pedro Velho ilustrou e a Maria Leitão escreveu, que queríamos falar consigo: "O Protesto do Lobo Mau". Então, que protesto é que foi este?

É muito simples, João Paulo. Basicamente, toda a miudagem me conhece por ser o Lobo Mau em todas as histórias, incluindo na do Capuchinho Vermelho. Sim, eu estava na floresta à espera da miúda.

Lobo, desculpe lá interrompê-lo, mas não tinha pena do Capuchinho?

Oiça, esta é a minha vida. Não posso só ter a fama e depois não ter o proveito. Além disso, eu sou um lobo mau. E pior, foi o que a Maria Leitão e toda a ERPEDH me fizeram na história do protesto do Lobo Mau, da sexta edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce.

Para quem ainda não leu o livro, pode dizer o que é a ERPEDH e o que se passou na história?

Basicamente, a ERPEDH é a entidade responsável pela gestão desta história, desta, da do livro, "O Protesto do Lobo Mau". E o que aconteceu é que em vez de me enviarem o Capuchinho Vermelho, mandaram-me um urso com uma capa vermelha. Um urso. Acha normal? E o rei do urso a teimar que era Capuchinho Vermelho. Pensavam que eu era parvo ou o quê? Depois vai-me embora o urso e aparece-me um sapo.

Uma rã. Eu li que era uma rã.

Isso, uma rã, que fica toda ofendida quando se lhe chama sapo. Até parece que não são da família. Não são familiares. Bem, mas adiante, eu ainda engoli, mas a rã começou a saltar, a saltar dentro da minha barriga.

Mas espera lá. Então a rã era o Capuchinho?

Sim, ela dizia que era, mas de repente transforma-se numa espécie de homem de negócios. Eu não estava a entender nada do que se estava a passar com a minha vida naquele dia. Só de me lembrar, até se me eriçou o pelo todo. Parecia que estava num sonho. Num sonho, não, num pesadelo. Mas foi graças a essa rã, que já não estava com uma capa igual à do Capuchinho, mas antes com uma gravata tal e qual um homem de negócios, que orientei a minha vida e tomei medidas.

Então, o que é que fez? Diga lá.

O que é que eu fiz? Escrevi para a ERPEDH, a tal entidade responsável pela gestão da história, a dizer que não se podia passar o que se estava a passar. Era inadmissível. E vai nisto tudo e eles ainda me mandaram 10 lobos.

Com os quais não soube lidar.

Estás a ver? Quem conta um conto não foi nada disso. Eu é que não me quis dar com eles.

De certeza? Olhe que eu li que o Lobo até leu o livro "Como ser um indivíduo na hierarquia da alcateia" para se tentar adaptar.

Acha que eu, o Lobo Mau, preciso desses livros de autoajuda? Acha que eu não saberia reagir aos outros lobos?

Não sei. Pela história, diria que não é essa a sua melhor qualidade.

Histórias, é o que é. E não passa disso, não passa disso mesmo. Eu sei muito bem. Só que eu sou um lobo solitário.

Mas só percebeu isso depois de ver a alcateia, que por sua vez, foi o Lobo Mau que pediu.

Essa história do protesto do Lobo Mau está muito mal contada. Foi como mais lhe agradou à menina Maria Leitão, estou mesmo a ver. E o Pedro Velho a mesma coisa ao ilustrá-la. Eu sou alto e espadaúdo e ele meteu todos os outros lobos maiores do que eu, como se eu estivesse perdido. Contadores de histórias.

Certo, mas então o que é que fez depois de a alcateia ter ido embora? Diga lá.

Voltei a tomar medidas, pois está claro. Disse que queria sair daquela história.

Mas podia? Podia sair da história, senhor Lobo?

Olhe, se podia ou não, não sei. Só sei que reivindiquei aquilo que achei serem os meus direitos. E a entidade disse que me tinha estado a pôr à prova. Já viu o que é, João Paulo, se agora descobrisse que afinal a sua vida era gerida por uma qualquer entidade que o detestava? Ai, agora vamos lá pô-lo a fazer teatro para protestar. Obviamente que isso não se faz. Eu fiquei chateado.

Sim, mas também teve muita ousadia em pedir para sair da história. Não ficou com medo de depois não saber o que fazer à vida?

João Paulo, claro que fiquei. Mas como vocês, os humanos, dizem, sair da zona de conforto faz bem. Só sei que comecei a correr, a correr, a correr e quando dei por mim tinha passado o fim da história do protesto do Lobo Mau.

E foi então assim que começou a dedicar-se à escrita, Lobo?

Foi assim que comecei eu a inventar as minhas próprias histórias.

Mas entra nelas?

Depende. Se me agradar, dou lá uma patazinha. Caso contrário, brinco com as outras personagens, aqueles lobos da alcateia que não me ligaram nenhuma. Eles nem sabem o que lhes espera.

Então, o que é que lhes vai fazer? Diga lá.

Não posso contar. Têm de comprar o livro.

Ok, é justo. Mas vai escrever apenas sobre lobos?

Não, já tenho outras histórias em mente. Vou escrever uma sobre cavalos selvagens, outra sobre a relação dos humanos com a natureza, outra sobre pessoas que escrevem contos e ainda uma outra como uma espécie de guia para sobreviver na floresta. Esta, obviamente, toda inspirada, claro está, em mim.

Então já percebi, é uma autobiografia, é isso?

Não, vou ensinar as pessoas. Eu quero muito, de vez em quando, entrar nesses livros e pregar uns valentes sustos às personagens.

Então diga lá, por que não se candidata ao Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce do próximo ano? Este ano já não dá, que a fase de texto já terminou. Mas para o ano até podia ser que ganhasse na versão de texto e assim tinha o seu livro publicado e ainda podia ganhar 25 mil euros.

Olhe, João Paulo, isso é uma ótima ideia, nunca tinha pensado nela. Não sei como é que não me passou antes pela cabeça. Acha que discriminam animais?

Não acho que discriminam animais. Pode ler o regulamento no site do Pingo Doce. Acho que não vai lá nada sobre lobos poderem participar ou não.

Depois vou ver. Tenho lá um computador na floresta com acesso à internet. Só há um problema.

Qual é?

Eu fugi da história da sexta edição do prémio.

Pode ser que não se lembre. Lobo, muito obrigado por ter aceitado vir aqui e falar abertamente deste assunto.

João Paulo, eu é que agradeço. Muito obrigado.

Contar histórias a crianças estimula a criatividade, enriquece o vocabulário e desenvolve a inteligência e a imaginação. Por isso, o Pingo Doce criou o Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce. Enquanto esperamos pelo livro vencedor da sétima edição, ouça com os mais pequenos este podcast inspirado numa das histórias vencedoras das edições anteriores do prémio. "Quem Conta um Conto" é um programa trazido pelo Pingo Doce.