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Lidl e WWF Portugal unem-se para restaurar a Mata Nacional do Valado

Com a venda do saco solidário, o Lidl Portugal entrega 100 mil euros ao restauro da Mata do Valado. Em parceria com a WWF, o objetivo é promover a biodiversidade e prevenir novas catástrofes.

A Mata Nacional do Valado dos Frades é uma das zonas florestais com maior importância no litoral do distrito de Leiria. Situada entre os municípios da Nazaré e de Alcobaça, contribui para a preservação da biodiversidade, a defesa dos solos, o equilíbrio do ciclo da água e a criação de espaços de lazer e contacto com a natureza. Alberga habitats de grande valor ecológico e funciona também como uma infraestrutura natural essencial para as populações locais, protegendo-as de eventos extremos e reforçando a capacidade de adaptação do território às alterações climáticas.

A tempestade Kristin, que atingiu Portugal na madrugada do dia 28 de janeiro de 2026, foi responsável por danos significativos que se fizeram sentir neste local, com a queda generalizada de árvores e uma posterior acumulação excecional de material lenhoso e de biomassa no solo, o que acabou por criar condições favoráveis à ocorrência e propagação de incêndios florestais.

Face à vulnerabilidade desta área, o Lidl lançou um desafio à WWF Portugal: restaurar e recuperar esta zona do país. Com uma intervenção urgente numa área de 25 hectares, o projeto pretende reduzir o risco de incêndio, recuperar habitats degradados e reforçar a resiliência deste ecossistema. Em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), e com a duração prevista de um ano, a intervenção está já em curso, no terreno, e tem como prioridade reduzir a carga combustível existente na área intervencionada, através da remoção de material lenhoso danificado e do controlo de espécies invasoras que contribuem para a propagação do fogo. O futuro da iniciativa prevê ainda ações de recuperação ecológica, destinadas a aumentar a resiliência da floresta às alterações climáticas, a reflorestação da área com pinheiro-bravo e o enriquecimento com espécies autóctones como medronheiro, restituindo ao local os habitats antes da sua degradação pelas tempestades.

Os benefícios esperados

  • Para a floresta: melhor vulnerabilidade ao fogo, recuperação da estrutura do ecossistema pinhal, maior diversidade de habitats;
  • Para a biodiversidade: melhores condições para fauna e flora autóctones, recuperação progressiva de habitats degradados, controlo e erradicação de invasoras;
  • Para as comunidades: redução do risco de incêndios, maior segurança para residentes e visitantes, valorização do património natural da região.

“Nós, enquanto Lidl Portugal, percebemos que não fazer nada não era uma opção. E tendo nós esta preocupação de procurar estar próximo das nossas comunidades, e trabalhar a proteção da biodiversidade, fez-nos todo o sentido desafiar a WWF para que arregaçasse as mangas connosco, para tentarmos mitigar a devastação gigante que aqui aconteceu. Isto é uma gota no Oceano, mas acho que é uma gota de esperança”, conta-nos Vanessa Romeu, Head of Corporate Affairs do Lidl Portugal, explicando como a venda dos sacos solidários “da tartaruga” foram fundamentais para o investimento de 100 mil euros que o Lidl entregou a este projeto: “Este é um excelente exemplo de como as ONGs, a sociedade civil, as empresas, o poder local, podem trabalhar em conjunto, de forma muito eficiente, para proteger o nosso património. É importante mostrar o que é feito no terreno e dar a esperança de que as coisas conseguem, de facto, avançar”.

Para Ângela Morgado, Diretora Executiva da WWF Portugal, esta iniciativa não poderia ser mais pertinente, porque “além de esta ser uma área com um grande valor ecológico, é uma área também muito importante para a população local. É interessante como um projeto ambiental também vai favorecer a visitação deste espaço. Quando conseguimos juntar todas estas componentes – a intervenção ambiental, o restauro da natureza, o aumento da possibilidade de visitação de um espaço e, ainda, socialmente beneficiarmos a população – para a WWF isso é muito importante”, afirma, acrescentando também a importância de se contar com um financiador como o Lidl Portugal para este trajeto: “Todo este trabalho tem o apoio do Lidl, que mostra uma coisa muito importante: as empresas podem, e devem, restaurar a natureza e investir, e adequar o investimento necessário, para esse restauro. E sem dúvida que o Lidl é pioneiro e mostra essa visão estratégica”.

Importa dizer que, para além das intervenções no terreno, o projeto prevê a reabilitação dos percursos pedonais do Monte de São Bartolomeu, o que valoriza esta importante zona natural da região da Nazaré e torna as visitas mais seguras. E a iniciativa conta ainda com uma vertente de capacitação territorial, assente na colaboração entre a WWF Portugal e os 16 municípios do distrito de Leiria. Neste âmbito, está prevista a avaliação dos Planos Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas, a organização de workshops técnicos e a elaboração de guias de boas práticas baseados em soluções de base natural, com vista à prevenção de riscos e à adaptação aos impactos climáticos.

No passado dia 27 de outubro, o Observador foi até à Mata do Valado para, em conjunto com meios de comunicação e parceiros, testemunhar, de perto, os trabalhos em curso. E uma coisa ficou clara: por mais que as tempestades não se possam prever, há equipas dedicadas em trazer, até à floresta, mais dias de sol.

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