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Já a seguir, Quem Conta um Conto, um programa trazido pelo Pingo Doce. A sétima edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce já começou. Até 2 de abril estão abertas as candidaturas para a fase de texto. Traga o seu talento e entre na história do maior prémio de literatura infantil do país, no valor de €50 mil. Saiba mais e participe em pingodoce.pt.
E porque hoje é dia de imaginação, vamos a mais um programa. No nosso estúdio está a dona narradora do livro De Onde Vêm as Bruxas, da autora Joana Lopes e do ilustrador Luís Belo, vencedores da primeira edição do Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce. Olá, dona narradora, bem-vinda à Rádio Observador. É uma honra recebê-la por aqui.
A sério? Obrigada.
Claro que sim. Antes de falarmos do livro, é mesmo uma honra, porque foste a primeiríssima narradora a participar num livro vencedor do Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce, o que é fantástico. Foi uma espécie de Oscar que tu ganhaste no mundo dos livros. Como é que te sentiste?
Olha, já que perguntas, sabes, foi o máximo. Para dizer a verdade, eu nunca pensei. A Joana e o Luís concorreram sem pensar que era bom, mas quando ganharam este prémio, eu pensei: caramba, isto é mesmo espetacular. E eu nem te digo as 1001 coisas que comecei logo a equacionar fazer. Foi mesmo life changing.
Life changing, pois, acredito. Deve ter sido uma excitação. É muito bom sermos reconhecidos pelas nossas paixões, como foi o caso da Joana e do Luís, certo?
É mesmo. E um reconhecimento como o Prêmio Literatura Infantil Pingo Doce, além de ser bom para motivação pessoal, é mesmo incrível em termos profissionais. Olha, acho que a Joana e o Diogo tiveram a certeza de estar no caminho certo, passe o pleonasmo, claro, o que é realmente recompensador.
Uau, incrível, dona narradora. Sim, senhora.
Por amor de Deus, tira o dona, por favor, trata-me por tu.
Ok, pronto. Narradora. Falemos agora sobre o livro De Onde Vêm as Bruxas. Esta é uma história fantástica.
Olha, sim, também acho. Começando pelo tema, que é incrível. Eu adoro bruxas. E pensar que havia medo quando era pequenina, enfim. E há muita coisa a dizer sobre as bruxas. É um tema que não se esgota, praticamente.
Não, por quê?
Sim, há todo um what not to do e um what to do em relação a bruxas ainda por explorar. Este é um livro que é uma excelente abertura em relação ao tema, mas falta imensa matéria.
Isto quer dizer que, portanto, foi apenas o começo?
É isso, exatamente. Aliás, eu nem sei mesmo se não devíamos criar um curso mais direcionado para esta área, onde pudéssemos, por exemplo, trabalhar a temática bruxa afincadamente e criar pessoas formadas na área capazes de debater o tema.
Isso é muito interessante, de fato.
É verdade, eu também acho. Isto é um material for any entire conference, percebes? Como diria o outro, é isso.
Estou impressionado com a tua pronúncia. Eu acho que as bruxas concordam comigo. Aliás, concordam contigo, narradora. Tenho aqui alguns testemunhos que fomos recolher junto a algumas bruxas, que gostava de partilhar contigo, para então continuarmos a debater.
Que interessante, conta-me, força.
Então vá, sobre o nascimento das bruxas e a história do pluf, nasce uma bruxa, uma delas diz: estes pluf acontecem muitas vezes ao dia, por isso temos de ter mais presença em histórias, de preferência novas, e com outros enquadramentos.
Eu não podia estar mais de acordo. Eu acho que esta geração ainda não percebeu o potencial da bruxa. Repara o que é escrever, por exemplo, um livro com party de bruxas ao luar da meia-noite, onde umas dançam trance e outras disco sound, mas todas combinam nesse evento as maldades previstas para 2020. Podia ser um livro forte candidato para a próxima edição do Prêmio de Literatura Infantil Pingo Doce, tu não achas?
É verdade, completamente. Acho que ia ser um verdadeiro best-seller.
Sabes, eu aposto que dava mais que falar que certos temas. Aqui, que ninguém nos ouve.
Estou a ver. Relativamente ao sopro do dragão das três cabeças, que determina a quantidade de fieldade da bruxa, temos o seguinte testemunho: achamos que esta história de levar o sopro de uma das cabeças do dragão é fixe, mas gostávamos de incluir cabeleireiro a seguir, porque saímos de lá num estado de penteadas que ninguém merece.
Pois é, eu percebo perfeitamente. E acho que sim, que podíamos proporcionar a todas as bruxas, assim que saem do dragão, uma passagem num cabeleireiro próximo, para assegurar que elas ficam mesmo mal penteadas, porque isto é muito importante na autoestima das bruxas e pode determinar os seus futuros no ramo da maldade.
Sim, concordo. Estou a ver o ponto de vista. Ainda sobre os testemunhos, uma das bruxas entrevistadas revelou uma coisa interessante. Disse que adorava que a escola das bruxas pela qual passam incluísse uma cadeira sobre, imagina, redes sociais.
Pois, eu percebo. É uma linguagem atual da maioria da população, com especial enfoque nos jovens. Eu percebo que as bruxas queiram dominar esta estratégia. Eu estou a ver já um hashtag genial, tipo hashtag bruxas da meia-noite, hashtag vamos enfeitiçar tudo e todos.
Sim, parece-me importante, se as bruxas querem realmente chegar a todos os targets, este domínio digital parece-me essencial no século XXI.
Completamente. E todo o potencial que isto tem, eu quero dizer, se as bruxas passam a dominar redes sociais, passam a chegar a toda a gente, assim num curto espaço de tempo, claro, até para divulgar eventos sociais, encontros, espaços de debate, quer dizer, hashtag the sky is the limit. É verdade, eu não podia estar mais de acordo com isto.
Muito bem. Acho que já estamos na reta final da nossa entrevista, mas não podemos ir sem que partilhes conosco o quê? A tua birra, dona narradora.
Esse é um tema muito difícil. Eu achei que me ia escapar a isto, confesso.
Vá lá. Não posso deixar-te ir sem falarmos na birra que deu origem à bruxa que saiu em grande velocidade do teu nariz. Sim, porque todos lemos o livro De Onde Vêm as Bruxas e aprendemos que elas vivem dentro dos narizes dos meninos que fazem birras.
Pois, eu confesso que não há seres humanos perfeitos, certo? E esse foi um daqueles meus dias a não recordar. Eu fiz uma valente birra, confesso, mas uma tão grande que realmente quando espirrei, lá veio ela voar na sua vassoura com o chapéu bem pontiagudo. Daqueles que topas logo que é uma bruxa das boas. Ou bem, má, melhor dizendo, não é?
Pois, estou a ver. E o que ela te disse?
Então contou-me tudo sobre as bruxas, como podes ler no livro, e a partir daí fiquei intimifando o tema e personagens.
Agora sempre que há uma criança que faz uma birra perto de ti, ficas mais alerta, é isso?
Completamente. E fico à espreita para ver se a bruxa que sai do seu nariz é daquelas minhas conhecidas, que eu tenho a certeza que é. Eu conheço todas.
E quando são, o que acontece?
Ora, sabes, eu não aguento isto. Ficamos horas na converseta a pôr as novidades em dia e a saber sobre os planes para o futuro.
E as crianças no meio disto?
Eu convido-as a juntarem-se a nós. Ficam logo a conhecer as suas bruxas também.
A sério?
Claro, mas se formos mais a dominar o tema, melhor, não é? Bruxa igual a criatividade. E criatividade é o que vai salvar o mundo, sabias?
Isso é verdade, é toda a verdade. Tens toda a razão. Que incrível, eu adoro este mindset. És capaz de ter razão.
Eu não sou capaz, Zé, que eu tenho mesmo a certeza. E até digo mais: já andamos a falar de criar um movimento, como um manifesto pró-bruxa. Agora são tudo movimentos, não é?
É verdade. Sim, já me constou. E o que esse movimento propõe, dona narradora?
Isto seria um novo programa só para descrever o movimento. Nós não temos tempo, mas eu acho que, por agora, posso adiantar só que é um movimento que vai alterar a forma como as bruxas são percepcionadas no mundo atual. Uma coisa ao nível da igualdade de género, mas na versão de igualdade bruxa.
Estou curioso, de facto. Vamos então aguardar para ver o que é que sai desse movimento. Estou curioso.
Aguardem. Vêm novidades que vão valer a pena descobrir.
Então, narradora, resta-me despedir e desejar toda a sorte do mundo para ti. Quem sabe se nos encontramos num futuro próximo.
Claro que sim. Talvez numa próxima venha eu, a Joana Lopes e o Luis Bel, porque eu vou convidá-los para criarem este movimento.
Ok, acho ótima ideia. Vêm os três aqui à Rádio Observador falar connosco.
Exatamente, eu acho uma boa ideia.
Então, narradora, boa sorte nessa demanda e vamos falando.
Adeus e muito obrigada. Vocês são fabulosos.
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