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"Quente e Frio" na Rádio Observador, com a Filomena Martins. Filomena, boa tarde. Vamos a mais um.
Olá, boa tarde, vamos.
Vamos a isso. Vamos começar com a nossa previsão. Ontem voltaste a anunciar chuva, más notícias. Foi só para dares uma notícia chata ou vai mesmo trazer o outono, vai voltar?
Nada disso. Eu não voltei com o outono, vou já avisar, o verão ainda está para ficar, até porque eu gosto muito dele.
Somos duas.
O calor até vai marcar os próximos dias, de dia e de noite. Lisboa e o Algarve vão ter noites tropicais no próximo fim de semana. As temperaturas mínimas deverão ficar entre os 20 e os 22 °C, talvez um pouco mais, nas noites de sábado para domingo e de domingo para segunda. Uma noite tropical, já se sabe, é uma noite em que a temperatura não desce abaixo dos 20 °C. Durante o dia, o calor também vai aumentar.
Portanto, só boas notícias. A chuva foi só no norte e centro?
Chuva passageira.
Passou e vai embora.
É, foi chuva passageira, portanto, não se preocupem com ela. Se saíram com umas galochas e um guarda-chuva, já podem arrecadar. Esta quarta-feira ainda pode chover, sobretudo no norte e no litoral, mas será fraquinha a chuva e umas gotinhas que dá para esconder debaixo de um albergue qualquer. Quinta-feira já será um dia mais seco e a partir de sexta-feira as temperaturas vão subir a pique. No sábado e no domingo, Lisboa deverá chegar aos 32, 34 °C, eu diria que até talvez um pouco mais.
Está bom para ir para a praia.
Está. Estará muito bom tempo de praia. No interior do centro, no Vale do Tejo e no Alentejo, os termômetros vão subir outra vez, como eu disse, a pique, vão chegar a 37, 38, 35 °C. No Algarve, o calor é mais forte no interior. Junto ao mar, as temperaturas serão um pouco mais baixas, mas andarão nos 30 °C e picos. No Porto, a influência do Atlântico, já se sabe, manterá as máximas abaixo das previstas para Lisboa e para o interior, mas a previsão é simples de resumir: chuva fraca na quarta, tempo mais seco na quinta e calor forte a partir de sexta-feira, com as tais noites tropicais em Lisboa e no Algarve durante o fim de semana.
Que bom! Vamos passar ao nosso fenômeno, Filomena. Vais falar de avalanchas e torrentes de lama e detritos, mas não as do Nepal.
Também no Nepal, porque vou explicar um pouco o que pode acontecer quando uma montanha desaba, ou um pequeno monte, mas partindo de um acontecimento do ano passado, e não o deste ano dos Himalaias, mas lá chegarei. Porque eu não sei se te lembras, ou se se lembram, que em maio do ano passado, em Platan, na Suíça, começaram a cair pedras de uma montanha dos Alpes. Estas pedras da montanha acumularam-se sobre um glaciar, parece que estamos a ouvir o que aconteceu agora. Depois uma enorme massa de gelo e de rocha soltou-se e desceu rapidamente pelo vale. Não é Nepal ainda. E o movimento dessas rochas e desse gelo destruiu grande parte da aldeia. Foram 9,3 milhões de metros cúbicos de gelo e rocha, neste caso, e os investigadores identificaram cerca de 700 pequenos sinais nas semanas anteriores, o que permitiu, desta vez, acompanhar a instabilidade e retirar os habitantes desta aldeia e, portanto, não houve mortos. E um estudo publicado neste fim de semana, no domingo à noite, veio explicar estes detalhes todos e classificar o acontecimento em Platan como um processo que começou com a queda das rochas e acabou numa avalanche de gelo e rocha. Há aqui muita coisa parecida com o que aconteceu agora no Nepal e podemos explicar aqui de forma simples o que é cada um destes processos. Há uma queda de rochas, que há muitas vezes, pode ser em menor ou em maior escala, e que é uma queda de pedras ou blocos que se soltam e caem simplesmente. Depois há o deslizamento, que é uma parte da encosta que escorrega pela montanha. Há uma avalanche, neste caso é gelo, rocha ou neve, que desce muito depressa como uma torrente. E há um fluxo de detritos, que é este gelo, rocha ou neve, que desce muito depressa e a esta mistura junta-se água, lama, pedras e passa a comportar-se como um rio de cimento. Isso foi o que aconteceu no Nepal. Portanto, estamos perante uma avalanche nos Alpes e perante um fluxo de detritos no Nepal. A diferença foi que se misturou ali a água porque ela chegou aos rios e os rios transportaram aquela água.
Ou seja, um ano depois, agora no Nepal, aconteceu exatamente o mesmo.
Aconteceu algo de semelhante, diríamos assim, porque nos Alpes foi avalanche, não chegou a aparecer água. Agora apareceu água e as consequências foram muito mais esqueças. A massa de gelo e rocha desceu a montanha, entrou nos rios, misturou-se com a água dos rios, dos lagos, com lama e com pedras, transformou-se num fluxo de detritos e percorreu aqueles quase 100 km a uma velocidade de quase 200 km/h. A ideia principal é esta: um desastre numa montanha pode mudar à medida que desce e pode começar com pedras a cair, transformar-se numa avalanche ou acabar numa cheia de lamas e detritos. É uma sequência de fenômenos provocados pelo colapso de uma encosta e pelo movimento do gelo, da rocha e de água.
Filomena, vamos passar e terminar com a nossa curiosidade. Três furacões no Pacífico e nenhum no Atlântico. É estranho?
É, e bastante. Até ontem, segunda-feira, o Pacífico teve três furacões ao mesmo tempo, o Lowell, o Karina e o Marie. O Lowell chegou mesmo à categoria cinco e ainda ameaça o Havaí, o Karina chegou à categoria quatro, o Marie era o mais fraquinho e as imagens eram, aliás, impressionantes. Eles, entretanto, começaram a ficar mais fraquitos, sobretudo o Karina e o Marie, e são depressões, neste momento, tropicais e extratropicais, mas durante algumas horas os três sistemas estavam classificados como furacões. As imagens de satélite mostravam três por si, em toda aquela parte do Havaí e depois da América, iam ficar absolutamente inundadas. No Atlântico, a situação é completamente diferente. Até agora, este ano de 2026, houve cinco tempestades tropicais, nenhuma chegou à força de furacão. Eu não consegui confirmar, mas parece-me inédito. Estamos a passar o pico da temporada dos furacões. Uma das razões para isto estar a acontecer é fácil de perceber: é o El Niño. O fenômeno favorece a formação de furacões no Pacífico, mas aumenta os ventos muito fortes em altitude sobre o Atlântico e estes ventos cortam e desorganizam as tempestades antes de elas ganharem força e, portanto, não deixam formar furacões. E o resultado é este, muito invulgar, que há muita atividade no Pacífico e não há furacões no Atlântico, precisamente numa altura em que a época de furacões costuma estar no seu ponto mais ativo, no auge, e que há furacões que até podiam, e ainda podem, porque ainda vamos chegar a outubro, subir por aí acima e vir aqui até nós. Vamos ver o que é que acontece.
Pode ser que este vento nos salve. Nunca pensei dizer isto, que quero que o vento venha, mas pronto, neste caso é bom. Filomena Martins com mais um "Quente e Frio".