Um ano após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk — alvejado enquanto discursava num evento na Universidade do Vale de Utah (UVU), nos EUA —, a sua família apresentou um documento onde acusa os responsáveis desta instituição de morte por negligência, sugerindo que possa vir a avançar para um processo civil.

Datado de 9 de setembro, o documento foi entregue um dia antes do primeiro aniversário deste ato, quando Charlie Kirk foi morto após ser atingido no pescoço por um disparo de sniper realizado a mais de 100 metros de distância.

Citados esta quarta-feira pela Associated Press, os advogados da família Kirk afirmam que o ativista morreu devido a um rol de “decisões imprudentes” por parte dos responsáveis da UVU, deixando-o exposto a um atentado desta natureza.

“O risco de um atirador num telhado deveria ter sido uma preocupação prioritária, tendo em conta a tentativa de assassinato do Presidente Trump — amigo íntimo e aliado político de Charlie Kirk — por um atirador num telhado no ano anterior”, escreveu o advogado D. Loren Washburn na notificação dirigida às autoridades estatais e universitárias. Washburn referiu-se assim ao atentado de 13 de julho de 2024, quando Donald Trump foi alvejado enquanto discursava num comício em Butler, na Pensilvânia, na campanha para as presidenciais de 2024, sofrendo um ferimento de raspão na orelha esquerda.

Além disso, esta nota acusa também os responsáveis do evento de não terem conduzido uma avaliação de risco adequada antes da sua aprovação nem terem criado um perímetro de segurança. Outra das falhas graves apontadas foi o facto de não haver equipas de primeiros socorros imediatamente disponíveis no local. O ativista teve de ser levado para um hospital próximo num veículo particular, em vez de numa ambulância.

“Tragicamente, os organizadores da UVU não tomaram nenhuma destas medidas de segurança — medidas que só eles tinham autoridade para tomar —, o que resultou numa situação que deixou o Sr. Kirk indefeso perante o seu assassino”, escreveu Washburn.

Numa avaliação independente, a Associated Press concluiu também que ocorreram outras falhas de segurança significativas, entre elas não ter sido utilizado um drone para monitorizar os telhados nem ter havido coordenação com as forças de polícia locais para a segurança do evento. Além disso, afirma a AP, não só o próprio efetivo da polícia do campus estava muito abaixo dos níveis recomendados para uma instituição de ensino da dimensão da Universidade do Vale de Utah, como não foram feitas revistas às malas nem foram utilizados detetores de metais num evento que contou com cerca de 3000 pessoas.

Com a apresentação desta nota de acusação de morte por negligência, a família de Charlie Kirk pode assim apresentar uma reclamação formal ou intentar uma ação judicial. No documento, refere a AP, são citadas tanto a UVU quanto a sua reitora à época, Astrid Tuminez. O departamento de polícia do campus e o seu chefe, Jeffrey Long, também são responsabilizados, assim como o Estado do Utah. A lei deste estado permite que herdeiros ou representantes legais de pessoas falecidas intentem ações judiciais para reclamar uma indemnização caso se prove que a morte tenha sido causada por um ato ilícito ou por negligência.

No que toca aos procedimentos do caso do assassinato em si, o principal suspeito de matar Charlie Kirk, Tyler Robinson, de 23 anos, é acusado de homicídio agravado pelo risco que o atentado teve para a vida de outras pessoas no local. Por esse motivo, de acordo com a lei do Utah, Robinson enfrenta uma possível pena de morte.

No decurso das audiências preliminares de julho, os procuradores apresentaram o que caracterizaram como provas esmagadoras contra Robinson, onde se incluem imagens de videovigilância do suspeito no campus, testes de ADN que o ligam a uma espingarda encontrada perto do local do assassinato e um bilhete manuscrito que alegadamente deixou à sua companheira, no qual se lia “tive a oportunidade de eliminar o Charlie Kirk e aproveitei-a”.

A acusação sustenta que Robinson cometeu este assassinato com motivações políticas, já que tinha uma namorada transgénero e Charlie Kirk tinha posições muito críticas quanto aos direitos LGBTQ+. Os procuradores afirmam que ele disse à sua companheira que “já estava farto do ódio dele”, referindo-se ao ativista.

Depois das várias audiências preliminares decorridas em julho, foi decidido a 1 de setembro que o processo avançasse para julgamento. Na próxima audiência, marcada para 23 de outubro, será marcada a data para o início formal do julgamento.