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Filomena Martins, a nossa especialista no tempo quente e frio. Mais uma edição e a última edição desta semana. Filomena, conta-nos tudo o que nos trazes nestes dias, neste fim de semana, que está mesmo a começar. Agosto é já amanhã, muita gente vai de férias, precisamos saber tudo.
Vamos ficar a saber, porque agosto, Rita, vai começar com calor e, portanto, fiquem descansados sobre o fim de semana, sobretudo se forem para o Algarve. Já falámos disto aqui ontem. O Algarve vai estar quentinho, mas agora trago uma surpresa agradável para alguns, desagradável para outros, porque é uma surpresa que vai chegar na segunda-feira: pode chover em boa parte do norte e centro, também no Vale do Tejo e até em Lisboa, Setúbal e Évora. Chuva.
Quem diria?
E há outra surpresa, que é esta chuva vem com 27, 28, 29 e até 30 graus.
Até sabe bem, no fundo.
É uma chuva molhada.
Sim.
A previsão mais recente do IPMA dá para segunda-feira 94% de probabilidades de chuva em Braga, 86% em Viana do Castelo, 84% no Porto e em Coimbra, 80% em Leiria e 76% em Aveiro e em Lisboa. E depois há previsão de chuva ainda para Santarém, Viseu, Vila Real, Guarda, Castelo Branco e até em Setúbal, que é de 45%. Só que é preciso atenção, porque esta probabilidade de precipitação não significa que vá chover durante todo o dia, nem sequer que chova necessariamente em cada uma destas cidades, nem que seja uma daquelas chuvadas tremendas. Pode chover. E outra coisa, com a chuva, como eu estava a dizer, não vai chegar propriamente o frio, porque na segunda-feira, por exemplo, Santarém e Leiria podem chegar aos 29, Coimbra aos 28, Braga e Lisboa aos 27, apesar desses chuviscos. E mais para sul, nem sinais de chuva, continua o calor. E também outra coisa, parece ser uma mudança, uma chuva curta, porque na terça-feira ainda pode chover, sobretudo no norte e centro, mas depois a precipitação vai embora e as temperaturas voltam a subir.
E antes disso, é um fim de semana bem quente.
É, este sábado é o pico deste calor que temos tido nestes dias. Castelo Branco e Évora podem chegar aos 38, Beja 37, Faro aos 36 e no Algarve, o distrito de Faro, como eu tinha dito, está sob aviso amarelo por tempo quente até às 21h de domingo. E há locais até mais quentes do que a capital do distrito, Alcôbaça pode chegar aos 41, Tavira aos 39. E também atenção às noites. Faro e Olhão, a mínima de sábado pode ficar nos 24, Tavira e Vila Real de Santo António nos 23. São as tais noites tropicais sem grande alívio do calor e só no domingo é que vai começar a descida, porque o ar mais quente vai-se embora para leste e os termômetros vão descer, preparando então a mudança de segunda-feira. Portanto, o início de agosto faz uma pequena montanha-russa, 41 graus no sábado, descida no domingo, chuva possível na segunda e na terça, ainda com calor, e depois o verão volta rapidamente a impor-se.
Muito calor e possibilidade de chuva na segunda-feira, mas como é que pode chover com quase 30 graus, Filomena?
Isto à primeira vista parece estranho, porque Coimbra, de facto, por exemplo, pode chegar aos 28 graus na segunda-feira e ter 84% de probabilidade de chuva. E Leiria está com 29 graus e 80% de possibilidade de chuva. Mas a chuva não é sinônimo de frio, nunca foi. Para chover, não precisamos ter uma massa de ar fria junto ao solo. Precisamos apenas de umidade e de condições que façam o ar subir. A aproximação de uma depressão atlântica, que está aqui a chegar, vem dos Açores, onde deixou chuva também, altera a circulação atmosférica e favorece a entrada de ar úmido, apenas isso. E quando esse ar sobe, expande-se, arrefece lá em cima e o vapor d'água depois condensa-se, formam-se as nuvens e pode chover. Só que junto ao solo não há nada que impeça que fique em 27, 28 ou 29 graus. E há ainda outra explicação. Quando dizemos que Coimbra terá 28 graus e chuva, não significa que esteja a chover precisamente quando estiverem os 28 graus. A máxima é o valor mais elevado de todo o dia. Pode chover de manhã e depois ficar sol à tarde, por exemplo. Não há problema nenhum com isso.
E é uma boa altura para meter as plantas na rua.
É, ficam sempre mais encharcadas e regadas.
Isto leva-nos a outra pergunta, que é: será que estamos a tropicalizar-nos?
Aquela chuva quente daqueles lados dos trópicos.
Chuva e calor.
Não, não por causa deste episódio. A chuva com temperaturas elevadas não é nenhum fenômeno novo, nem vai transformar Portugal num país tropical, ainda. Mas como pano de fundo, podemos dizer que o fundo climático está a mudar. Temos mais episódios de calor, mais noites tropicais e o mar está muito mais quente. E uma atmosfera assim mais quente consegue conter mais vapor de água. As contas estão feitas, é aproximadamente mais 7% por cada grau Celsius de aquecimento, desde que exista umidade disponível para isso acontecer. Não significa que Portugal passe simplesmente a ter mais chuva. Podemos ter períodos secos mais prolongados e, ao mesmo tempo, condições para episódios de chuva mais intensa, quando existe umidade, e um mecanismo capaz de fazer o ar subir. Portanto, pode chover com quase 30 graus e isso é perfeitamente normal. O que está a mudar é o clima em que essa chuva acontece.
E as praias do norte e centro agradecem este aumento da temperatura, porque finalmente o mar estava a 20 graus, o que também depois potencia algumas doenças que se podem propagar com mais facilidade. Mas terminamos agora com a Lua. Terminamos na Lua, Filomena, conta-nos tudo.
Sim, porque na próxima quarta-feira é outra vez data de pôr os olhos na Lua, 5 de agosto, porque é uma daquelas Daquelas amostras, daqueles protótipos de um Falcon 9, vai atingir a superfície lunar, vai cair na Lua. Ficou no espaço depois do lançamento das missões Blue Ghost One, porque acho que houve mais que um Blue Ghost, e Resilience, em janeiro do ano passado, em janeiro de 2025, e os cálculos apontam para que o impacto aconteça cedinho, por volta das 06h35, isto é pro pessoal da manhã da rádio, e aconteça na cratera Weinstein, que é das mais conhecidas, junto ao limbo lunar.
O nosso repórter lunar estará lá a dar conta de tudo.
O objeto tem perto de quatro toneladas e deverá atingir a Lua a 2,43 km/s. Isto traduzido, dá uma velocidade de cerca de 8750 km/h. Vai devagarinho. Não é a multar.
E pode causar estrago na Lua?
Fazer uma cratera, outra vez. Esta é Weinstein, para a outra podemos dar nome.
É que andamos a atirar coisas para o espaço e elas eventualmente vão cair.
É, a que lhe chamam-se gravidade. Mas desta vez sabemos antecipadamente e aproximadamente onde e quando vai acontecer. Portanto, os cientistas podem tentar observar o clarão do impacto e a poeira lançada da superfície e usar a colisão para estudar o comportamento do material lunar. Portanto, quarta-feira de manhãzinha, olhos postos na Lua, porque desta vez sabemos antecipadamente que alguma coisa vai lá cair. O problema é que nós podemos estar a olhar que não vamos ver nada, precisávamos de ter um telescópio daqueles gigantes.
Haverá alguém que irá sacar imagens disso, esperamos nós.
Esperamos nós.
E cuidado a atirar coisas para o espaço, porque elas eventualmente podem cair. Até carros já enviaram para o espaço, quando é que cairá esse Tesla?
Não sei, mas se vier intacto, pode cair lá no quintal de casa.
Pois é. E é assim que fechamos mais uma edição de Quente e Frio com Filomena Martins. Está de regresso segunda-feira. Bom fim de semana, Filomena.
Bom fim de semana.