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Relatório de jogo da Rádio Observador. Hoje para nos entregar o relatório temos o nosso comentador, o Augusto Inácio. Augusto, bem-vindo.

Muito obrigado.

Vamos ter este Alverca-Sporting. Jornada 27 terminou com triunfo por quatro bolas a uma da equipa dos Leões, a equipa de Rui Borges. Entrando aqui na questão da primeira parte, Augusto, acho que além do gol que marca a diferença nesse primeiro tempo, o gol do Pote aos 22 minutos, há sobretudo aquela lesão do Nuno Santos, que acontece sensivelmente por volta do minuto 27, que também marca esta primeira parte.

Sim, é uma história um pouco complexa para o Sporting, porque o Sporting até ao gol estava a dominar o jogo. Dominou como quis. O Alverca tentou aqui ou acolá, através de contragolpes, surpreender a defesa do Sporting. Pouco ou nada incomodou Rui Silva. E o Sporting, aos poucos e poucos, foi empurrando a organização defensiva do Alverca para trás, ou seja, junto à sua área, quando o Alverca as suas intenções era reduzir mais o campo, mas pressionando um pouquinho mais na frente, com os setores todos juntos, uns aos outros. Quando apareceu o gol, num lance bem gizado pelo próprio Nuno Santos, que deu ao Pote, o Pote colocou a bola em profundidade no Morita, que fez o cruzamento, o jogador do Alverca, o defesa, praticamente deu um passe, uma assistência pro Pote, que como sabe que não remata à baliza, ele faz passes à baliza e fez um grande gol e o Sporting ficou a ganhar por um a zero. Por isso é que eu digo que é um bocado complexo. Quando se esperava que o Sporting ficasse confortável e continuasse para cima, não, o Sporting baixou os ritmos. O Sporting começou, entre aspas, a perder bolas daquelas impensáveis de perder, ao ponto do Alverca poder acreditar e Sander Lima teve uma grande oportunidade de fazer um a um, num remate de cabeça que a bola passou rente ao poste. Ou seja, o Sporting criou problemas a si próprio, não foi o Alverca que se galvanizou à procura do gol. Não, o Sporting praticamente deixou de jogar aquilo que estava a jogar e por isso houve essas oportunidades, mas de qualquer maneira, mérito sempre ao Alverca, que acreditou. Na segunda parte, era aquela coisa de dizer: que Sporting é que vamos ter? O Sporting teve um jogo com o Bodø/Glimt, o Sporting teve 120 minutos, o Sporting fez uma grande exibição, o Sporting passa às quartas de final. Se aquilo podia dar alguns efeitos físicos no Sporting, mas não era no início da segunda parte que isso se podia sentir. Podia-se sentir nos últimos 20 minutos do jogo, desde que o resultado ficasse ali ainda intermitente, ou seja, com uma vantagem só de um gol. O que é certo é que o Sporting entrou muito forte. Houve aquela possibilidade de pênalti que acabou por não ser, e na minha opinião, acho que não foi pênalti, mas depois o Suárez, com raiva ou sem raiva, faz um daqueles gols que eu não digo que é a ponta de lança, é de um jogador que acredita muito naquilo que faz e faz o segundo gol.

Uma individualidade a fazer a diferença.

A partir daí, notou-se que o Alverca animicamente caiu e o Sporting começou a jogar, entre aspas, quais a passe. A bola passar pelos jogadores do Sporting e depois quando havia uma situação em que podiam fazer um contra um, faziam essa tentativa e essa diferença, ao ponto do Sporting de ter marcado o terceiro, andou à procura, até conseguiu. E conseguiu marcar o terceiro gol.

Mais um grande gol.

E mais um grande gol. Pelo Geny Catamo, toda gente sabe que é com o pé esquerdo que ele faz os grandes gols, raramente é com o pé direito, que fez um contra o Benfica, isso é uma verdade, mas normalmente é com o pé esquerdo, e o que é certo é que o Catamo faz muitas vezes aquilo. Toda gente sabe que ele vai fazer aquilo, mas o que é certo é que ninguém o consegue travar. E faz o três a zero. E o Sporting, penso eu que naquela altura, e todos nós estávamos aqui a ver o jogo, o jogo está resolvido. É verdade que o Alverca fez o gol ainda pelo Maresi, que é um bom ponta de lança. É um grande gol também, atenção. No meio de três defesas do Sporting, faz um grande gol. E o que é certo é que logo a seguir ao livre, e depois do livre, o Pote faz o 4 x 1. O jogo já estava praticamente entregue, 4 x 1 ainda mais. E depois aparece aquilo que não se quer que apareça, mas que apareceu, são as lesões.

Pois.

As lesões, na primeira parte, é verdade que o Nuno Santos se lesionou e foi precoce aquela lesão. Isso pode acontecer num jogador que esteve muito tempo inativo.

Na coxa.

Mas a do Pote, o Trincão também se queixou, o Geny Catamo também se queixou. Enfim, houve ali uns alarmes em que o alarme maior acabou por ser o Pote, porque o Sporting fica com 10, já não podia fazer mais alterações. E o Pote quando se queixa, normalmente é porque está lesionado.

Há ali alguma coisa.

Vamos ver o que é que aquilo tem, mas parece-me a mim, vendo de fora, se o Sporting só tem neste momento um ponta de lança, que é o Suárez. Se o Sporting precisa muito do Pote, que vem de mão longa para a gente também, e aos poucos está a ganhar ritmo competitivo. Eu penso que a gestão desses jogadores devia ter sido mais eficaz. O Suárez devia ter saído mais cedo quando o resultado já estava em 3 a 0. O Pote também devia ter saído mais cedo, porque o histórico dele é que muitas vezes isto acontece com ele. O que é certo é que esses jogadores não foram protegidos e o Pote, agora vamos ver, porque os jogos do Sporting esta temporada não acabou hoje. O Sporting ainda tem muito mais jogos e muito mais jogos importantes.

O calendário vai ser muito complicado.

Gastar assim os jogadores desta maneira, pode o Sporting no futuro ficar realmente muito prejudicado com isso.

É, em termos de calendário, o Sporting vai ter ali aquela fase, não agora, agora a Santa Clara, depois Arsenal e Estrela, mas depois sim, volta a ver Arsenal em Londres, o Benfica em Alvalade e o Futebol Clube do Porto no Dragão. São três jogos decisivos para o Leão, não só em termos de campeonato, Liga dos Campeões e da própria Taça de Portugal. A ver vamos como é que o Sporting fisicamente irá chegar a esses três jogos. Em relação ao Alverca, e até para também começarmos aqui a fechar o relatório de jogo, Augusto, a equipa do Custódio pareceu ter muitas dificuldades em encontrar uma identidade ao longo dos 90 minutos. É verdade, como tu disseste, melhor ali no pós Nuno Santos, mas foi uma equipa que pareceu nunca conseguir chegar a ameaçar realmente o Sporting.

Isso é verdade. Mas não é só o Alverca, são quase todas as equipas deste nível que normalmente não conseguem desenvolver o seu jogo Isso é fruto também do trabalho de equipe do Sporting. Os jogadores estão bem colocados no terreno, os setores também estão muito interligados. Eu diria que muitas vezes a culpa não é dessas equipes, a culpa é do Sporting, neste caso estamos a falar do Sporting, que o Sporting não deixa que desenvolva o seu jogo. De qualquer das maneiras, esperava muito mais coisas a nível individual do Alverca. Esperava muito mais o Chiquinho, que é um jogador agitador, que é um jogador que marca a diferença. Não vi nada disso. O outro avançado que o Alverca tem.

O Sandro Lima?

Não, o Sandro Lima, não. Isso é o ponta de lança.

Ah, o Isaac James.

Isaac James. Não, o Figueiredo.

O Figueiredo? Ok.

O Figueiredo é aquele jogador que eu não conhecia bem e fiquei com uma excelente impressão dele. Sem medo, atrevido, com uma boa técnica e é um jogador a rever. Mas lá está a tal coisa, o Sandro Lima joga bem de costas, segura bem a bola, mas tinha ali o Gonçalo Inácio ou o Quaresma em cima dele, não o deixavam realmente ele poder fazer a diferença. Diria que o Alverca cria um estímulo do jogo. O estímulo do jogo era quando estava 1 x 0, pudesse fazer 1 x 1. Teve aquela oportunidade do Sandro Lima de fazer 1 x 1, não fez, e as coisas ficaram ali. Mas enquanto está 1 x 0, as coisas ainda estão no ar. Quando sofres o segundo gol e o 3 x 0, aí as equipes caem animicamente. Mas como equipe, eu esperava que o Alverca tivesse um desenvolvimento e criasse mais problemas ao Sporting, porque tem jogadores nas faixas que podiam marcar essa diferença e não conseguiram fazer isso. Mérito dos jogadores do Sporting, mas também algum mérito do Alverca.

Ora bem, para fechar, o melhor e o pior, vamos começar pelo negativo. O que foi o pior do jogo para ti, Augusto?

O pior do jogo acaba sempre sendo as lesões. A lesão do Nuno Santos, a lesão possível do Pedro Gonçalves, que eu não sei se é, e também a gestão. Eu não gosto muito de falar de treinadores, mas eu sou comentador e eu aqui não sou treinador, sou comentador. Acho que a gestão devia ser mais bem feita em relação ao Pote e ao Suárez do que foi feita.

O Rui Barros, sim.

Sim.

Sim. Em relação ao mais, o que foi o melhor desta partida?

Foi realmente a forma como o Sporting soube, até ao primeiro gol, encarar o jogo e no início da segunda parte, desculpem a expressão, os calos apertados. Sentiu que o Alverca estava a crescer no jogo quando acabou a primeira parte, então quis tirar essa confiança do Alverca e entrou forte na segunda parte e marcou a diferença. De realçar o grande gol do Luís Suárez, de realçar o grande gol do Gianni Catano e quando são grandes gols, já vale a pena ir ver esse jogo.

Magia colombiana e magia moçambicana neste Alverca 1 x 4, Sporting 4, o relatório de jogo entregue por Augusto Inácio. Augusto, obrigado.

Um abraço.