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E ainda com o som do Estádio da Luz, que temos conosco Mário Cajica, comentador de desporto aqui da Rádio Observador. Mário, muito boa noite. O Benfica leva os três pontos nesta vitória por 1 x 0 frente ao Famalicão. É uma vitória merecida, mas escassa do Benfica ou o Famalicão também fez por não deixar este resultado alargar-se muito para além disso?
É por aí. Eu acho que é uma vitória justa do Benfica pelos números certos. Ou seja, o Benfica não fez mais do que controlar um jogo. Não teve muitas situações de calafrios no seu momento defensivo, a verdade é essa. Eu creio que aquela fase final do jogo em que se sentiu aqui alguma intranquilidade, até vinha mais das bancadas, porque dentro de campo o Benfica não estava a tremer. Acho que aí existiam alguns fantasmas do passado que, de certa forma, iam tentando aparecer na cabeça de alguns adeptos, mas dentro de campo não se sentiu isso. O Benfica teve uma exibição sólida defensivamente. É factual, o Benfica tem de melhorar em alguns momentos, principalmente no momento do ataque mais organizado, em que a equipa tenta explorar alguns espaços que possam surgir quando tem a defensiva do Famalicão, neste caso, devidamente organizada. Mas a verdade é que também do outro lado estava uma equipa muito competente nesse aspecto, que defendeu bem, que se ajustou nos momentos sem bola ao jogo, que procurou não se expor e que procurou jogar futebol quando tinha a bola. Portanto, nota também para este bom Famalicão, uma equipa muito bem trabalhada pelo Hugo Oliveira, uma equipa que joga bom futebol. E o Benfica, como dizia, eu não sei se a expressão serviços mínimos se aplica, mas foi um Benfica que não quis ir muito para além disso. Chegou ao gol de forma natural na primeira parte, no melhor momento em que o Benfica atravessava na partida. E depois dá a ideia de que neste segundo tempo, apesar de alguns momentos de alguma intranquilidade, mas poucos, o Benfica limitou-se a gerir as alterações que o José Mourinho depois também acabou por fazer. Não a forçada do António Silva, mas as restantes do Ivanović e do Rego primeiro, para dar ali um bocadinho de velocidade e de saída quando o Benfica começou a baixar em demasia o bloco e estava ali já a ser um bocadinho cercado por alguns jogadores do Famalicão. O Rego e o Ivanović deram esse poder que a equipa precisava. E o Manu, naquela fase já final da partida, foi ali um bocadinho para estabilizar a equipa, dar alguma dimensão por dentro e creio que é como te dizia, a vitória é ajustada para o Benfica. Os números, neste caso 1 x 0, também me parece que é ajustado para aquilo que foi a diferença entre as duas equipas hoje.
Falavas aí das substituições de José Mourinho, parecem responder às do Famalicão. Arriscou muito o Hugo Oliveira nas substituições que fez, porque elas não resultaram num caudal ofensivo maior a partir desse momento por parte do Famalicão.
Sim, o Hugo Oliveira claramente que percebeu, eu creio que leu mais do que dentro de campo, leu o que estava a acontecer à volta. Começou a perceber que o 1 x 0 era aquela vantagem magra, era aquela vantagem que, de um momento para o outro e com alguma tremideira nas bancadas, que podia também afetar um bocadinho a equipa e começou a perceber que era o momento para colocar mais jogadores na frente, que era o momento para pressionar mais alto a equipa do Benfica. Aliás, eu creio que com a alteração forçada, neste caso, do António Silva pro Tomás Araújo, sentiu-se um bocadinho isso. Os jogadores do Famalicão começaram a pressionar um bocadinho mais alto. Lá está, porque o Benfica tinha perdido até o Tomás, que estava a ser um dos melhores em campo e o António tinha entrado praticamente a frio. E então a equipa também sabe ler esses momentos de maior fragilidade. E quando começa a retirar de campo o Rafa Soares, baixa o Gil Dias para lateral, tem o Juju, tem o Adizor, mantém o Sabir o jogo todo, o Gustavo Sá já a baixar ali para uma posição de duplo médio, mas sabendo bem que é um jogador com muita propensão para subir no jogo, em subir no terreno, neste caso. Creio que todas essas alterações foram com esse intuito, de fazer a equipa crescer, tentar causar esse sofrimento no Benfica. Agora, sendo claro, não creio que o Benfica tenha estado em grandes apuros. O resultado é magro. Os últimos jogos na Luz no campeonato não têm sido propriamente muito positivos nesse aspecto para a equipa do Benfica, mas dentro de campo parece-me que a equipa respondeu com a mesma capacidade dos últimos encontros, diria desde o jogo do Atlético. A solidez defensiva, a equipa ser compacta a defender, ser compacta a atacar também. Em todos os momentos, a equipa está mais unida e eu creio que por aí também se fez um bocadinho o triunfo do Benfica.
O Prestianni acaba por levar o prêmio de homem do jogo. Está bem atribuído, na tua opinião, Mário Cajica?
O Prestianni teve rasgos. Eu creio que a dupla de centrais, principalmente, já que o Tomás Araújo sai mais cedo do jogo, mas o Otamendi faz um belo jogo hoje na Luz. Diria que o Otamendi, o Dalot também muito seguro em todos os momentos. Está um jogador diferente, um dos melhores nesta fase, muito sólido a defender, a ajudar a equipa do ponto de vista ofensivo. Eu percebo a questão do Prestianni, de fato, porque é um jogador que agita e que tem ali alguns momentos mais de requinte técnico, digamos assim, mas eu neste jogo, se calhar, até teria dado ao Otamendi, que foi, diria, o rosto da solidez defensiva que o Benfica apresentou nesta partida.
É o teu sinal mais neste jogo, o Otamendi? Ou há outro destaque pela positiva que queiras fazer?
Vou colocar o Otamendi. O Dalot, como já tinha referido, parece que também faz um bom jogo. Não creio que tenha sido o melhor em campo, mas do Benfica por aí. Do lado do Famalicão, eu queria também destacar não só o que já tínhamos feito referência. De facto, é uma equipa que joga bom futebol, uma equipa defensivamente organizada e com bola, sabe sempre o que fazer. Portanto, esses momentos são também de enaltecer nesta formação de Hugo Oliveira, que na minha opinião é uma das equipas que melhor joga no futebol português. Se tiver de destacar, eu diria que a exibição dos dois centrais, do Rialp e do De Asté, foram duas exibições muito sólidas. E depois, o Deloy em alguns momentos acabou por ser, se calhar, o jogador mais estável dos três médios. O Gustavo Sá hoje cometeu alguns erros que não são muito habituais no seu jogo. Matias de Mourin, muito intenso, mas se calhar já no limiar da falta, digamos assim. Portanto, vou ao Deloy apenas por isso, mas no topo, para mim, hoje, o Nicolás Otamendi.
Algum aspeto menos nesta partida que queiras deixar, Mário?
Olhando para os dois lados, do lado do Benfica, o Sudakov muito bem, mas na fase final já a deixar-se cair um pouquinho.
Fisicamente, talvez.
Sim, eu acho que é por aí. Volto a não ficar totalmente convencido com a exibição do Enzo, não tendo sido uma má exibição, mas em alguns momentos a complicar um bocadinho. Do lado do Famalicão, diria que hoje o Gustavo Sá esteve um bocadinho longe daquilo que pode dar, alguns erros, e se calhar vai ser por aí as notas, mas não são notas muito negativas, porque de facto não houve um elemento muito abaixo das expectativas. São apenas jogadores de quem se esperava um bocadinho mais e que hoje não estiveram tão bem.
Muito bem, Mário Cajica. Está feito este relatório de jogo do Benfica 1, Famalicão 0. Mário, até uma próxima emissão especial de desporto na Rádio Observador. E já agora, bom Natal. Um abraço.
Obrigado. Bom Natal a todos.