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O Presidente da República está a receber, esta manhã, os partidos com assento parlamentar, numa altura em que os protestos pela habitação continuam. O tema em cima da mesa é a coesão social.

As audiências começaram às 08h30 com o JPP. Terminam à hora de almoço, com o PSD a ser recebido, quando for 13h30. Vamos já em directo até ao Palácio de Belém, ao encontro do repórter Vasco Maldonado Correia. Bom dia, Vasco. O presidente quer discutir a coesão social, mas o tema de fundo é a habitação. A audiência com o JPP já terminou?

Não só já terminou, Carla, como já arrancou, entretanto, a reunião com a delegação do PAN, a segunda de 10 reuniões ao longo desta manhã e início de tarde muito ocupada no Palácio de Belém. Entrou agora mesmo, há poucos minutos, a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real. A agenda da Presidência da República indica que estes encontros vão até depois das 14h. Isto tudo pode atrasar, claro, mas são encontros de meia hora com cada partido, sabendo que os últimos três, PS, Chega e PSD, vão ter 45 minutos cada. Vão ouvir ao longo desta manhã e início de tarde, como dizia, as preocupações do chefe de Estado sobre a crise na habitação, que tem ficado bem patente, especialmente esta semana. António José Seguro já veio voltar a pedir um entendimento entre todos os partidos, até de forma já bastante impaciente e, por isso, também já tem promovido mais do que uma iniciativa para forçar esses entendimentos. Ontem, também aqui no Palácio de Belém, António José Seguro esteve reunido com associações de inquilinos e proprietários, com autarcas, também com representantes do setor da construção civil e associações de habitação pública e na próxima semana vai reunir o Conselho de Estado. E daqui fica uma coisa certa: António José Seguro quer mesmo que destas iniciativas em Belém haja, no mínimo, um pontapé de saída para que esses entendimentos sejam possíveis.

A ver vamos o que sai de concreto para já o início ainda desta ronda de audiências acompanhadas pelo Vasco Maldonado Correia. Está no Palácio de Belém, numa altura em que está a ser recebido o PAN, também sobre o tema da coesão social. António José Seguro convocou um Conselho de Estado para a próxima segunda-feira.

E vamos falar deste tema já a seguir no Explicador, com Francisco Assis, do PS, e André Coelho Lima, do PSD. O tema da habitação continua a dominar a atualidade. O líder parlamentar do PSD reforça que a nova lei das rendas deve ajudar a resolver a crise em Portugal, mas avisa que precisa de tempo para fazer efeito.

Hugo Soares repete uma ideia que tem sido também afirmada pelos ministros da Habitação e das Finanças. Em entrevista à RTP, o líder parlamentar social-democrata garante que o Governo está disponível para negociar esta lei com a oposição, na especialidade.

É mentira, porque ele não quis negociar antes da aprovação da lei, para poder ser discutida na especialidade. Honra seja feita, contou os seus defeitos, e são muitos. Se quiser falar sobre isso, falaremos. Mas o único partido que esteve disponível para discutir foi o Chega, e por isso é que viabilizou na generalidade para poder discutir na especialidade. Se o Partido Socialista quiser, ainda hoje, discutir na especialidade a lei, claro que nós estamos disponíveis, como sempre estivemos. Ora, é mentira! O Partido Socialista não quis mudar a lei do arrendamento urbano. Achou que como estava, estava bem.

Hugo Soares, ontem à noite na RTP, que volta também a responsabilizar o PS pela atual crise na habitação e defende a polícia nas intervenções que tem tido nas últimas semanas.

O secretário-geral do PS critica a postura de PSD e CDS no Parlamento. José Luís Carneiro denuncia que destrataram e desconsideraram o Partido Socialista no debate de ontem à tarde.

O líder dos socialistas fala em ataques incompreensíveis e pede que Luís Montenegro se defina.

O PS tem um primeiro dever, que é o dever com o país, com as portuguesas e com os portugueses que já vivem momentos muito difíceis nas suas vidas e que exigem responsabilidade, grande sentido de responsabilidade. Naturalmente que nós tivemos ataques políticos incompreensíveis, vindos de responsáveis e de pessoas muito próximas do primeiro-ministro. E o primeiro-ministro tem que definir também um perfil na forma como trata e como se relaciona com o PS. Não pode destratar um partido que mostra esta atitude de responsabilidade para com o país e também para com o governo que, como se vê, está cada vez mais fragilizado.

Declarações de José Luís Carneiro ontem à noite, à entrada para uma sessão com militantes socialistas em Loures.

E Carla, hoje há um protesto dos sindicatos da PSP e das associações da GNR. Vão marchar desde o Largo do Carmo, em Lisboa, até a residência do primeiro-ministro.

É o culminar de uma série de protestos que têm decorrido ao longo das últimas semanas e que têm juntado os sindicatos da PSP e as associações da GNR. Os agentes e militares reivindicam aumentos salariais, uma revisão das carreiras e melhores condições de trabalho. Para o presidente da ASP, caso não haja evolução nas negociações, esta não vai ser a última etapa na luta por melhores condições na profissão.

Se o governo não nos garantir que efetivamente, já em janeiro do próximo ano, exista aqui alguma evolução e vamos ter já uma próxima reunião marcada para o Ministério das Finanças e temos essa também marcada para o Ministério da Administração Interna em novembro. Caso não haja essa evolução que nós pretendemos e caso o governo não abra disponibilidade nesta negociação, iremos projetar novas lutas. Isso não há qualquer dúvida. Não teremos ainda bem a noção daquilo que vamos fazer, mas iremos continuar este caminho de luta até que o governo Perceba da necessidade de alterar o paradigma.

Paulo Santos, o presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia, fala ainda dos recentes protestos pela crise na habitação. Admite que estão solidários com a causa, uma vez que há também polícias a sofrer com a crise.

Nós percebemos bem o que se está a passar, mas distinguimos aquilo que é a PSP, Polícia de Segurança Pública, as suas intervenções, a sua missão e as suas operações, e o que é a ASP, Sindicato de Polícia, que representa profissionais que também estão com problemas socioprofissionais e muitos deles também com problemas de habitação. Por isso estamos solidários com esta luta e estamos atentos àquilo que é a nossa luta, ao nosso protesto, e estamos também compreensivos com aquilo que se está a passar no resto do país relativamente à questão da habitação.

O presidente da Associação Sindical de Profissionais da Polícia, ouvido pela Rádio Observador, olhando para a manifestação desta tarde e os protestos pela habitação.

São 09h09. Já a seguir "O Explicador", com Francisco Assis, do PS, e André Coelho Lima, do PSD, sobre as audições do Presidente da República com os partidos. Primeiro, Carla, tempo para as outras notícias que estão em destaque.

Os reis de Espanha visitam hoje os feridos do acidente ferroviário em Toledo. A informação é avançada por fontes do Palácio da Zarzuela. Espanha cumpre hoje o primeiro de três dias de luto nacional. Pelo menos 68 pessoas morreram, mais de 100 ficaram feridas neste acidente. A Rússia denuncia um ataque de 600 drones ucranianos contra Moscovo. As autoridades de aviação civil tiveram de impor restrições em três dos quatro principais aeroportos da região de Moscovo, na sequência deste ataque. A peça de teatro da Caça ao Estripador de Lisboa estreou ontem à noite.

E o feedback de quem esteve presente é muito positivo.

É muito. A Rita Camarneiro esteve por lá e conta agora como é que foi isto de estar num teatro imersivo.

O parque de estacionamento da comunidade hindu de Portugal foi transformado num autêntico cenário que nos transporta até ao início dos anos 90 em Portugal. Esta é a história de três vítimas mortais, Valentina, Maria Fernanda e Maria João. A peça é encenada por Simão Biernat, do elenco fazem parte 10 atores que se desdobram em múltiplas personagens. Os cenários são muitos e cabe ao observador, ao público, escolher qual das cenas vai dar mais atenção.

Quis também criar uma homenagem às vítimas e honrar e, portanto, criar um espetáculo que fosse sobre elas e não sobre ele. Aqui temos 1500 metros quadrados, portanto, o público pode circular livremente, como quiser. E o objetivo do imersivo também neste caso é esse, ou seja, o difícil aqui é escolher qual cena querem acompanhar e qual parte da investigação querem ouvir.

No final da peça, a opinião era bem consensual: foi extraordinária.

Adorei. Achei supergiras poder estar no centro e escolher qual é o tema que queremos ouvir e as pessoas que queremos ouvir.

O fato de as pessoas estarem mesmo deitadas no local do crime, acho que cria sempre um impacto em quem tem a oportunidade de estar lá ao pé.

Eu adorei. No fundo, eu gosto imenso de ir ao teatro. Sinto que isto foi, no fundo, quebrar a quarta parede que eles tanto dizem. Nós podemos escolher onde queremos estar e, no fundo, isso condiciona o que sentimos e o que pensamos.

"A Caça ao Estripador de Lisboa" vai estar em cena de quinta a sábado, até ao dia 19 de dezembro, na comunidade hindu de Portugal. Garanta já o seu bilhete. Às vezes adiamos por achar que temos muito tempo e depois, como sempre, o tempo esgota-se.

Aqui ficam os conselhos. "A Caça ao Estripador de Lisboa" já é teatro imersivo.