Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O Braga está na final. Vai encontrar o Vitória Sport Clube no próximo sábado. Há emissão especial de desporto na Rádio Observador. Vamos ter o relatório de jogo a partir de agora com o Mário Cajica para analisar esta vitória do Braga frente ao Benfica de José Mourinho por 3x1. É um resultado confortável que assenta ao que se passou em campo, Mário.
Sim, parece-me que sim. É uma vitória justíssima do Braga. Uma primeira parte em que a equipa minhota foi bem melhor do que o Benfica. Diria que se não são os piores 45 minutos da temporada do Benfica, está muito perto. O Benfica não teve, de facto, uma boa primeira parte, muitos erros individuais, coletivamente a equipa desligada, transição defensiva. De facto, muito longe daquilo que temos vindo a ver nas equipas do José Mourinho, principalmente na equipa do Benfica nestes últimos encontros. O lado esquerdo completamente vulnerável e bem explorado, principalmente pelo Zalazar, e não só. E depois, claro, com a genialidade do Zalazar, do Paulo Vitor no momento do primeiro gol, do Zalazar no segundo. E diria que é uma primeira parte de uma diferença acentuada entre um Braga muito melhor e um Benfica com muitas dificuldades. Portanto, olhando para a primeira parte, e voltamos a dizer, o Benfica volta a dar 45 minutos de avanço ao Braga. Simplesmente, quando foi o jogo em Braga, o Benfica ainda conseguiu um dos gols num lance de bola parada. Neste jogo não conseguiu sequer marcar. Teve uma oportunidade do Pavlídis logo ao abrir e aí, de facto, o jogo podia ter sido outro, efetivamente, mas o Pavlídis não concretizou. O Braga reagiu bem, marcou dois gols e foi confortável para o segundo tempo.
O que explica essa primeira parte tão abaixo do Benfica? Há uma série de unidades que claramente não entraram bem neste jogo. O Manu Silva, por exemplo, é logo substituído ao intervalo.
Sim, desde logo, há a má leitura do jogo e aí as culpas também do lado do José Mourinho, a equipa não teve o discernimento necessário para enquadrar o Braga, para se tranquilizar com bola, para explorar os momentos certos em que a equipa do Braga podia ser um pouquinho mais vulnerável e mesmo os timings em que a equipa tentou atacar o portador da bola não foram os mais corretos. E depois, o que já salientaste, e volto também a reforçar, há aqui muitas exibições abaixo do nível. Globalmente, há vários jogadores que estiveram muito longe do rendimento mínimo, o Sudakov, o Tomás Araújo, o Manu, como destacaste, e eu creio que hoje foi um exemplo claro de que o Manu ainda não está ao seu nível. Acho que é por demais evidente, é um jogador de quem eu gosto muito, acho que vai ser um jogador muito importante para o Benfica, mas nestes jogos mais físicos, mais intensos, ainda se nota que está longe daquilo que o Benfica precisa nesta fase. O Dalot também a fazer, diria, frente ao Braga, as duas piores exibições com a camisola do Benfica enquanto jogador de José Mourinho. E, portanto, são muitos erros. Os centrais também, já falei do Tomás Araújo, mas o próprio Otamendi muito abaixo.
Acaba expulso também.
Acaba expulso.
Condiciona também os próximos jogos.
Sim, o jogo agora com o Futebol Clube do Porto. E, portanto, há aqui muitas questões que, de facto, merecem reflexão. Na segunda parte há um Benfica melhor, efetivamente, o Benfica tem ali momentos de maior qualidade no jogo, mas a verdade é que se olharmos para a globalidade dos 45 minutos e para a globalidade dos outros 45 minutos, temos um Braga que foi melhor durante a partida e que merece o triunfo. Portanto, o Benfica, como dizia, com muitas unidades em sobrendimento, também me custa perceber um bocadinho a questão do Barreiro, de jogar o jogo todo e o jogo já não estava para ele. E eu sou muito defensor do Barreiro e acho que ele é um jogador muito útil em muitos encontros, mas hoje claramente que não era o que o Benfica precisava, porque no momento em que o Benfica precisava de ter mais bola e de assumir o jogo na segunda parte, aí parece-me que o jogo já não era para o Barreiro e foi continuando em campo. E, portanto, há aqui muitas questões a rever do ponto de vista tático, do ponto de vista individual, e a verdade é que hoje o Benfica sai com uma derrota que me parece justa e que nos perspetiva uma bela final, sem dúvida, entre Braga e Vitória, um derby minhoto que eu acho que também merece ser enaltecido, acho que merece toda a atenção mediática, porque vai ser claramente um grande jogo com um belo envolvente entre duas belas equipas.
O Braga, de facto, consegue levar a melhor sobre este Benfica, que fica agora também um pouco fragilizado para o que se segue, tendo em conta a Taça de Portugal, não tem Otamendi, Tomás Araújo também não fez hoje um jogo brilhante. Revestia-se de outra importância a passagem à final para o Benfica e para José Mourinho numa altura em que está em terceiro no campeonato.
Claro que sim. Era um jogo muito importante, até diria, para dar tranquilidade não só ao Benfica, mas também ao próprio José Mourinho, que vem aqui um bocadinho também resgatado nesta lógica de ajudar a equipa a melhorar, de ganhar títulos. E o Benfica hoje perde aqui uma boa oportunidade para não ter uma temporada praticamente a zero. Tem a Supertaça, efetivamente, mas era uma competição importante. E agora o Benfica vai entrar numa fase decisiva da temporada. Isto parece que é um clichê dizer, mas é verdade, porque o Benfica tem-
São jogos em que pode sair de algumas competições.
Exatamente. Uma saiu, tem agora um jogo muito difícil frente ao Futebol Clube do Porto fora de casa, em que vai ditar muito também o sucesso interno do Benfica, porque em termos de campeonato, eu não digo que o Benfica está excluído, mas está praticamente, porque é muito difícil recuperar a desvantagem de 10 pontos, embora ainda exista uma segunda volta, mas acho que é difícil. Vamos ver o que vai acontecer. Mas o maior conforto para o Benfica era este. E a questão da Champions, já nem vamos por aí, que são dois jogos frente à Juventus fora e em casa com o Real Madrid. São dois jogos muito complexos e o Benfica tem que ganhar pelo menos um deles ou ganhar pontos para continuar na próxima fase. Portanto, é um mês de janeiro que pode ditar aqui muito de futuro do Benfica, de futuro de José Mourinho, de futuro de muitos destes jogadores e, acima de tudo, futuro do projeto Benfica.
O futuro passa por um bom mercado de inverno, poderá ser a solução para a melhoria do nível exibiçional do Benfica ou não tanto?
Vamos lá ver. Sim e não. O Benfica precisa de reforços, claro que sim. E há aqui muita questão que merece ser assinalada. Já falámos disso várias vezes, desde o início da época, é um plantel super desequilibrado, com debilidades. Agora, o Benfica também já estava a demonstrar alguma consistência do ponto de vista defensivo e tudo mais. A verdade é que quando se pede à equipa para dar um pouquinho mais, de assumir o jogo, de se mostrar de frente pro adversário e tentar fazer algo em que se assuma como uma equipa grande, o Benfica está a ter algumas dificuldades. Falhou neste encontro, já falhou noutros e hoje era um jogo importante. Claramente que era pro Benfica, não conseguiu José Mourinho extrair o melhor, os jogadores também não deram claramente o melhor e há aqui muitos erros defensivos e individuais. É inadmissível a ação do Sudakov no gol do Zalazar, por exemplo, a forma como não consegue travar o jogador. Enfim, há a tal questão da falta, o jogador ali tem de ser mais agressivo. E eu até sou das pessoas que nem compra propriamente que o Sudakov é uma vítima 100%, que eu acho que aqui se demonstra que, de facto, é um jogador que ainda tem muito pra aprimorar do ponto de vista principalmente defensivo. Agora, lá está, há outras questões que também têm que ser faladas. Hoje o Barreiro não era jogo pra ele, pelo menos a certa altura, e acho que merecia a alteração. Os centrais com abordagens muito fracas e tanto se fala do Tomás Araújo e do António Silva. Hoje, se calhar, aqui há um abre olhos também pra alguns momentos que demonstram que o Tomás Araújo ainda não está o central de topo que o Benfica precisa, embora eu acho que seja um grande central, não há dúvida nenhuma em relação a isso, mas não acho que exista uma desproporção tão grande como por vezes se quer fazer parecer. E depois, são abordagens, como já falámos, do Dalot, muito pobre defensivamente, e o mérito total para Zalazar, para Paul Victor. Moutinho, enquanto teve gás, foi um jogador extraordinário. O Hrnčič na baliza do Braga, pra mim é um dos melhores do Campeonato Português, vai ser difícil o Braga agarrá-lo. E mesmo no momento defensivo, apesar de alguns erros, há uma diferença entre um Braga com Lagerbielke e um Braga sem Lagerbielke, e hoje notou-se também essa diferença.
Muito bem, Mário Cajica, onde é que achas que esteve o sinal mais desta partida?
Zalazar, de caras, uma exibição extraordinária.
Homem do jogo.
É o homem do jogo, de caras. Já enalteci agora outros jogadores do Braga, mas Zalazar, por tudo que fez, pelo gol, pela forma como influenciou a equipa ofensivamente, é o homem do jogo, sem dúvida nenhuma.
E o sinal menos, a quem atribuís?
Difícil hoje, que há muitas unidades. Vou ter que reparti-lo entre os dois centrais, entre Manu Silva, que não esteve também ao nível, Sudakov muito abaixo e Samuel Dalot, o próprio Barreiro. Acho que são mais os poucos pontos positivos no Benfica do que propriamente os negativos. Aliás, ao contrário, mas tu percebeste. E, portanto, acho que vai ser por aqui, repartir entre os centrais, o Sudakov, o Dalot, o Manu, apesar de ser um bocadinho vítima do contexto, e o Barreiro.
Muito bem, Mário Cajica, com o relatório de jogo. Obrigado, Mário, também por este relatório e pela tua presença em mais uma edição especial de desporto aqui da Rádio Observador.