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Fica disponível também através de podcast da Rádio Observador, relatório de jogo, assinatura de Filipe Coelho. O Benfica realiza uma ótima exibição, Filipe, começando por aqui. Primeiro dado: é líder isolado agora do campeonato.
Sim, essa é uma grande notícia para o Benfica, cumpriu com a missão que tinha para este jogo, passa a responsabilidade para o Sporting, para a visita do Sporting à Vila das Aves, numa exibição limpa do Benfica. Nunca esteve com o resultado em perigo, num jogo em que Bruno Lage, à semelhança do que tinha sido feito contra o Santa Clara, acaba por rodar o plantel, desde logo com mexidas também na baliza, com a entrada do Samuel Soares, com uma nova configuração tática. O Benfica aproximou-se até mais de um 3421 e sobretudo há que destacar a forma como conseguiu conectar e produzir a partir do lado esquerdo, com Carreras como central pela esquerda, como primeiro construtor do jogo encarnado, e depois com Samuel Dahl como ala esquerdo, mas em alternância com Bruma, que apareceu um pouco mais adiante. Mas havia esta ligação entre o sueco e o português para irem ocupando as zonas do terreno corretas, garantindo essa ocupação racional dos espaços do lado da equipa do Benfica. E o Benfica avançou para uma exibição, como disse, limpa, sobretudo a partir dos 20 minutos, em que a partir desse momento foi capaz de carregar bastante, de criar várias oportunidades de gol. Antes de marcar o Belotti, já tinha tido uma bola no poste pelo Amdouni. Portanto, são sinais positivos, até do ponto de vista da profundidade do plantel, com vários jogadores a entrarem e há que salientar nesse aspecto também os reforços de inverno, porque creio que o Benfica atacou o mercado de inverno e está a ter retorno imediato dessas contratações. Desde logo o Dahl, que já tinha mostrado uma boa sinergia com o Carreras na partida com o Mónaco e hoje voltou a demonstrar que é um jogador muitíssimo inteligente, muito sensível de perceber as combinações e os espaços que deve pisar, beneficiando dos colegas que jogam mais próximo dele, neste caso o Bruma. Portanto, Dahl, Bruma e acrescentaria também Belotti, que faz uma belíssima exibição em termos de movimentação na área, conseguiu levar vantagens sobre os centrais de Boavista, marca também o primeiro gol do Benfica. Portanto, globalmente uma exibição bastante sólida dos encarnados, sem mácula e um resultado que poderia ter tido outra expressão.
Palavra também para Bruno Lage. Gere muito a equipa e gere bem. Teve essa necessidade para esta. Ontem já falava nisso.
Sim, o Benfica está limitado, sobretudo no centro do terreno, não tendo Florentino, não tendo Manu, com a ausência de Leandro Barreiro. Havia a dúvida sobre a condição física de Aursnes, que acaba por aparecer no 11 inicial e fez dupla meio-campo com Kokçu. Portanto, havia aqui a necessidade também de olhar para a fatura física que o Benfica está a pagar e que é natural que pague. Foi uma eliminatória muito complicada com o Mónaco, muito apertada. Há aqui um jogo a seguir com o Braga para a Taça de Portugal, que vale a passagem à meia-final, e logo a seguir também a eliminatória com o Barcelona. Portanto, este jogo, olhando ao panorama geral do Benfica, seria o mais adequado para Bruno Lage fazer aqui uma certa gestão do plantel. Pavlídis não arranca de início, Akturkoglu também não, Chadrac Akolo saiu do banco de suplentes e é assinalável que o Benfica termine esta partida com uma dupla no meio-campo com Nuno Félix, que já se tinha estreado contra o Santa Clara, e Diogo Prioste, um jogador que fez a estreia pela equipa principal encarnada, para além da tal referência também ao Leandro Santos, que atuou como lateral ala direito. Portanto, o Bruno Lage acertou não só do ponto de vista do plano inicial, pela forma como o Benfica foi capaz de criar oportunidades, mas também na gestão que vai fazendo do plantel, sendo certo que com o resultado em 1 x 0, também sentiu a necessidade de ir ao banco buscar Pavlídis e Akturkoglu para chegar rapidamente ao segundo gol, porque o Benfica, de facto, acabou por revelar também alguma ineficácia.
Pavlídis. Décimo gol nas últimas nove partidas. É o grande momento de Pavlídis e da afirmação do Benfica.
Aqui estou à vontade para falar, porque sempre fui um defensor de Pavlídis, mesmo na fase em que era mais criticado, sempre me pareceu ser um atacante que dava muita qualidade ao jogo coletivo do Benfica, à forma como se movimentava, como interagia com os médios, como abria espaços até para os extremos, nomeadamente para o Akturkoglu, que beneficiou muito dessa parceria com o grego e agora está também a ter capacidade para finalizar as jogadas. Sai do banco e faz o 2 x 0. Já tinha sido fundamental na eliminatória contra o Mónaco. Creio que foi o jogador-chave desse confronto com os monegascos e é um jogador que sempre foi goleador por onde passou, nomeadamente nos Países Baixos, e que é verdade que no Benfica demorou um pouco mais até mostrar esse registo de finalizador, mas creio que é um jogador e um avançado de categoria inatacável e que agora está também a juntar essa dimensão goleadora.
Então para ti o melhor do jogo?
O melhor tem que ir para Tomás Vaclík, o guarda-redes do Boavista, um guarda-redes que não jogava, não competia há muitos meses. A última passagem competitiva tinha sido pelo Albacete no ano passado. É um jogador que fez a sua estreia esta temporada e faz uma exibição absolutamente monumental, a relembrar os melhores velhos tempos de Vaclík ao serviço do Sevilha. Eu tinha aqui apontado que fez 11 defesas ao todo, evitou três gols iminentes do Benfica, pelo menos oportunidades flagrantes de gol, melhor dizendo. Portanto, acabou por ser a explicação para o Boavista não sair daqui da Luz goleado. E esta é, de facto, a grande notícia para a equipa de Lito Vidigal, que tinha tido alguns problemas em termos de baliza, com as lesões do João Gonçalves e Luís Pires e com o César, que nunca deu efetiva resposta. E, portanto, Vaclík afigura-se como um verdadeiro reforço importantíssimo para a luta do Boavista neste último terço de campeonato.
E quanto ao pior?
O pior, por outro lado, passa por Miguel Reizinho, que foi expulso logo no início da segunda parte, numa entrada brutal sobre Kokçu. Ainda para mais, o Lito Vidigal tinha mexido ao intervalo, retirando o Seba Perez, já tinha um cartão amarelo, outro médio centro, e portanto lançando Camara para, no fundo, proteger a equipa e evitar aqui uma situação de um eventual cartão vermelho. E Reizinho acaba por ter uma entrada muito forte sobre o médio turco do Benfica. E este também é um aspecto e um fator que tem penalizado bastante o Boavista esta temporada, porque já teve várias expulsões, uma equipa que vive um contexto de tanta adversidade, cometer ainda este tipo de falta tão forte acaba por condicionar bastante e a partir daí o jogo ficou ainda mais à vontade para o Benfica.
Relatório de jogo que fica entregue através de podcast da Rádio Observador. A assinatura foi do Filipe Coelho. Filipe, muito obrigado. Até à próxima.
Muito obrigado, Nuno, e as melhores para essa voz.