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A segunda volta do campeonato começa bem para o Sporting: 3 x 0 frente ao Casa Pia, em Alvaláde. Jogo esta noite com emissão especial de desporto aqui na Rádio Observador. Levamos até si todas as incidências e a análise à partida, também a partir de agora no relatório de jogo com o Mário Cajica. Mário, bem-vindo mais uma vez ao relatório de jogo. Foi uma partida fácil para o Sporting?

Imaginemos. Eu acho que temos de olhar para o jogo de duas formas. Até ao momento do primeiro gol, não foi um jogo nada fácil para o Sporting.

Que só surge ao minuto 38.

Exatamente. A partir do momento em que o Sporting desbloqueia e imediatamente faz o segundo, o jogo tornou-se mais fácil, claro, para a equipe de Rui Borges. Portanto, é unânime a minha resposta, porque, de facto, o jogo tem dois momentos. O Sporting teve algumas dificuldades no início e não digo que estivesse a ser colocado à prova do ponto de vista defensivo, mas ofensivamente a equipe estava mais lenta do que o costume na circulação, a tentar desmontar o bloco da equipe do Casa Pia. O Daniel Bragança até explicou bem que se calhar os jogadores estavam um bocadinho ainda na expectativa para perceber que Casa Pia era este com Álvaro Pacheco, que se estreou no comando dos Gansos. E a verdade é que isso também pode ajudar a explicar aquele início mais cinzentão da equipe do Sporting, que de facto não convenceu a 100%. Mas a partir do momento em que o Geny consegue marcar aquele primeiro gol, as coisas mudam de figura e o Geny volta a ser um jogador fundamental para a equipe de Rui Borges. Nem sempre é o jogador mais acarinhado e mais valorizado neste Sporting, mas é nestes jogos, e recordo que isto é um campeonato e tem muitos jogos, e jogos diferentes, e por vezes há jogos mais complexos do que outros, em que não há tanto espaço, em que é preciso alguma capacidade de desequilíbrio, e o Geny faz muita diferença neste tipo de partidas e hoje voltou a ser o elemento capaz de desmontar o Casa Pia num momento em que tem rasgo e consegue rematar, mesmo com o desvio, mas tem todo o mérito na forma como o faz. E no segundo gol, com o tal passe magistral do Gonçalo Inácio e depois a não menos brilhante receção e finalização do Geny Catamo, que deixou o Sporting já numa posição privilegiada para agarrar os três pontos. E hoje o Geny Catamo acabou por ser muito importante na construção desta vitória do Sporting.

O gol que falávamos aos 38 minutos surge também numa altura em que José Fonte é substituído por lesão. Entra um jogador novo também no plantel do Casa Pia. Não foi por causa disto que o Sporting marcou o gol, mas teria sido um jogo diferente se José Fonte se tivesse mantido em campo? É difícil antever.

Sim, é muito difícil. Aliás, o gol surge logo a seguir e eu destaquei isso durante o jogo, que de facto o José Fonte tem o seu peso. Mas se estivesse o José Fonte ou como estava o Cali, era praticamente igual, porque é um lance criado pelo Geny pela direita. Mas eu creio que durante a partida se sentiu um bocadinho que a equipe do Casa Pia, não só abalada pelo gol sofrido, claro, mas também em termos organizacionais, do ponto de vista defensivo, sofreu um bocadinho com a saída do José Fonte, porque estamos a falar de um jogador superexperienciado, um dos jogadores mais experientes do campeonato português, e ajuda, claro, em alguns momentos de organização, de estabilidade, ter uma voz de comando como é a do José Fonte. Portanto, acho que o José Fonte tem o seu peso. Não sei, e acho que não é por aí, claro, que o Casa Pia perde o jogo, mas não deixa de ser uma baixa importante, não só neste encontro, mas vamos agora ver se terá alguma gravidade ou não, porque o Casa Pia precisa muito de um jogador com estas características para organizar aquela linha de três que tem e não há um jogador como o José Fonte no plantel do Casa Pia.

Olhemos um pouco também para a estreia de Luís Guilherme. Falha um gol clamoroso à frente da baliza, mas como é que olhaste esta estreia titular do jogador que veio do West Ham?

Uma estreia discreta do Luís Guilherme. Quando chegou, eu fui claro também quando falei sobre isso, acho que é preciso dar alguma margem ao Luís Guilherme, porque não teve um período nada fácil na Premier League. Não foi adaptação fácil, não fez propriamente bons jogos em Inglaterra, mas a verdade é que é uma realidade completamente diferente e o Sporting, eu acredito que está aqui a tentar acreditar que vai contratar e que está a contratar o Luís Guilherme, que brilhou no Brasil, ao serviço do Palmeiras logo de início. Mas para todos os efeitos, estamos a falar de um jovem de apenas 19 anos, que teve que crescer muito rápido e de forma muito prematura e tem mais do que margem para crescer nesta equipe do Sporting. Hoje não sobressaiu, nem pouco mais ou menos. Tem ali um apontamento dito ao outro, mas a verdade é que Esta antecipação do Sporting, claramente, que é de tentar contratar um jogador já para se inteirar com todos os processos da equipe e já para integrar nesta temporada de forma progressiva, para estar a 100% na próxima. Eu creio que a ideia é essa e está mais do que a tempo. O Luís Guilherme é um jovem, tem 19 anos, já muita experiência para um menino de apenas 19 anos. Agora, claro, vamos ver qual é o processo de evolução do jogador, que reforço, em Inglaterra não teve impacto absolutamente nenhum, mas no Palmeiras, na altura, era uma das maiores pérolas do futebol do Brasil.

A chegada à Europa nunca é fácil para os jogadores.

E ainda para mais na Premier League. E aliás, vemos a realidade de muitos jogadores que até saem do futebol português para a Premier League e a dificuldade que têm. Portanto, acho que é óbvio que foi um passo maior, e se calhar, maior do que a perna para o Luís Guilherme. E agora sim, no Sporting, eu acho que pode ter outro tipo de margem para errar, para crescer e para solidificar o seu potencial.

Queria também o teu comentário à exibição de Daniel Bragança. Acaba por ser eleito o homem do jogo, não estando muito tempo no relevado, mas marcando o terceiro gol. Vem de uma longa lesão. É alguém que conta para Rui Borges, que é um jogador que quer reabilitado, porque tem necessidade dele. Até fazendo aqui um pouco o contraponto, não sei se consegues analisar aqui a prestação do Daniel Bragança, mas também a do Morita, que teve pelo menos ali duas entregas de bola muito infantis, que me recordo, durante o jogo.

Sim, vamos por partes. Quanto ao Morita, diria que hoje teve aqui uma possibilidade de se mostrar, joga 90 minutos, mas como dizes, tem ali algumas imprecisões que não são habituais.

Parece distraído, às vezes.

Sim, mais desligado esta temporada e também por aí se explica o fato de estar cada vez mais distante da equipa. Hoje, Rui Borges, também eu acho que potenciado um bocadinho pelo jogo a meio da semana frente ao PSG, acabou por dar-lhe ali mais tempo de jogo, porque muito provavelmente não vai ser ele a escolha inicial para o jogo frente ao PSG. Diria que essa será a escolha do Rui Borges, o João Simões com o Gilmann, vamos ver, mas apostaria nisso. E hoje o Morita teve aqui esses 90 minutos para ter alguma margem de crescimento. Já se percebeu e o Rui Borges praticamente já fechou a porta à saída do Morita, apesar de fechar contrato no final da época, neste mercado.

Como ele tem até o final da temporada.

É uma solução, mas sim, parece-me que foi uma oportunidade que não foi aproveitada a 100%. Diria ali nos 70. Sobre o Daniel Bragança, lá está, não foi o melhor em campo. Não vale a pena também entrarmos por aí, não foi o melhor em campo.

Não me recordo até da televisão dar um prêmio, quase por simpatia.

Mas dá a ideia que foi. Ou seja, dá a ideia que foi. O melhor em campo foi o Geny Catamo, já lá vamos, mas não há dúvida nenhuma. O Daniel recebe aqui, se calhar, por tudo que tem vivido e sofrido. Um ano e já depois de outros problemas no passado, é um jogador que tem sofrido muito e a verdade é que acho que não podia pedir melhor, este regresso com gol. Deixa-me destacar também que o Rui Borges é muito inteligente na forma como projeta este regresso, ou seja, com o Sporting a controlar e de forma tranquila a vencer por 2 x 0, e mais do que isso, pela forma como não tem a tentação de colocar o Daniel Bragança ali no duplo pivô, em que o Daniel poderia ter alguma tentação de colocar o pé em alguns momentos, ter um jogo mais físico, porque ali a meio-campo, o Casa Pia também estava a fomentar alguns duelos e libertou o Daniel Bragança desse momento e colocou-o mais à frente, onde tinha mais espaço, onde tinha mais liberdade e eu acho que tomou a decisão certa também o treinador do Sporting para este regresso. E é aqui também que se veem os bons líderes e os que estão a ver um pouquinho mais além. E eu acho que o Rui Borges, até neste pequeno momento, decidiu bem. Portanto, é um regresso que se saúda e feliz, acima de tudo, e ainda bem. E esperemos que o fantasma das lesões esteja devidamente enterrado para o Daniel Bragança.

Já te vou pedir o sinal mais e o sinal menos nesta partida, mas queria também o teu comentário ao regresso de Álvaro Pacheco, um treinador que andou também pelo estrangeiro, Arábia e Brasil, está agora de regresso ao Casa Pia, numa situação difícil. Tenta tirá-lo dos lugares do fundo da tabela. O que se perspectiva para este Casa Pia, para o resto do campeonato?

O Álvaro Pacheco tem um desafio duro, porque o Casa Pia tem aqui algumas debilidades. Eu acho que vai ter de ir ao mercado agora nesta fase final. Portanto, não acredito que o Álvaro Pacheco tenha selado o acordo com o Casa Pia sem ter essa garantia, porque a equipa precisa de alguns reforços. E se olharmos de forma fria, o Álvaro Pacheco tem, nos últimos anos, um trabalho mais fraquinho. Em termos nacionais, não estou a falar do trabalho no Vasco, que correu manifestamente mal e as coisas não foram positivas, e depois na Arábia, também não foi propriamente muito positivo. Mas tem o trabalho no Estoril, porque se formos a ver, no Vizela, faz um excelente trabalho.

Continua a ser, se calhar, a sua melhor fase.

Claro. E no Vitória, faz uma época bastante interessante. Depois é ali despedido já na fase final da temporada. Percebia-se e acho que terá sido mais até por questões extra futebol do que propriamente pelo rendimento da equipa e, portanto, diria que tem aqui mais uma possibilidade de afirmação. É um treinador com boas ideias, é uma cara que transmite também alguma simpatia e acaba por também ser esse um fator importante para todos os efeitos, para os adeptos de futebol, mas mais do que isso, é a forma como organiza as equipas, como tem feito esses bons trabalhos e eu acho que tem toda a potencialidade para dar certo com o Casa Pia, mediante, claro, esses reforços que a equipa precisa, mas tem aqui algumas caras conhecidas também do próprio treinador, o Cassi é uma delas, e, portanto, vamos ver como é que dá, se dá ou não um bom casamento entre o Álvaro Pacheco e o Casa Pia, mas acho que foi uma aposta certeira da equipa do Casa Pia.

Tem toda uma segunda volta para aprovar isso. Vamos ao sinal mais desta partida. Onde esteve o sinal mais, na tua opinião?

Geny Catamo, não há dúvida nenhuma, melhor em campo. Claro, notas positivas para o regresso do Daniel Bragança com gol. O Gonçalo Inácio faz um belo jogo, tal como o Matheus, mas principalmente o Inácio, até pelo passe e pela forma como ajudou a equipa a construir também um belo jogo. O Suárez a espaços consegue ali ajudar a equipa, hoje não marcou, mas é um jogador que está constantemente a encontrar soluções na frente, mas Geny Catamo volta a provar o porquê de ser um jogador tão importante para este Sporting. Chegou em boa hora para a equipa e voltou a ser determinante num jogo que podia ser mais difícil se não tivesse o Sporting um abre-latas como este, um jogador muito capaz nos duelos, muito agressivo, nos duelos de um para um, naturalmente, e muito agressivo quando é necessário e, acima de tudo, aquela dinâmica que ele consegue implementar em muitas ações individuais faz toda a diferença. Portanto, hoje, Geny Catamo, de longe, o melhor em campo.

E o sinal menos, onde fica?

É um pouco difícil, mas diria que a partir do momento em que o Casa Pia sofre o segundo gol, defensivamente a equipe abanou bastante e começaram a surgir vários momentos em que se sentia que a equipe estava a conceder demasiado espaço, o lado do La Razabal não estava propriamente bem fechado, o Conté também teve muitas dificuldades para travar as ações do Geni, portanto, não me apetecia muito individualizar do lado do Casa Pia, porque eu acho que foi um pouco geral, mas de facto, defensivamente, a equipe sentiu muitas dificuldades. E deixar a nota também para a expulsão do Clau Mendes no final, que não faz absolutamente sentido nenhum numa fase em que a equipe já estava com o resultado definido, fica fora do jogo frente à equipe do AFS na próxima jornada e que é um jogo, esse sim, do campeonato do Casa Pia e pode fazer a diferença.

Muito bem, está feito mais um relatório de jogo. Com a ajuda do Mário CG, que analisamos a exibição de Sporting e Casa Pia neste 3 x 0 dos Leões frente aos Gansos. Mário, obrigado. Um abraço.

Obrigado. Um abraço.