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Augusto, mais uma vez, muito bem-vindo ao Relatório do Jogo para analisar esta vitória magra e sofrida, sobretudo da Seleção Nacional, mas a vitória é o mais importante nesta altura. Três pontos a três pontos do Campeonato do Mundo. Ora, vamos para a primeira parte nesta análise. Augusto, não foi uma boa primeira parte, com uma série de equívocos, nomeadamente do ponto de vista tático, que foram corrigidos só mais tarde, já dentro da segunda parte, nomeadamente ao intervalo.
É verdade, na primeira parte nada correu bem. Não correu bem em termos táticos, não correu bem em termos de dinâmicas de jogo, não correu bem a exibição portuguesa. Perante um ambiente fantástico, espetacular, que estava aqui em Alvalade, o que é certo é que faltou depois o calor dentro do jogo para galvanizar os adeptos, para ficarem mais entusiasmados nas bancadas. Eu diria que houve ali logo um primeiro equívoco, o Bernardo Silva jogar no lado esquerdo e Pedro Neto no lado direito. Acho que isso não beneficiou nada o jogo ofensivo da equipe portuguesa, até porque os nossos laterais, o Diogo Dalot e o Nuno Mendes, também não ficaram aquém daquilo que podem fazer, precisamente porque tinham esses dois homens à sua frente. Quando as coisas trocaram na segunda parte, já foi diferente. Os nossos laterais, neste caso com o Nelson Semedo já no lugar do Diogo Dalot, deram uma outra profundidade e uma outra criatividade. Eu diria que aquela primeira parte foi uma primeira parte em que se salvou o remate de Cristiano Ronaldo na primeira vez, praticamente, que tocou na bola, que a bola foi ao poste e Bernardo Silva, com a baliza completamente escancarada, não conseguiu marcar. E ficamos muito por aí. Fomos sempre muito lentos. Cada vez que se esticava um bocadinho o jogo da Irlanda, Portugal não era rápido para pelo menos ter menos gente à sua frente para tirar do caminho para chegarmos ao gol. O que é certo é que deixamos sempre a Irlanda recuperar o seu espaço, recuperar a sua organização defensiva, que não era nada menos do que 10 homens atrás da linha da bola, mais o guarda-redes, 11. Era esse o seu estilo de jogo e Portugal não conseguiu realmente ferir a defesa do adversário, precisamente também porque não teve essa velocidade e não teve essa criatividade. Na segunda parte, as coisas foram diferentes. E foram tão diferentes, que nós fomos indicando isso sempre ao longo dos nossos comentários, que o Roberto Martínez parece que nos ouviu e que na segunda parte trocou, pelo menos, a posição dos extremos. Bernardo Silva foi para o seu lugar do lado direito e Pedro Neto foi para o seu lugar, que era de extremo esquerdo. Mas o que é certo é que, se foi por isto ou não, a equipe ficou mais dinâmica, ficou mais criativa, ficou mais envolvente e aquilo que a Irlanda estava a ganhar confiança no jogo, porque já na primeira parte, nos últimos 15 minutos, sentiu-se uma Irlanda diferente a querer invadir o meio-campo português e a querer chegar à baliza, que nunca conseguiu, mas a querer chegar à baliza de Diogo Costa. Na segunda parte, Portugal obrigou a Irlanda a recuar de uma tal maneira que num espaço para aí de 20 metros, viu-se 21 jogadores, menos o Diogo Costa, praticamente ali naquele espaço, logo à entrada da área da defesa da Irlanda. E Portugal esteve sempre ali a rondar a baliza da Irlanda e inclusivamente conseguiu arrancar uma grande penalidade, já com o Trincão em jogo, e já com Gonçalo Ramos, que na minha opinião entrou muito tarde. Acho que o Gonçalo Ramos devia ter entrado muito mais cedo, até para baralhar a defesa adversária, já que estava ali muito cómoda com o Cristiano Ronaldo ali, sabendo de antemão que ia aparecer depois ali talvez um Bruno Fernandes, mas que estavam bem vigiados. Quando entrou o Gonçalo Ramos, a coisa ficou um bocado mais complicada para as referências que os defesas da Irlanda teriam que ter. E o que é certo é que o Cristiano Ronaldo falhou a grande penalidade. Não é normal, mas acontece aos melhores. Mas realmente Portugal ficou sempre muito sereno no jogo. Se aquilo ia dar gol ou não, do gol da vitória, o que é certo é que Portugal tentou pra esquerda, tentou pra direita, entrou o Rafael Leão. Rafael Leão sem espaços não cria desequilíbrios nenhuns, com espaços sim, já pode ter alguma facilidade de servir melhor o ataque e mesmo assim quando Portugal fez o gol, o Rafael Leão teve uma jogada, podia ter dado perfeitamente bem a bola ao Cristiano Ronaldo pra fazer o gol, quis tirá-la, marcar e falhou. O que é certo é que Trincão do lado direito também não estava a ser muito criativo, estava a fazer o mesmo papel de Bernardo Silva, mas num seu cruzamento, já conhecida a grande penalidade com remate seu, o árbitro marcou grande penalidade com mão do defesa da Irlanda, num cruzamento bem medido, apareceu Rúben Neves a antecipar-se ao defesa e a marcar realmente o gol da vitória. Diria que é uma vitória que vale três pontos, vale provavelmente, diria eu, 90% de hipóteses de Portugal estar no mundial, mas diria que a exibição ficou realmente muito aquém. Podem dizer que a Irlanda jogou muito recuada, mas exigiu-se a Portugal, talvez, uma outra qualidade de jogo que Portugal nunca apresentou.
Portugal que acaba de bater o recorde de remates no apuramento para o mundial de 2026. Tinha feito 15 à Hungria, 24 à Armênia e agora 30 à baliza da República da Irlanda. Em relação a este relatório de jogo, para fechar, o melhor do encontro?
Olha, o melhor do encontro eu diria que foi ao minuto 21, todos os adeptos que estavam aqui em Alvalade, levantou-se tudo a bater palmas em homenagem ao Diogo Jota. Foi um momento emocionante. Depois, foi realmente o gol do Rúben Neves com a camisola 21, o primeiro gol que faz pela Seleção Nacional e neste caso em Alvalade, e fez realmente arrepiar quem estava aqui, por ele ter marcado o gol, por ele ter a camisola 21 e por ele ser um grande amigo do Diogo Jota.
E o pior? É claro, e a vitória.
Claro, e a vitória de Portugal.
E quanto ao pior?
O pior. A equipe inicial de Portugal, não que os jogadores não fossem aqueles, mas posições trocadas fizeram empurrar ou empenar o jogo ofensivo da equipe de Portugal. Diria que aquela primeira parte foi muito mal conseguida. E também tenho que dizer isto, porque eu nunca gostei, nem vou gostar, nem nunca irei gostar. Na parte final, quando Portugal estava a ganhar.
Os olés.
Ouviu-se os olés. Isso não é para mim, condeno veementemente e por isso acho que foi dos piores momentos também do jogo.
Relatório do jogo, Augusto Inácio. Olha, um grande abraço e bom fim de semana.
Um grande abraço, bom fim de semana e vote bem.
Bem disposto, não é?
Exatamente.
Bem disposto. Relatório do jogo fica então disponível através de podcast. Assinatura de Augusto Inácio.