Até prova em contrário, era a grande notícia da noite: Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, encontrava-se no aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, pronto para fazer de imediato a viagem para Copenhaga. Duas horas depois, deixou de ser. Com outra reunião que entretanto houve, tudo parece ter voltado à normalidade. Tanto que, nesta fase, a deslocação do número 1 da FPF deixou de ser “notícia”.
A presença de Proença no aeroporto acabou por fazer soar os alarmes por três razões: 1) depois de ter estado em Oslo, onde acompanhou a vitória de Portugal diante da Noruega, o líder federativo regressou a Portugal e deveria assistir esta quarta-feira no Estádio de São Miguel, nos Açores, ao encontro da Seleção Sub-21 frente a Gibraltar, que deverá carimbar a presença nacional no próximo Europeu da categoria; 2) não existia uma razão aparente para antecipar a viagem para a Escandinávia a não ser que algo tivesse acontecido; 3) após a comunicação social ter sido colocada num ponto do aeroporto, Proença foi para outro e evitou com isso todas as potenciais questões que teria pela frente. O momento entre Jesus e Ronaldo estaria em cima da mesa.
Depois de ter sido suplente não utilizado no último encontro para a Liga das Nações, ao contrário do que na teoria deveria acontecer (mas de acordo com o que o jogo estava a “pedir”), o capitão da Seleção saiu de forma imediata para o balneário e foi o único jogador nacional que não se deslocou junto do setor onde estavam concentrados os cerca de 700 adeptos que apoiaram Portugal em Oslo. “Acredito no que dizem mas nem me apercebi disso. Só ele é que pode responder. O facto é que não é por não ter jogado que não conto com ele. Conto exatamente com ele. Antes do jogo disse-lhe ‘Não vais entrar de início mas durante o jogo vou meter-te’. Mas o futebol é isto, dita coisas que, neste caso, não justificava mudar o ponta de lança para um com as características do Cris, sabendo que temos um jogo aí com a Dinamarca”, comentou Jesus.
“Tenho de falar com ele mas conheço-o bem. A Seleção é de todos nós e ele, como capitão… Não sei responder sobre o pensamento dele, só depois de falar com ele”, acrescentou o selecionador depois da partida onde Ronaldo voltou a ser suplente não utilizado numa partida oficial como não acontecia desde 2008.
Esta terça-feira, o capitão da Seleção fez apenas trabalho de ginásio, depois de ter passado pelo relvado. A par de Ronaldo, também João Félix e Francisco Conceição não participaram na sessão que decorreu ainda na cidade sueca de Malmö, onde Portugal tem ficado antes de rumar a Copenhaga para o encontro de quinta-feira à noite frente à Dinamarca. Numa rápida resposta quando entrava no autocarro da comitiva, Jesus desdramatizou a situação de sorriso nos lábios: “Se já falei com ele? Falo todos os dias, a toda a hora…”. Já Ronaldo, quando se falava num ambiente de “desconforto” e até de “tensão” em alguns meios, fez uma publicação nas redes sociais onde colocou apenas uma imagem sua com a bandeira de Portugal e um coração.
Especulou-se sobre uma possível conversa que já teria existido entre ambos durante o dia, nomeadamente por altura do treino, algo que o Observador confirmou que não acontecera. No entanto, já esta noite, e numa informação que começou por ser avançada pela RTP e confirmada pelo Observador, o encontro deu-se mesmo e terminou da melhor forma, com Jesus e Ronaldo satisfeitos com a conversa e focados nos dois próximos encontros de Portugal, com Dinamarca e Noruega, no Dragão. Mais: isso pode não ser a garantia de que o número 7 seja titular na quinta-feira, algo que tinha sido abordado antes desta concentração entre ambos. Ainda assim, o mal-estar que poderia existir depois de Oslo acabou por ser dissipado na reunião.
Esta quarta-feira, Portugal já estará em Copenhaga, onde fará o habitual treino de adaptação ao estádio antes do encontro da terceira jornada da Liga A da Liga das Nações. Antes, Jorge Jesus marcará presença na conferência de imprensa com um jogador, que tudo aponta ser um dos capitães… que não Ronaldo.
[Annie está de volta a Havana. Apesar das relações privilegiadas com altas figuras do regime, quer viver como os cubanos, divertir-se como os cubanos e… sofrer como os cubanos. Mas continua a ser filha do diretor da PIDE. E Fernando Silva Pais e Armanda Palhota não estão dispostos a deixá-la passar tão facilmente para o lado do inimigo. Já pode ouvir o terceiro episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]