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E à 27ª jornada do campeonato, o Benfica recebeu e bateu em casa a equipe do Vitória por três bolas a zero, num jogo em que Richard Rios foi destacado como homem do jogo. Mário Cajica, tivemos um Benfica que, também sem as suas habituais opções no centro da defesa, com Barrenechea a estrear-se nessa posição, conseguiu uma vitória sólida e confortável frente a este Vitória.

Sim, sem dúvida. É uma vitória justa do Benfica, adequada para aquilo que foi o jogo. Não foi a exibição mais vistosa do mundo, nem pouco mais ou menos, mas é uma vitória que se aceita perfeitamente. O Benfica foi mais competente durante os 90 minutos, conseguiu ter e criar mais oportunidades e, acima de tudo, leu bem o adversário que tinha pela frente. O Benfica entra bem no jogo, chega ao gol numa fase ainda inicial e acabou por ter ali, se calhar, o fator mais importante, que era o do conforto. O Benfica colocou-se em vantagem e colocou-se numa posição de conforto, ou seja, baixou linhas e acabou por deixar o Vitória numa posição com bola, mas sem grande objetividade. Isto aqui leva-nos para dois caminhos. O Benfica, não creio que tenha ficado desconfortável, mas também acho que exagerou nessa postura. Sem querer retirar mérito ao Vitória, claro, mas a ideia que passava é que nos momentos em que o Benfica assumia a posse de bola, não havia muita criatividade. A equipe não estava propriamente a querer controlar o jogo com bola, deixou a iniciativa para a equipe minhota e, do outro lado, também não houve grande objetividade. Fechando esse capítulo da primeira parte muito rapidamente. Mérito total para o Rios, na forma como consegue pressionar. E o Rios sentiu-se muito confortável neste jogo também porque existiu alguma ingenuidade de alguns jogadores do Vitória. Estavam constantemente a receber de costas e essa é uma das principais mais-valias do Rios e também do Barreiro, mas principalmente do Rios. Ele ataca muito bem o portador da bola e consegue recuperações em zona alta que deixam imediatamente a defensiva desconfortável.

Deixe-me dar só alguns dados que são referentes, na verdade, apenas aos primeiros 25 minutos do jogo, mas é também demonstrativo de como precisou de pouco tempo para ter impacto no jogo. Richard Rios, uma assistência, em quatro duelos feitos, quatro duelos ganhos e também com três ações defensivas. Aumentou os números ao longo do jogo, mas estes primeiros 25 minutos também sintomáticos do jogo que fez Richard Rios.

Sim, é isso. Acho que vai ser muito difícil, até o final da época, pelo menos, vermos um jogo perfeito do Rios a todos os níveis. Porque sabemos que é um jogador que arrisca, é um jogador que por vezes joga no limite do erro, por vezes um pouquinho caótico, e isto tem aqui sempre algumas questões que merecem análise. Hoje parece-me que foi um jogo à medida do Richard Rios, sem dúvida nenhuma. Esteve muito bem nesses momentos, principalmente nos momentos de ataque à bola, de atacar o espaço, de pressionar o adversário e depois muito objetivo nos momentos em que tinha a bola nos pés. E eu creio que acabaram por ser mais as ações positivas do Rios, precisamente por isso, porque de um lado tínhamos um jogador ultramotivado e para quem iria querer mostrar o seu serviço, e do outro tínhamos uma equipe que se colocou várias vezes numa posição desfavorável ou desconfortável, mais. Na segunda parte, aconteceu exatamente o mesmo. Ou seja, foi saída de bola, foi um jogador de costas pro Rios e o Rios a atacar e a recuperar e depois a servir o Pavlídis para o segundo gol, praticamente da mesma forma. Isto indicia aqui também essas dificuldades que o Vitória evidenciou, principalmente na sua fase de construção, onde a equipe, em alguns momentos, acabou por se expor e permitir essa pressão mais asfixiante da equipe do Benfica.

Mas o que é certo, Mário, é que nessa segunda parte ainda houve uns primeiros minutos em que o Vitória parecia vir para reagir. Jogou um lance perigoso, com grande defesa de Trubin, depois de um desvio da defesa do Benfica. E o que é certo é que o Benfica depois consegue construir essa tranquilidade. Podia ter sido outra a história do jogo se, porventura, o Vitória tivesse aproveitado esses minutos da segunda parte em que esteve um pouco melhor?

Realças e muito bem. O José Mourinho, na análise do pós-jogo, até falou mais do desconforto na primeira parte. Eu daqui senti muito mais o Benfica desconfortável, até no início da segunda parte, em que surge esse momento de perigo. E a verdade é que se sentiu um Benfica que não estava a conseguir, pelo menos, agarrar no jogo. Até o Vitória estava muito mais vertical, muito mais objetivo, muito mais rápido nos processos. E eu acho que aquele início de segunda parte, até ao gol do Benfica, ali aos 55 minutos, ou seja, aqueles primeiros 10 minutos, foram bastante interessantes da formação de Gil Lameiras e para mim até foram mais interessantes do que na primeira parte, em que tivemos, sim, o Vitória com bola, mas não era um Vitória propriamente muito objetivo e eu nunca senti propriamente o Benfica desconfortável. Lá está, para os adeptos não é um futebol que agrada, acredito eu, estar a equipe um pouquinho na expectativa sem bola, mas a verdade é que a equipe estava muito confortável nesse primeiro tempo. Na segunda parte, sim, senti que o Benfica já não estava a conseguir agarrar no jogo. A partir do segundo gol, as coisas mudaram. Mesmo as alterações, acho que já vêm um bocadinho tarde, tenho algumas reticências em relação a algumas decisões no jogo de hoje.

Que o Nuno Doi tenha ficado no banco num jogo em que uma equipe está a perder e podia estar a tentar o tudo por tudo, nomeadamente do ponto de vista aéreo. Percebe-se que não tenha arriscado tudo, o Gil Lameiras, num jogo que já estava praticamente perdido.

Sim, o Nuno Doi é um exemplo de um jogador que poderia ter sido importante na frente de ataque, se calhar até numa fase mais madrugadora, quando o jogo ainda estava mais intermitente, digamos assim, até porque o Vitória estava a tentar colocar algumas bolas na grande área em alguns momentos e o Nelson Oliveira não é esse jogador. Mas mesmo o Sávio, o Gustavo Silva, acho que entra muito tarde no jogo. Não sei. Tenho algumas reticências em relação à abordagem da equipe, que me parece, novamente, e tal como já no jogo do Famalicão, que houve excesso de cuidado com o momento defensivo. Pouca capacidade da equipa para cair nos duelos. O Vitória praticamente estava dependente das ações do Camará no corredor, ali no um para um com o Bah, em que se sentiu o Bah um pouquinho desconfortável às vezes. De resto, o Samu esteve muito longe do jogo e não esteve nos seus melhores dias. O Miguel Nogueira até acaba por estar ligado àquele lance do Trubin. É ele que faz o remate, mas de resto foi muito pouquinho e, portanto, acho que tenho algumas dúvidas em relação às opções iniciais e as substituições acho que vêm um pouquinho tarde e já quando o Vitória já não tinha muito a fazer no jogo.

Resta saber o que é que para ti, neste encontro da 27ª jornada, que terminou, Mário, com a vitória do Benfica por 3 x 0, o que foi o melhor? Aliás, vamos começar pelo pior, para fechar em nota de beleza. O que foi o pior neste final de tarde no Estádio da Luz?

Hoje vamos ao pior. Do lado do Benfica, e eu vou reforçar isto, apesar do Sudakov ser um jogador que eu acho que faz mais sentido ao Benfica nesta fase, ser o criativo e o jogador que liga mais o jogo entre os médios e o ponta de lança, acho que não foi o melhor jogo do Sudakov a serviço do Benfica. Ainda assim, acho que faz sentido hoje mencioná-lo, porque não foi, de facto, um jogo muito vistoso do Sudakov. Algumas escorregadelas, um bocadinho longe do jogo. Eu creio que até, se calhar, um bocadinho vítima do seu próprio posicionamento. Estava muito ligado ao Pavlídis e muito pouco colocado em zonas de construção mais próximo do Rios e do Barreiro. Portanto, acaba por ser o Sudakov, embora, e reforço isto, seja um jogador que eu acho que faz todo o sentido nesta fase ser titular na equipa do Benfica, em grande parte destes jogos em que a equipa quer exercer domínio. Do lado do Vitória, também vou aqui um bocadinho para o criativo. Acho que o Samu esteve muito apagado hoje. O Gonçalo Nogueira, que eu acho que é um bom médio também, com alguma dificuldade na saída de bola e na ligação com os dois defesas e o defesa médio Mukendi, que fez ali um papel misto, mas o Gonçalo Nogueira não conseguiu ser essa muleta, esse apoio naquele meio-campo e, portanto, dir-te-ia que são, se calhar, os destaques individuais desta partida.

E para fechar em nota de beleza, como sempre, Mário, o que foi melhor esta noite?

O Rios, por tudo o que já dissemos, foi o melhor em campo, é o jogador que acaba por estar ligado a dois golos, tem uma boa exibição, é um jogo à medida do Rios, principalmente naqueles momentos que já referenciei, sem bola e a pressionar mais alto. E depois há aqui umas menções honrosas, digamos assim. Acho que o Prestianni até fez um jogo bastante interessante quando teve bola nos pés, muito aguerrido. O próprio Barreiro também esteve muito sólido, juntamente com o Rios. Enfim, o Barreiro já é uma questão mais natural e normal, tem estado muito certinho constantemente. E vou dar um crédito também, não só ao Bah, que eu acho que está a crescer de forma e não sei até que ponto é que se o Bah mantém este ritmo, não relega mesmo o Dédys para segunda opção a 100%. E para o Enzo, que respondeu da melhor forma como defesa central hoje na equipa do Benfica, bem do ponto de vista posicional, não teve ali grandes calafrios e foi uma opção certeira, parece-me, do José Mourinho para o eixo defensivo da equipa do Benfica.

Mário Cajica, muito obrigado, um grande abraço e está feito e entregue mais um relatório de jogo desta feita da vitória do Benfica frente ao Vitória por três bolas a zero, em jogo a contar para a 27ª jornada. Um grande abraço, Mário.

Abraço, Vicente.