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Relatório de jogo na Rádio Observador, agora com o Filipe Coelho. Vamos nos próximos minutos falar do jogo entre o Sporting e o Nacional da Madeira. Quinta jornada da Primeira Liga. Os Leões ganharam por 2 x 0. Luís Suárez e Flávio Gonçalves marcaram os gols da equipe leonina. Filipe Coelho, o Sporting soma agora quatro vitórias e um empate. Que notas a retirar deste jogo com o Nacional da Madeira?
Diria que foi o cenário ideal para o Sporting, num contexto pré-Champions. Apanhou um adversário débil, que está num processo de troca de treinador e que acabou por não ser verdadeira oposição à equipe de Rui Borges, que no fundo deu continuidade à exibição de Vila do Conde. O Sporting está a crescer depois daquela entrada mais precolitante contra o Estrela e o Vitória. Entretanto, teve vitórias com Alverca e Rio Ave, mas sobretudo há um crescimento a nível exhibicional e hoje acaba por ser uma vitória que até poderia ter outro tipo de contornos. O Sporting criou para marcar mais do que aquilo que conseguiu marcar. Diria que esta exibição resulta do à vontade que o Debast e o Gonçalo Inácio voltaram a ter para construir. E o próprio Sergio Altamira também foi um jogador que conseguiu meter vários passes na zona do meio-campo, porque o Nacional dentro do 5-4-1 foi uma equipe muito inoperante, não só do ponto de vista ofensivo, mas já lá vamos, mas também do ponto de vista defensivo. Acabou por entregar essa iniciativa ao Sporting sem apertar, nomeadamente o Debast, que acabou por fazer uma exibição de grande nível. O central belga atuou basicamente de cadeirinha, foi importante para o Sporting desenvolver os seus ataques. Apesar de tudo, o Sporting teve domínio territorial, é certo, mas também manifestou algumas dificuldades para chegar à área do Nacional. A tendência do Sporting na primeira parte foi tentar-
Muitos remates de meia distância.
Precisamente. O Sporting marca ao minuto 32 pelo Suárez de pênalti. Antes disso, teve vários remates de meia distância, nomeadamente o Zalazar e o Catamo, também o Doumbia. Enfim, foi uma equipe que tentou resolver mais rápido. Não conseguiu fazer fluir tanto o jogo do ponto de vista ofensivo, como aconteceu em Vila do Conde contra o Rio Ave, e creio que foi uma equipe mais rendilhada e que criou mais problemas ao adversário. Mas há um movimento que acaba por desbloquear o jogo. Tem a ver com os aparecimentos, as roturas do Maxi Araújo na meia esquerda, ou seja, saltando do lateral esquerdo, foi capaz de aparecer na meia esquerda, entrando entre central e lateral do Nacional. E esse foi um movimento muito importante, desde logo no pênalti, que permitiu ao Sporting chegar a 1 x 0, mas também estou me a lembrar de um remate perigoso do Doumbia, que tem origem no movimento do Maxi. Outro remate perigoso, o Suárez, também acontece pelo envolvimento do uruguaio. Portanto, o Sporting acabou por beneficiar dessa chegada desde trás do Maxi para desbloquear o resultado, e 1 x 0 acabou por ser o momento verdadeiramente fraturante da partida.
Vem depois o segundo tempo com o Sporting a entrar forte e a conseguir dobrar a vantagem numa altura em que o Nacional poderia tentar alguma resposta, o Sporting custou logo mal pela raiz.
Sim, foi logo no início da segunda parte e arrumou definitivamente as contas da partida. É uma grande jogada do Sporting, diga-se. Uma jogada simples, mas bem trabalhada, bem pensada, bem executada, com a equipe a atrasar a bola para o Rui Silva, depois o Debast assume a construção com o Nacional a tentar avançar um pouco no terreno e há um grande passe do Debast para o Suárez, com o atacante colombiano a atacar o espaço. Um espaço criado pelo movimento sem bola do Zalazar, que arrasta o Zé Vítor, central pela esquerda do Nacional, e o Suárez entra muito bem nessa zona e depois faz a assistência para o Flávio Gonçalves, que tem o mérito de acompanhar as jogadas. Mas lá está, o Suárez faz 1 x 0 de pênalti e faz a assistência para o 2 x 0 do Sporting e com Suárez mais presente e melhor na partida, automaticamente o Sporting também sai reforçado e há claramente um crescimento também do colombiano, que já tinha feito uma grande exibição frente ao Rio Ave.
Filipe, vamos também falar um pouco sobre a forma como o Rui Borges mexeu na partida. Sentes que conseguiu entender o que o jogo estava a precisar e ao mesmo tempo já olhar e pensar no jogo de estreia na Liga dos Campeões?
Sim, o Rui Borges faz três alterações ao minuto 67, portanto ali a meio da segunda parte, num período em que o jogo estava um pouco morto, porque o Sporting chegou ao 2 x 0, mas também não carregou para ir à procura do 3 x 0 e o Nacional também não teve grande reação. Portanto, as entradas do Luís Guilherme, do Iracunda e do Ioannis foi para dar um pouco mais de energia aos Leões, mas sobretudo a pensar nesse jogo da Liga dos Campeões contra o Galatasaray na quarta-feira. Repara que o Rui Borges retira o Luís Suárez, que não tem sido muito típico. Aliás, ele até tem juntado o Ioannis e o Suárez nas últimas partidas, mas desta feita fez uma troca direta na frente de ataque. Retira também o Zalazar.
O Zalazar hoje esteve um pouco abaixo.
Sim, é um jogador que me parece ainda desencaixado da manobra do Do Sporting. De fato, dentro do ataque, pensando em Flávio Gonçalves, que tem estado muito bem, o Catamuj não tão bem, mas apesar de tudo é um jogador que marca diferenças, o Suárez a crescer, o Zalazar ainda está um pouco desintegrado e nota-se que ainda lhe falta alguma naturalidade nos movimentos, se encaixar na equipe de outra forma. Mas se calhar num contexto como a Champions, havendo mais espaço para ele galgar naquelas arrancadas muito típicas, se calhar até pode beneficiar o Zalazar. E nessa perspectiva, creio que o Rui Borges também já fez uma gestão mais cuidada. Aliás, ele próprio assumiu no final do jogo que houve essa preocupação, inclusivamente com a saída mais tarde do Maxi Araújo, com a entrada do Vaiana Ides, também já foi a pensar nessa partida da Liga dos Campeões, até porque o jogo contra o Nacional estava no bolso.
Filipe Coelho, falta-nos ficar a saber o melhor e o pior. Vamos começar pelo o melhor, o que é que há de melhor a retirar deste encontro?
O retorno de Luís Suárez, verdadeiramente. Ainda não está naquela versão da temporada passada, mas está próximo cada vez mais dessa versão. É o terceiro jogo consecutivo do colombiano a marcar. O envolvimento com a equipe está também cada vez mais presente. É um jogador que oferece muitos movimentos em apoio, é muito astuto na leitura dos espaços, sabe onde aparecer, sabe onde cair, nomeadamente na esquerda, foi capaz de combinar com o Maxi Araújo. Além do mais, é decisivo porque está ligado de forma direta aos dois gols do Sporting.
Falta-nos então saber o que é o pior deste encontro.
O pior acaba por ser a exibição geral do Nacional. Foi uma equipe verdadeiramente inoperante em Alvalade, apenas dois remates enquadrados com a baliza do Rui Silva. O Bruno Abreu manteve a estrutura que o João Gião tinha utilizado nas primeiras jornadas. Um 3-4-3 foi muito mais um 5-4-1, embora tenha puxado Matheus Dias para o meio-campo, mas o Nacional não foi capaz de ligar jogo ofensivo, foi uma equipe também débil do ponto de vista defensivo. Aliás, a prova disso mesmo é aquela abordagem do Léo Santos no lance que dá o pênalti ao Sporting. Portanto, é uma equipe que está curta a nível de confiança. Faltaram aqui jogadores importantes também, como o Liziero e o Philip Soares, que poderia dar algum corpo ao meio-campo da equipe madeirense, mas de fato foi uma exibição bastante pálida e não foi pior. E este é um melhor dentro do pior. Não foi pior porque o Renato Marino, o guarda-redes do Nacional, que está emprestado pelo PSG, acabou por fazer três, quatro intervenções de grande nível. Caso contrário, talvez o Nacional regressasse à Madeira com meia dúzia no avião.
Está feito o relatório de jogo assinado pelo Filipe Coelho. Filipe, um grande abraço. Até uma próxima oportunidade.
Um abraço, muito obrigado.