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22ª jornada do campeonato teve encontro insular para o Foco do Porto, que se deslocou à Madeira para vencer o Nacional por um gol a zero, num jogo que começou num horário bem agradável, às 15h30, muito sol, sem qualquer espécie de nevoeiro e sem grandes margens para dúvidas. Também a vitória do Foco do Porto, apesar de ter sido pela margem mínima, foi o melhor em todo o jogo, Augusto Inácio.

Se olharmos para aquilo que foi os 90 mais os descontos, eu diria que o Porto mereceu ganhar o jogo. Mas atenção, que a entrada do Nacional na primeira parte foi muito mais positiva que a do Foco do Porto. O Foco do Porto lá conseguiu encontrar o seu caminho, lá conseguiu encontrar o seu ritmo perante um Nacional muito bem organizado defensivamente e que tentava sempre incomodar a baliza do Foco do Porto. A grande verdade é que a grande oportunidade da primeira parte é do Nacional, através de um pontapé de canto que o Xuxa Ramirez rematou e a bola praticamente foi ao encontro do Diogo Costa. Se olharmos para aquilo, depois foi um jogo dividido, foi um jogo com alternâncias, umas vezes o Nacional por cima, outras vezes o Foco do Porto, mas em termos de oportunidade de gol, praticamente o Porto, na primeira parte, não conseguiu construir uma. Houve um pontapé de canto, é verdade, Dani Jules de cabeça, rematou à baliza, mas o guarda-redes do Nacional defendeu, diria que sem grandes dificuldades. Há aquele remate também do Dani Jules sozinho à frente do Kaique, mas o Rodrigo Moura estava fora de jogo, não é considerado uma oportunidade e praticamente ficou por aí as intenções ofensivas do Foco do Porto, sem criatividade, com o PP sempre ligado à corrente. Rodrigo Moura pouco no jogo, Fra Holte pouco no jogo, Dani Jules também pouco no jogo. Eu diria que o Porto teve mesmo muitas dificuldades, a não ser quando o Óscar Pietrusewski, salvo que é assim que se diz, tentou também-

Vamos desculpar também.

Fica o Óscar.

O Óscar é tão bom.

Fica o Óscar.

Tão fácil dizer.

E o Óscar, com 17 anos, conseguiu realmente, de vez em quando, aqui ou acolá, levar a equipa pra frente e tentar marcar a diferença, mas foi realmente um Porto, diria, curtíssimo pra aquilo que era as ambições de ganhar o jogo. Agora, na segunda parte, tudo foi diferente até um certo determinado momento. Diferente dos primeiros 15 minutos, diferente porque o Porto foi mais intenso, diferente porque o Porto ganha um outro volume ofensivo, outras dinâmicas, outra criatividade também, outras combinações. O que é certo é que o Nacional praticamente não saiu da sua área, porque não tinha capacidade para chegar à frente da baliza do Porto, a não ser no remate fora da área à figura do Diogo Costa. Eu diria, e disse aqui depois, durante o comentário, que este é o melhor período do Porto e se o Porto não aproveitasse este melhor período pra fazer um gol, depois iria sofrer. O que é certo é que o Porto marcou através de um canto, Bernard, que parece que é fácil, mas ele até parece que vai buscar a bola atrás e tem o gesto técnico perfeito, porque fez um a zero.

Foi um passe pra baliza com a cabeça. Falamos muitas vezes do passe, a bola pra baliza.

Mas ele enquadrou-se bem à medida que a bola ia chegando ali àquela zona. Enquadrou-se bem.

E o cabeceamento não precisou de ser fulminante.

Não, basta só desviar. E praticamente até surpreendeu os defesas centrais ou os defesas que estavam com ele na disputa dessa bola. Mas depois acontece aquilo que às vezes o Porto faz e, na minha opinião, não faz bem. É que o Porto, com essa dinâmica toda, se conseguisse manter essa dinâmica, não iria dar oportunidade nem confiança ao adversário de sequer poder pensar, embora pudesse haver essa reação. Mas se o Porto tivesse mantido aquele nível, provavelmente o Porto até era capaz de marcar mais gols. Mas o Porto não. O Porto baixou a intensidade, baixou o bloco, não pressionou já tanto na frente e o que é certo é que aos poucos o Nacional foi ganhando essas oportunidades de acreditar que podia chegar à igualdade. E depois viu-se um Porto realmente, eu diria, aflitivo, sofrido, porque houve ali lances, não que o Diogo Costa fizesse grandes defesas, que não fez.

Mas a bola andou ali a saltitar dentro da área.

Não que houve realmente grandes oportunidades no Nacional, que também não teve, mas a bola andou ali a rondar a pequena área do Porto e as coisas podiam acontecer.

Um pouquinho a semelhança do gol marcado por Fofana frente ao Sporting.

Exatamente.

Neste caso, a bola esteve em situações semelhantes.

Exatamente. Mas o que é certo é que o Porto, depois desse sofrimento, começou a refrescar a equipa, viu-se depois um Fofana entrar outra vez, viu-se um Muffi pela primeira vez. E aqui não posso ter uma ideia clara daquilo que é o Muffi. O Muffi, como disse o Luiz Pinto Coelho, é um jogador que vem de uma paragem muito longa, vem de um ano. Pareceu-me a mim que ele entrou no pior período do Porto, mas pareceu-me a mim que havia falta também, e é natural que um jogador esteja tanto tempo parado, com alguma falta de confiança, alguma falta de ritmo de jogo, acima de tudo. Mas isto não se pode dizer que em 15 minutos fazer um retrato do que é este Muffi. Não posso dizer isso, vou esperar por outras oportunidades. Mas diria que o Porto ganha um jogo e ganha um jogo com uma importância que talvez as pessoas nem imaginem. Para quem esteve lá dentro e sabe como é que é essas coisas da estabilidade, do momento psicológico, do lado mental, do lado em que realmente a desconfiança pode entrar com facilidade. O Porto vinha dois jogos sem ganhar, vinha de uma derrota traumatizante no Casa Pia, vinha de um empate ainda por cima no último segundo da partida com o Sporting, podia marcar a diferença com a perda do Samu, que é um jogador também muito importante no Porto. Eu diria que o Porto, se não ganhasse esse jogo aqui no Nacional da Madeira, poderia, no futuro, que essas vantagens pudessem voltar outra vez ao de cima, até porque bate-se naquela tecla, porque o Farioli, no Nice, no Ajax o ano passado.

Sim, a questão dos fantasmas.

Os fantasmas.

As grandes esperanças dos adversários do Foco do Porto estão todos neste caso desses fantasmas.

Exatamente. E eu não estou a dizer com isso que os fantasmas desapareceram, mas pelo menos cada jogo que se faça, cada vez que o Porto ganha, é realmente uma desmotivação depois para os adversários que estão a correr atrás dos pontos e se o Porto não ceder, vão ter muito mais dificuldades também em ganhar os seus jogos. Por isso eu diria também que é um Porto que nos últimos dois jogos também sofreu gols e agora não sofreu, por isso garantiu a vitória. Eu diria que é uma vitória muito, mas mesmo muito importante para o Porto em termos futuro, porque vem um calendário também complicado, difícil, como é para o Porto, como é para Sporting, como é para Benfica, como é evidente, mas o Porto que vai à frente precisa de ganhar este campeonato e que tem estes pontos de avanço. Eu diria que esta vitória, como se costuma dizer, caiu como sopa no mel.

Augusto Inácio, eu quero saber o que é que pra ti, esta tarde na Choupana, foi o pior neste encontro entre o Nacional e Foco do Porto, sendo que temos a certeza que não vai ser o nevoeiro, que são sempre boas notícias.

É verdade. O pior para o Porto, na minha opinião, foi a primeira parte, em que o Porto não conseguiu sequer construir uma oportunidade de gol, daquelas que se diga, foi uma jogada combinada, bem delineada e bem concluída no sentido que se rematou à baliza. Eu diria que o Porto foi incapaz de desmontar a bela organização defensiva que o Nacional teve e se apresentou no jogo.

Realmente, está feita a análise daquilo que é pior para assinar o relatório, para o entregar. Falta ainda saber, e para fechar, Augusto Inácio, o que foi o melhor nesta tarde na Ilha da Madeira?

Várias coisas boas para o Futebol Clube do Porto e também para o Nacional, mas principalmente para o Futebol Clube do Porto. Os primeiros 15 minutos da segunda parte, que eu disse aqui também nos comentários, que o Porto tinha que aproveitar esse melhor momento para fazer um gol, porque senão as coisas iam se complicar e ia ter muita dificuldade. O Porto faz realmente o gol e foi esse o melhor período que fez com que o Porto ganhasse este jogo. Depois diria também que o melhor jogador em campo foi realmente o Evanilson, autêntico capitão, um jogador que marcou o gol da vitória e não só isso. Marcou o gol da vitória e também salvou uma situação de perigo na sua área, que podia ter dado o empate ao Nacional.

Foi um box to box em jogo aéreo, nesse caso.

Um box to box, por isso foi realmente o melhor jogador em campo, seguido de Pepe, que na minha opinião, até sair, esteve sempre ligado à corrente, esteve sempre pronto para ajudar a equipe defensivamente e ofensivamente. Acho que também fez uma bela exibição. Também as homenagens que foram feitas ao Samu, através do gol do Evanilson com a camisola, para dar força e apoio ao seu colega de equipe e também pelos jogadores, pelo treinador, pelo presidente, pela administração do Futebol Clube do Porto, não se esqueceu, um ano após a morte de Jorge Pinto da Costa, de o homenagear.

Fica também essa nota aqui do Augusto Inácio. Augusto Inácio, está feito e entregue o relatório de jogo deste Nacional zero, Futebol Clube do Porto um. Um grande abraço, é sempre um gosto. Até a próxima.

Um abraço também.