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Uma decisão tomada no gabinete sem conhecimento do terreno. Foi desta forma que José Manuel Sá, proprietário do restaurante Barrosã, em Alvalade, descreve as medidas hoje anunciadas pelo governo.
Não sei para que serve isso, sinceramente, acho que é ad hoc, é feito sem sentido e sem conhecimento de quem está. É das tais medidas de gabinete que não se conhecem o terreno.
A partir de dia 15, neste restaurante, a menos de 300 m de uma escola básica, apenas são permitidos grupos de quatro pessoas no interior. Se chegar um grupo de cinco, José Manuel Sá conta com momentos de tensão.
Não sei como é que vai ser, porque as pessoas chegam aqui e é um pólo de conflito. Chegou aqui um grupo de cinco pessoas, o que nós vamos dizer? "Olhe, não, tem que ficar na outra mesa à parte, aqui ficam quatro, fica o outro na outra mesa". Nós é que vamos ter capacidade para dizer se as pessoas coabitam, se não coabitam. Quem nós somos para isso?
Já Delfim Canotilho é proprietário de um café, uns metros ao lado do restaurante de José Manuel Sá. E a pergunta é a mesma: como é que vai controlar o número de pessoas?
Não vai ser fácil. Sendo eu a trabalhar sozinho e ter que estar com sete olhos a olhar para todos os lados e com medo das fiscalizações. Não vai ser fácil a gente conseguir.
A verdade é que a decisão está tomada e a partir de dia 15 estes dois estabelecimentos não vão poder ter um grupo com mais de quatro pessoas no interior.