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À porta da Assembleia da República, foram muitos os discursos de diferentes áreas, mas havia um mote em comum.

Pessoal, uma coisa eu peço: só queremos trabalhar.

A tarde começava a trazer centenas de manifestantes para esta zona, que além de ser o coração de Lisboa, é também o da democracia. Por ali chegavam pessoas de todo o país, que trabalham no setor da restauração, nos transportes, no turismo ou nas discotecas. Adelino Santos é gerente de um restaurante. Veio de Barcelos para demonstrar o desagrado. Diz que não ganhando dinheiro, não se podem pagar impostos.

É insuportável. Como é que nós não estamos a trabalhar, mas chegando ao dia 25, como hoje, concretamente, temos que pagar as contribuições ao Estado? Ninguém consegue fazer algo do gênero se não faturar.

Do palco, alguns gerentes admitem que ter de despedir trabalhadores foi uma decisão difícil.

Eu tive que fazer um despedimento coletivo de 37 pessoas. Foi a pior coisa que eu já tive que fazer na minha vida.

Ouvam-se panelas e tachos à frente do Parlamento. Os que não se conformam fazem questão de fazer barulho. São várias as reivindicações que trazem essas pessoas à rua. É a nona manifestação deste movimento Sobreviver a Pão e Água. Uma das caras desta iniciativa é Lubomir Stanznic. O chefe deixa claro que caso o governo não responda, os protestos vão continuar.

Nós não vamos parar. Todas as semanas nos vamos manifestar. As pessoas já querem fazer greve de fome aqui em frente, porque não estão a aguentar mais os negócios.

Por isso mesmo, é um ponto final, mas não é parágrafo. Os manifestantes encostam o governo à parede. Dizem que ou deixam as pessoas trabalhar ou pagam para que elas não trabalhem.

Senhor Primeiro-Ministro, o resto da Europa paga para eles estarem fechados!