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A repórter Magda Cruz está junto a este prédio na Rua do Terreirinho, na Mouraria. Magda, ontem o trabalho dos bombeiros terminou por volta da 01h30. A esta hora o acesso ao prédio continua vedado, naturalmente.

Bom dia, Diogo. Seria de esperar que o acesso estivesse vedado, mas isso não acontece. As portas estão abertas, as janelas ficaram partidas. Estamos a falar de portas e janelas de madeira. Portanto, dá para ver todo o interior deste rés do chão. Posso te descrever que se trata apenas de um espaço com vários beliches de contraplacado, um beliche de ferro com contraplacado e alguns tecidos para fazer a cobertura das camas. Isto depois da agitação de ontem, a manhã é muito mais calma, mas as pessoas não param de chegar aqui à Rua do Terreirinho para ver as condições em que ficou este rés do chão na Mouraria. Este rés do chão não tem condições para as pessoas passarem a noite, naturalmente. O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, garantiu alojamento para todas elas. Antigamente, como nos contam vários moradores, era um armazém. Passou depois a alojamento local há cerca de um ano e podemos ver também que há um edital de insolvência no prédio que data de dezembro do ano passado. A Rádio Observador falou com vários dos moradores, entre eles Manuela Silva, nascida e criada na Mouraria. Diz que é recorrente ver casas em mau estado serem habitadas. Ontem à noite a moradora estava a passear o cão quando viu o incêndio, deu o alerta à comunicação social. O alerta às autoridades já tinha sido dado. Manuela Silva fala de más condições do rés do chão.

É recorrente. Olhe, isto é assim, nestas casas aqui, como os senhores podem ver e podem filmar, são colchões, isto são camaratas autêntico. Por quê? Porque isto é assim: eu alugo uma casa por um valor e a seguir vem essa pessoa que me aluga, vai subalugar pelo dobro. Obviamente, a casa tem que estar 10, 15, 20. Acontece aqui embaixo no Bem Formoso. Não há maneira de segurança isto.

Aqui o registro de Manuela Silva, a moradora que deu o alerta à comunicação social para o fogo. Também Manuel Nunes, vive do outro lado da rua há 50 anos e culpa a gestão do presidente da Junta de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, pela má gestão da habitação aqui na zona da Mouraria.