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São 8 horas. Este é o Jornal das 8 na Rádio Observador, com a edição do Miguel Gato. Miguel, a PSP voltou a avançar sobre os manifestantes acampados em Lisboa e no Porto. Registaram-se momentos de tensão. Treze pessoas foram detidas, sete no Porto e seis em Lisboa.
Números confirmados pela Polícia de Segurança Pública. O movimento da acampada diz que há mais de 50 feridos entre os manifestantes, tanto na capital como na cidade Invicta. A nova carga policial aconteceu por volta das 4h30 da manhã, em simultâneo, na Praça do Rossio e na Praça Dom João I. As pessoas concentradas nestas duas praças não respeitaram a ordem da Polícia de Segurança Pública, que fez três avisos aos manifestantes para que desmobilizassem. Já durante o dia de ontem tinha avisado que não ia permitir a utilização de tendas, a instalação de tendas nas praças a partir da meia-noite e meia. Já esta manhã, o subintendente e porta-voz da PSP, Sérgio Soares, explicou a partir da esquadra do Martim Moniz, para onde foram transportados os seis detidos em Lisboa, que a polícia foi paciente e tentou dialogar e negociar com os manifestantes.
Tivemos mais tempo também em vias de negociação, de mediação, de diálogo e, portanto, essa via foi esgotada, porque também tivemos cerca de três horas, mais ou menos, a tentar dialogar e a negociar com os manifestantes. E quando decidimos intervir, depois de esgotados todos estes momentos e quando verificamos que de fato os manifestantes não iam aceder às nossas solicitações, foi nesse momento que decidimos colocar o corpo de intervenção no terreno.
O porta-voz da PSP, Sérgio Soares, reconhece ainda o recurso à força física durante a operação, mas diz que esta carga policial foi justificada pela resistência oferecida pelos manifestantes.
Se me pergunta se há algum tipo de uso da força mais extremo, diria que sim, para consumar o nosso avanço para a retirada dos manifestantes. Todavia, a nossa intervenção tentou ser o mais proporcional, adequada e necessária possível para evitar males maiores e para evitar ofensas à integridade física nos manifestantes. Todavia, tivemos que empregar a força física que vocês verificaram, tendo em conta a resistência muito ativa por parte dos manifestantes.
As declarações do subintendente da PSP, Sérgio Soares, aos jornalistas esta manhã na esquadra do Martim Moniz, em Lisboa, garante que a carga policial que aconteceu esta madrugada foi proporcional. Sérgio Soares confirma ainda a presença de três agentes da PSP à paisana no Porto, momento que gerou tensão entre a polícia e os manifestantes esta madrugada, como nos dá conta o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, que acompanhou a carga policial desta noite.
Ao contrário do que se verificou na semana passada, os manifestantes reuniram-se na Avenida dos Aliados, até que houve novo momento de tensão, porque enquanto uns manifestantes grafitavam a fachada da Câmara Municipal do Porto, apareceram uns civis que alguns manifestantes identificaram como sendo polícias à paisana, que com bastões extensíveis, tentaram impedir esses manifestantes que faziam os grafites e prontamente, também como observou o Observador e como registaram também muitas câmeras no local, um desses civis identificados como sendo um paisana da polícia, pegou numa arma de fogo, numa pistola, e tentou afastar os manifestantes, que entretanto foram na direção desse civil, de outros também que não estavam fardados.
O relato do Miguel Pinheiro Correia, que acompanhou toda esta madrugada de tensão no Porto. Em Lisboa, a intervenção policial foi mais rápida do que na semana passada e desta vez os manifestantes arremessaram objetos pirotécnicos contra o corpo de intervenção da PSP. O relato é do jornalista David Bileu.
Uma intervenção muito rápida, muito eficiente. Houve o lançamento de petardos, houve também muita pirotecnia, muito fumo, muita fumarada, principalmente quando as autoridades chegaram aqui junto das tendas que os manifestantes tinham colocado à frente para, de uma certa maneira, tentar impedir o avanço ou abrandar o avanço das autoridades. Os manifestantes depois recuaram para a Praça da Figueira, onde alguns deles retiraram as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado natal, que está montado, e para além de retirarem as barreiras metálicas e colocarem à frente novamente para impedir o avanço da Polícia de Segurança Pública, também invadiram esse mercado natal e acabaram por destruí-lo em grande medida. Depois, a Polícia de Segurança Pública voltou a avançar sobre os manifestantes e obrigou-os a ir para a Rua da Madalena, onde estiveram cercados, onde a polícia não permitiu que eles seguissem para o Martim Moniz, como tinha acontecido no sábado passado, e por isso eles depois subiram para a Mouraria, mas muito rapidamente começaram a dispersar. De fato, a situação aqui em Lisboa, os ânimos acalmaram muito rapidamente, porque os manifestantes dispersaram também muito rapidamente.
David Bileu, jornalista da Rádio Observador, que acompanhou a ação da PSP esta madrugada na Praça do Rossio. Entretanto, a situação em Lisboa e no Porto é mais calma. Decorrem os trabalhos de limpeza, tanto na Praça Dom João I como na Praça do Rossio. Há registro de 13 detidos, números oficiais da Polícia de Segurança Pública, transmitidos esta manhã pelo porta-voz Sérgio Soares, e ainda 50 feridos, segundo o movimento Acampada.
Vamos às reações políticas, Miguel, sobre este protesto que contou, em Lisboa, com a presença de quatro deputados.
Sim, Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, também Jorge Pinto, Paulo Muacho e Isabel Mendes Lopes, do Livre. Os deputados ficaram na Praça do Rossio até o momento da carga policial, inclusive instaram a PSP a não avançar sobre os manifestantes, acabaram por ser retirados do local pelo corpo de intervenção da Polícia de Segurança Pública. Depois da carga policial, ou ainda durante, a porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, criticou a atuação da polícia.
Inconcebível. E por isso é que nós estamos aqui mais uma vez e é inconcebível que se repita. Eu não percebo como é que isto pode estar a acontecer. Não percebo como é que
Algum democrata se revê nisto? Isto não é democrático.
Acha que o Presidente da República está acordado a ver isto?
Espero que sim. Espero que o país todo esteja acordado a ver isto, porque já sabia que podia haver esta possibilidade e aparentemente está a se repetir. Espero que todos estejam acordados a ver isto, sim. Espero que o senhor Presidente da República também esteja.
O primeiro-ministro também?
Toda a gente. Eu não acredito que o primeiro-ministro não esteja a ver isto atentamente.
A porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, ainda junto à Praça do Rossio durante esta madrugada, quando aconteceu a carga policial sobre os manifestantes pela habitação. Entretanto, surge também a reação do ex-secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, que reagiu à intervenção policial desta madrugada através da rede social Instagram. O também deputado do PS aponta responsabilidades às forças de segurança e a quem ordenou a operação. Fala de uma carga policial inadmissível.
Uma semana depois, as forças de segurança voltam a carregar sobre manifestantes pacíficos em Lisboa e no Porto. Não se passou nada que justificasse mais esta carga policial. As autoridades podiam ter esperado que as manifestações acabassem por desmobilizar espontaneamente, como é óbvio que acabaria por acontecer. Não foi essa a decisão. As autoridades, as forças de segurança, mas com certeza também o governo, optaram, escolheram reprimir pela força o direito ao protesto, o direito à manifestação. Os responsáveis pela desordem nesta madrugada não foram os manifestantes. Foram as forças de segurança e quem lhes deu orientação para atuarem desta maneira. Por quanto mais tempo vamos permitir que isto continue a acontecer no nosso país? O que o governo pensa fazer para acabar com estas cargas policiais?
O antigo secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos, nesta reação à carga policial que aconteceu esta noite, tanto em Lisboa como no Porto, à semelhança do que aconteceu na semana passada, Pedro Nuno Santos a condenar a ação da PSP, a falar de uma ação que foi inadmissível.
E ainda antes desta ação policial, o secretário-geral do PSD, Hugo Soares, disse que os partidos devem deixar os interesses egoísticos sobre os problemas na habitação e procurar soluções para os portugueses.
Declarações do líder parlamentar do PSD, que falou ontem à noite aos jornalistas em Leiria para apontar à oposição. Diz Hugo Soares que os partidos estão a ficar presos no que considerou ser a trica partidária e assegura ainda que o governo está a dar prioridade à crise na habitação.
Eu creio que este é um tempo em que os partidos devem deixar os interesses egoísticos partidários e olharem para aquilo que realmente interessa, e aquilo que realmente interessa é encontrar soluções para os problemas das vidas das pessoas, nas mais diversas áreas e na habitação também.
Hugo Soares, o líder parlamentar do PSD, a garantir que o executivo está focado em resolver os problemas da habitação e aqui a dar conta de que o governo está atento e também está focado em resolver os problemas dos portugueses.
Vamos ao desporto neste jornal das oito. O Futebol Clube do Porto goleou o Estoril Praia por 4x0.
E com este triunfo, o Futebol Clube do Porto mantém o registro 100% vitorioso no campeonato nacional. Francesco Farioli fala num jogo que foi difícil de preparar, mas destaca também a entrada forte da equipe em campo.
Nós também tínhamos que estar preparados para o desconhecido, pois com uma recente mudança de treinador, não havia muitas coisas para estudar e preparar. Vimos algumas alterações, por isso estávamos bastante curiosos para entender como eles lidariam com as diferentes fases do jogo. A nossa abordagem foi muito positiva. Geramos nos primeiros 15 minutos muitas situações realmente boas e é sempre bom marcarmos gols como fizemos.
Francesco Farioli aos microfones da Sport TV. Ora, com esta vitória do Futebol Clube do Porto, os Dragões seguem invictos no campeonato, 100% vitoriosos, com 30 pontos. Levam oito pontos de vantagem sobre o Benfica, que ainda não jogou esta jornada, joga amanhã frente ao Alverca no Estádio da Luz, o Futebol Clube do Porto, que tem nove pontos de avanço sobre o Sporting.
É o ponto final no jornal das oito, que teve edição do Miguel Gato.