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Os primeiros partidos a serem ouvidos pelo Presidente da República chegam a Belém a acreditar numa maioria absoluta aberta ao Parlamento.
Que seja um governo que esteja disponível para o diálogo.
Não seria um governo ensimesmado, mas que funcionaria em diálogo com outros partidos.
Rui Tavares, do LIVRE, e Bebiana Cunha, do PAN, representam os partidos que só vão ter um deputado no Parlamento. Vêm com fé, mas também têm desenhado uma estratégia contra portas fechadas.
A bola vai estar do lado do governo. Se o governo menorizar o Parlamento, nós iremos diretamente, como de qualquer forma faremos sempre, para a sociedade civil. Em relação à estratégia parlamentar, o LIVRE não falará só com o Partido Socialista. Pediremos reuniões ao Partido Comunista Português, ao Bloco de Esquerda, ao PAN também.
Do lado do PCP, mais cautelas.
Resultante dessa própria maioria absoluta, onde o PS se sente confortado, naturalmente, pode fechar possibilidades reais de convergência.
A crença apaga-se quando chega a comitiva do Bloco de Esquerda.
As maiorias absolutas são muito permeáveis ao poder econômico, como nós sabemos, e não deixaram boas memórias em Portugal. E por isso é verdade, há um trabalho muito exigente de oposição, eu diria reforçadamente exigente, para garantir que o interesse público é respeitado.
Depois dos fracos resultados eleitorais, Catarina Martins garante que está de pedra e cal no bloco.
Eu tenho ouvido alguns caçadores de cabeças, aliás, ouvi até com alguma curiosidade, por exemplo, um ex-dirigente da direita, atual advogado de negócios, que tem vivido dos negócios das privatizações, dizer que se ia ver livre das meninas do Bloco. Lamento imenso desiludir. O Bloco de Esquerda não decide a sua direção de acordo com resultados eleitorais. Sinto-me muito confortável com o mandato que os meus camaradas e as minhas camaradas me deram para coordenar o partido e que eu cumprirei.
Jerónimo de Sousa precisa de menos palavras, mas diz o mesmo.
A questão não está colocada.