A associação Próxima Geração, que dá formação sobre participação cívica juvenil, defendeu esta segunda-feira que para os jovens se sentirem ouvidos é preciso dar-lhes “espaço nos lugares de decisão”.

Numa altura em que milhares de jovens têm participado em protestos sobre o direito à habitação, sobretudo em Lisboa e no Porto, a presidente da associação, Fabiana Fernandes, disse à Lusa que os jovens devem fazer-se ouvir através de manifestações, mas também participando em órgãos para os quais possam ser eleitos como para as assembleias municipais ou Assembleia da República.

“É (preciso) existir representatividade dos jovens nos grupos parlamentares, é (preciso) existir representatividade dos jovens nas assembleias municipais e nos quadros das empresas”, apelou Fabiana Fernandes.

Ainda sobre as manifestações das duas últimas semanas, a responsável disse que os protestos serviram para expor o posicionamento dos jovens em relação a uma “questão que é crítica” para o futuro.

“Os jovens querem que se encontrem soluções que tenham em conta as suas opiniões e que tenham em conta também as suas experiências“, referiu a presidente da associação, indicando que os protestos devem ser sempre pacíficos.

Sobre os contributos que os jovens podem dar na política, Fabiana Fernandes deu como exemplo a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2027 para a qual podem apresentar propostas na área da educação.

“É importante que os jovens percebam que podem influenciar, que podem ter uma palavra a dar e que podem, eles próprios, construir soluções para o futuro que queremos ter e para o futuro que ambicionamos ter”, disse a responsável da associação sem fins lucrativos.

Fabiana Fernandes deu mais exemplos de formas como os jovens podem ter uma participação cívica, mencionando a assinatura de petições e a criação de associações.

A associação abriu esta segunda-feira candidaturas para um programa de formação em liderança cívica e política para jovens entre os 16 e os 30 anos.

As candidaturas decorrem até 09 de novembro no site da associação e o programa combina sessões online semanais com quatro fins de semana presenciais em diferentes regiões do país.

Entre fevereiro e maio de 2027, 25 jovens vão aprender como funcionam as várias instituições do Estado e de que formas podem ter uma participação mais ativa na sociedade. O programa já formou 100 jovens desde 2022.