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Sim, Luís, muito por conta de um relato de uma moradora de um prédio que fica colado a este armazém. Ela relata as condições não só em que vivem estas pessoas, e que eu tive a oportunidade de observar, mas também da vizinhança, e disse-me que tem sido insuportável viver aqui nos últimos anos. Queixa-se do cheiro, do barulho. Conta também que já houve uma tentativa de homicídio dentro deste armazém transformado em habitação ilegal. Um comerciante de uma loja localizada aqui perto também contou que nota este movimento de pessoas com alguma regularidade há cerca de dois anos e a moradora do prédio adjacente acusa ainda o presidente de uma igreja evangélica situada aqui mesmo ao lado do edifício onde moram estas pessoas, na Rua Dom Afonso Henriques, em São João da Talha, de ser o responsável pelo arrendamento dos quartos. Eu tive a oportunidade de entrar no armazém, como já referi, depois de alguns moradores desta habitação ilegal se mostrarem disponíveis para que eu visse o espaço. O armazém é composto por dois pisos com vários quartos, são cerca de 60 quartos, uma cozinha comum e duas casas de banho, num edifício que está completamente degradado e sem as condições mínimas para se habitar. Vivem aqui mais de 50 pessoas dentro deste armazém em São João da Talha. Garantiram que vivem também crianças neste edifício. Foi ainda possível ver o preçário para se conseguir aqui um quarto. Um quarto de casal tem o preço fixado nos €370. Um quarto de solteiro custa 270 e o preço por criança dentro do edifício é de €25. E como já referi, a PSP encetou aqui hoje uma operação neste edifício, no sentido de identificar as pessoas que aqui vivem e de analisar o espaço. A operação terminou perto das 10h da manhã. Este armazém em São João da Talha, concelho de Loures, transformado em habitação ilegal. Aguarda-se ainda um balanço final da Polícia de Segurança Pública. Já o presidente da autarquia de Loures, Ricardo Leão, confirmou à Rádio Observador que vai ser lançado um comunicado sobre a situação.