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Eu estava a olhar para a televisão, lembro-me de ter dito ao meu colega: "Vem cá, estamos em guerra, o que se passa?"

Estávamos em meados de abril. Paula Lopes Godinho tinha acabado de sair do coma. Esteve 40 dias nos cuidados intensivos do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, a recuperar da Covid-19.

Tudo vazio. As imagens que mostravam, eu não tinha tido a perceção do que estava a acontecer. Começo a achar aquilo tudo muito estranho, as notícias que davam, porque há falta de bens e porque há filas para o supermercado. Aquilo para mim era: "Estamos o quê? O que aconteceu, uma guerra? O que aconteceu?"

As televisões mostravam um mundo que Paula não conhecia. No dia em que deu entrada no hospital, a 15 de março, Portugal tinha 245 casos confirmados de infecção. E apesar da ameaça que pairava, a vida seguia normal. Quando acordou, eram mais de 20 mil infecções e 800 mortes. O país já estava em estado de emergência há um mês.

É como se não tivéssemos nada nosso, o que aconteceu? Tiraram tudo. E as miúdas estão bem? Lembro-me de ter telefonado: "E as miúdas? Estão aqui. Não foram para a escola?" "Paula, elas estão a ter aulas online." E eu completamente: "Mas online, o que é isso?" Eu estava completamente baralhada. Não atinava com isto.

Ainda demorou até que percebesse o que se estava a passar. Recuamos um ano. 3 de março de 2020.

Notícia de última hora: há dois novos casos de coronavírus em Portugal. São dois casos que se juntam a outros dois, um deles no Hospital de São João, na cidade do Porto, o outro também na cidade do Porto, mas no Hospital de Santo António. Portanto, até agora, quatro casos confirmados de coronavírus em Portugal.

Enquanto Itália já contava com 79 mortes por Covid-19 e Espanha registava a primeira vítima, Portugal lidava com os primeiros casos de infecção. Os doentes eram internados em quartos de pressão negativa. No Porto, com duas pessoas infetadas, mas muitas suspeitas, os hospitais de São João e de Santo António esgotavam a capacidade para garantir essas condições a todos. Nesse dia, o Primeiro-Ministro visitou o Hospital de São João e falou com um dos infetados.

Pude falar à distância, obviamente, com um dos pacientes, que, aliás, já teve a confirmação que está contaminado positivamente com o Covid-19 e que com um bom estado de saúde e comunicámos por gestos.

O Presidente da República deixava o protagonismo para António Costa.

Quando o governo entender que é adequado o presidente ir, o presidente irá. Sabem que por vontade do presidente, já lá estava. Mas aqui o protagonismo tem que ser dado ao governo, é o governo que tem a função executiva e o Primeiro-Ministro quis chamar a si ao mais alto nível.

Marcelo Rebelo de Sousa já começava a pôr em prática o distanciamento social, com menos beijos, mas resistia a grandes alterações.

Hoje, aqui com os jovens, já eles foram mais parcimoniosos, mas não vi razão para alterar, até agora, o essencial do comportamento. Com bom senso, com alguma precaução, até por uma razão muito simples: não se pode ao mesmo tempo dizer que não há alarmismo e depois multiplicar as prevenções e as indicações de tal maneira que causa alarmismo.

Ainda não era altura para alarmismos. Lá fora, alguns países começavam a fechar escolas. No Reino Unido, o governo admitia quarentena em algumas cidades, mas era um cenário hipotético e improvável. Em Portugal, a ideia de um confinamento geral não passava de uma ideia. Quanto a Paula, sentia-se cansada. Com 56 anos, é enfermeira nas consultas externas do Hospital Dona Estefânia e responsável pela Unidade Móvel de Apoio Domiciliário, que acompanha crianças e famílias com doenças graves. Para além disso, coordenava a equipa intra-hospitalar de paliativos pediátricos.

Uma semana antes de ser internada, meti atestado porque estava extremamente cansada, mas não liguei, pensei: "Pronto, estou cansada, tenho estado a trabalhar muito, vou precisar de uma pausa". E estava mesmo embaixo. E depois tudo se agravou.

O marido de Paula foi o primeiro a ser internado. João é chefe de cabine em voos de longo curso na TAP. Tinha acabado de regressar de um voo em Brasília. Começou a sentir-se cansado e tinha febre. Os sintomas agravavam-se e a 13 de março, deu entrada no Hospital Curry Cabral.

Fizeram-lhe o teste, deu positivo e chamaram-me logo, porque ele disse: "Minha mulher também não está bem", mas eu sempre a negar. Eu disse: "Não, isto é uma gripezita, estou bem". Já estava a ficar com beralhadas e tudo, mas dizia que estava muito bem.

Acabou por fazer também o teste e no dia seguinte recebeu a notícia de que estava infetada com Covid-19. A 15 de março, foi internada no mesmo hospital que o marido.

Sei que cheguei lá, mas não me lembro de mais nada. Portanto, já não devia ir muito famosa. Lembro-me de terem dito qualquer coisa: "Vais ser ventilada, Paula, tens que ir para os intensivos, ok?" Acho, não tenho a certeza, porque eles disseram que sim. Telefonei à minha filha, telefonei às colegas, à equipa, a dizer que estava positiva e que ia ser ventilada e que ia ser internada, mas não me lembro disso. Mas sei que falei.

Paula ficou na cama ao lado do marido, na unidade de cuidados intensivos. Mas lembra-se pouco desses dias.

Tive algumas luzes ao longo do momento em que estive sedada. Tive a noção que puxavam por mim, que me incentivavam: "Paula, vê lá, o teu marido já está aqui." Primeiro era: "Teu marido está aqui ao lado, não sei o quê." Só me lembrava de pensar: "Mas está aqui ao lado a fazer o quê?"

João foi mais rápido a reagir. Esteve 10 dias em intensivos. Paula ficou 40. Não tem memória de nada em concreto, mas sabe que teve medo.

Muito medo. Eu não sei de quê, mas tive um medo terrível. Aliás, foi uma das coisas que eu falei com os colegas, estávamos a falar, e eu disse: "Olha, eu não posso, dor física, eu não senti nada, tenho que ser verdadeira. Não senti, não me lembro de nada. Agora, que tive um período de grande medo, tive um terror terrível. Não sei se era a morte, não sei se eram os monstros que eu via, mas era um medo brutal".

Paula tinha noção de que estava num hospital. Mesmo inconsciente, identificava sons que lhe eram familiares.

E as luzes. A sensação que eu tinha, eu não me lembro se abria os olhos, não, mas provavelmente até abriria. Nós, apesar de estarmos sedados, podemos ter movimentos, e via os quadrados das luzes, sabia que estava num ambiente hospitalar. Depois era o termômetro e era o falarem comigo: "Vá, Paula, tens que ajudar, ajuda a enfermeira". E punham fraldas. Eu tinha a noção, mas não sei se isto eram alucinações, se eram memórias, mas a fralda eu estou convencida que sim, porque eu sentia qualquer coisa. E então isto é ridículo, desculpem. No meio disso tudo, de ter uma miúda escoteira, não sei quem era, nem quem não era, quem eu via, a tratar de mim com a enfermeira. Então ralhava comigo a miúda, fedelha. "Paula, tens que ajudar a enfermeira, agora vira". E punha-me a fralda e tirava-me a fralda, mas eu sentia segurança com a miúda lá. Não sei se era alguém, não sei explicar. Aquilo pra mim eram alucinações. Eu via muitas crianças lá ao pé de mim, sempre.

Talvez fossem as memórias das crianças que cuida no Dona Estefânia, onde trabalha há 33 anos. Paula estava habituada aos cuidados intensivos enquanto profissional de saúde, mas agora via-se no outro lado.

Não é fácil. Não é fácil, sobretudo, não na altura em que estive nos intensivos, porque como eu digo, sedada, é muito difícil nós termos-- eu não me lembro de nada, tirando estas alucinações que tive, que depois já percebi que é normal quando estamos muito tempo sedados. Depois, o que eu senti? Depois de recuperar, depois de ser extubada, muito dependente dos outros, e isso pra mim foi terrível. Uma pessoa que está habituada a fazer tudo, a cuidar dos outros. Não estou habituada a cuidarem de mim, de maneira nenhuma. E essa parte de ter que ser dependente dos outros pra tudo, até para me puxar e para me sentar na cama, foi terrível.

Hoje, olha pra trás e acredita que esta experiência a tornou melhor profissional.

Enquanto cuidadores, enquanto profissionais, o fato de estarmos do lado de lá, dá-nos muito. Conseguimos perceber o que as pessoas passam, o que é que sentem. E eu acho que isso nos ajuda a ser melhores profissionais. Eu espero que sim, pelo menos. E acho que sim. Eu sempre me considerei, isto não é sei lá, ser soberba, nada disso, mas eu acho que sempre fui uma boa profissional. Sempre tentei dar o meu máximo. Mas é diferente a percepção que eu tenho agora. Ajuda-me a perceber muita coisa. Muita coisa que eu fiz nos intensivos, que eu agora percebo: "meu Deus, isto deve ser doloroso. Isto, se calhar, eu devo fazer mais o toque, devo falar com as pessoas". Percebe? Mesmo que elas não estejam cá, que estejam inconscientes. Eu fazia isso, mas fazia como se tinha aprendido e achava que devia ser. Agora eu tenho a noção que isso é importante. O toque é importante, porque a gente lembra-se dos toques, lembra-se de coisas mínimas, mas que são de uma importância brutal.

Esses pequenos gestos recorda muito bem. Dos colegas que puxavam por ela. "Paula, anda. Paula, tens que fazer um esforço. Paula, estamos aqui".

Eu fui muito mimada. Eu senti muito mimada. Na reabilitação, nos intensivos, assim, muito mimada. A noção com que eu fico é que eles me mimaram até dizer chega. A sério. Não sei se por eu ser colega, não sei responder a isso, mas eu também vi que eram muito carinhosos com os outros utentes que estavam lá internados. Portanto, não posso dizer que fosse só por mim.

E quando conseguiu entender melhor o que se estava a passar, percebeu a violência a que estavam sujeitos os colegas.

Eu lembro-me que houve uma altura, que enquanto eu estive internada, que havia colegas que iam dormir num hotel ali ou um quarto. Houve essa altura. Não viam a família há meses. Caramba! Não é? As pessoas têm necessidade de manter a sua família, o medo de transmitirem a doença. Mas foi muito difícil, as pessoas andavam, choravam. Quer dizer, volta e meia, como era uma lágrima no olho, porque a minha filha-- falava-se nos filhos, e a gente estava do lado de cá e eu olhava e dizia: "Caramba, coitada". Via-se que estava com o olho brilhante e que saudades e que não podiam ver. É tudo muito complicado.

Durante os 40 dias que esteve em cuidados intensivos, teve uma pneumonia e fez uma trombose na perna que a obrigou a ser operada. Quando acordou e pôde passar pra enfermaria, deparou-se com outras dificuldades.

Tinha muitas limitações. Eu nunca pensei, eu não fazia ideia. Eu vi, eu sei, eu sou profissional, eu vi, eu estive com miúdos com mais dificuldade, nem tudo. Mas quando nós passamos pelas coisas, dizemos: "Isto não é possível. Como é que eu não consigo pegar num talher? Como é que eu não consigo cortar as minhas unhas? Como é que eu não consigo dar um passo porque não sinto o chão?" É tudo tão estranho, tão estranho. Não sei. Depois o estar dependente. Agora entendo as pessoas que eu tinha. Não é fácil. Não é fácil. Eu sempre disse: "Estejam à vontade, eu estou aqui pra ajudar, eu faço, eu estou com vocês". E pra mim, isso sai-me naturalmente. O contrário é que é uma treta.

E aí começou a reabilitação. Fisioterapia, terapia da fala e também terapia ocupacional, que foi determinante para Paula recuperar a autonomia. Com jogos e pequenos desafios, treinou a mobilidade e os movimentos finos, mas também fez a adaptação ao cotidiano, de maneira a que conseguisse voltar a fazer as tarefas do dia a dia

Tinham uma casa de banho. Eles têm lá uma sala que tem uma casa de banho, uma cozinha. Casa de banho, fotografias. "João, passa-me uma fotografia da nossa casa para ver como é a banheira", porque eu não conseguia estar em pé a tomar banho. Eu tinha que me sentar. Lá compramos a cadeirinha para pôr na banheira e treinar lá como é que entrava na banheira e como é que saía. Fantástico. Portanto, treinamos também isso. E eles veem as fotografias e tentam ajustar o melhor à nossa casa. Depois, uma coisa tão simples como fazer um bolo. "Então Paula, vamos ali, vamos fazer um bolinho". "Está bem!" Toda pronta para partir o ovo. Partir os ovos, o juntar a farinha com os ovos ou com o açúcar. Primeiro à mão. Eu suava, eu dizia: "Eu não aguento mais". Eu já não tinha força. Íamos com a batedeira, parecia um peso tremendo. Mas lá se fez o bolo e até distribuímos por toda a gente, estava muito agradável. Mas estas coisas nós não temos a noção que os hospitais têm e que fazem uma enorme diferença. A gente vai treinando e vai conseguindo, porque depois o meu dia a dia eu tinha que abrir uma torneira, treinar a torneira, abrir o pacote da farinha, abrir o pacote de arroz, por exemplo, abrir latas.

Gestos simples que voltou a conseguir fazer.

Sei que prometi um bolo e ainda não fui lá levar-vos o bolo. Que eu faço bolos bons, dizia eu. Depois venho cá trazer. Ainda não fui lá levar.

Para mostrar que aquele não era o seu melhor.

Não, não foi mesmo o melhor. Aquilo não estava nada famoso. Eles gostaram, mas acho que foi para serem simpáticos.

No total, Paula Lopes Godinho esteve 68 dias internada. A 22 de maio, teve alta.

Estava ansiosa para chegar a casa. Ao mesmo tempo, com medo de vir para casa. Porque é engraçado, nós não queremos estar internados, mas enquanto estamos internados sentimo-nos muito seguros, porque estamos no sítio ideal. Se acontecer alguma coisa, eu tenho aqui os colegas, eu tenho aqui os médicos. Agora vou para casa, estou sozinha, tenho a família, mas e se acontece alguma coisa? E se eles não dão por nada? Há aquele medo de vir para casa, que eu acho que é normal com toda a gente. Mas um grande alívio, gostei de vir para casa. Minhas filhas tinham um cartaz lindíssimo, deram-me as boas-vindas, tinha um monte de flores em casa. Foi bom. Foi, foi muito bom. Finalmente cheguei a casa. E estou cá.

Mas aí começou a frustração.

Aí começa, porque queremos fazer tudo em casa e vemos que não somos capazes de fazer quase nada. Experimentei pôr uma máquina de roupa. Me deu um ataque de choro porque eu não conseguia pôr o raio da máquina. Eu fiquei cansada. Eu dizia: "Como é que é possível? É só pôr roupa ali dentro e travar a máquina, mais nada. E pôr o detergente". Não conseguia. Eu tentava ir lavar uma loiça. Eu tenho máquina da loiça, mas só pôr, não dava. Eu cansada. Isto quando eu contei às pessoas, diziam: "Isto é exagero". Não é, não se conseguia. Não conseguia mesmo.

É isso que ainda hoje sente.

O cansaço parece que se colou aqui a mim. É muito estranho.

Fora do hospital, Paula continuou a fazer fisioterapia e terapia ocupacional. Só deixou em dezembro, mas um mês antes pôde regressar ao trabalho. Neste momento, tem outras funções.

Não presto cuidados diretos. Estou mais na parte de apoio à gestão, recursos de materiais, faço os pedidos, vejo o que é que falta, o que é que não falta. Mas converso muito com as minhas famílias, como são doentes crónicos, com doença crónica, muitos deles vão lá e acabo por ter um contacto. Não faço nada diretamente à criança, mas acabo por estar com eles, com a família.

Faz-lhe falta essa parte?

Faz. A minha vida toda foi essa, há 34 anos, vai fazer 34.

Há de voltar. Paula tem força. Antes da Covid-19, já tinha tido outros problemas de saúde. Há cinco anos, teve um cancro na mama. E em 2019, por causa de uma insuficiência renal, começou a fazer diálise. Quando o vírus apareceu, ainda estava a adaptar-se às condicionantes dessa nova realidade.

Porque isto leva tudo tempo, não é de um dia para o outro que nós aceitamos as coisas. Embora eu tivesse programado tudo. Eu não deixei avançar, não deixei chegar a um ponto em que a pessoa não conseguisse estar de pé, como muita gente faz. Não. Portanto, foi tudo programado. Mas há dias que as coisas não são fáceis, não é? E há dias que apetece desistir de tudo. Não venham cá com histórias.

E depois veio a Covid-19 e mais três meses no hospital.

Voltar outra vez. Não chega, já chegava, por que eu tenho que voltar outra vez ao mesmo? Tive agora um susto, porque na TAC viram um nódulo do lado esquerdo onde eu fiz a mastectomia. Foi tudo. Disse: "Outra vez? Eu desta vez não aguento". Eu dizia para todos: "Eu desta vez não aguento, desta vez vou abaixo". Não era nada, era uma coisa benigna, tudo bem. Mas acabei de sair do Covid, desculpem, acabei de sair de uma recuperação, não me queiram pôr outra coisa.

Mas levanta a cabeça.

A gente tem que andar para a frente. Há um dia que vai abaixo, chora aquilo que tem a chorar, no dia a seguir está ótima para continuar. Pronto.

Uns dias mais fáceis do que outros. Está a recuperar. Pouco a pouco, vai voltando ao que era. Quanto ao vírus, Paula é uma das pessoas que faz parte de um estudo imunológico da Ordem dos Médicos a doentes que estiveram infetados com Covid-19. Nos últimos testes, tinha uma imunidade muito acima da média.

Mas se eu tenho medo de voltar a contrair? Eles não dizem que não contraímos. Pode haver uma reinfecção. Que me mete medo, mete. Tenho medo de voltar a passar pelo que passei? Sem dúvida, não quero passar. Tenho mesmo. Não queria. Eu agora não quero nada. Quero viver a minha vida da melhor maneira possível e sem intercorrências nenhumas. É isso que eu peço. Me ajudem. Há muita gente a rezar por mim e que rezou por mim. Não sei se as pessoas acreditam nisso, mas houve muita malta, conhecidos, pessoas que eu não conhecia de lado nenhum. Houve aí uma corrente muito engraçada, que eu fui-me apercebendo também ao longo do tempo, não fazia ideia. Muito engraçado, não fazia ideia. Eu acho que tudo isso, juntamente com o profissionalismo dos meus colegas, dos médicos, tudo isso junto, olha, deu-se um milagre, pronto. Cada um fará a sua interpretação.