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O jornal Público fala aqui no número de camas inferior àquele que tinha sido anunciado. O governo no ano passado tinha falado em 2500 novas camas e este número, afinal, não será assim tão elevado, até pela redução de camas por força da pandemia e das normas da DGS, que obrigam a um distanciamento maior. Aquilo que lhe pedia era um retrato global das várias universidades, se há, de facto, um aumento do número de camas ou, pelo contrário, uma redução devido a estas condicionantes.

De uma forma geral, existe uma redução do número de camas. Posso dizer que é variável consoante a instituição. No caso da instituição que represento, a Universidade dos Açores, nos Açores, existe uma redução de cerca de 30% de disponibilidade, o que exige um esforço adicional. E foi nesse sentido que o governo lançou publicamente, ainda no fim de semana, a assinatura de protocolos com instituições privadas, desde logo de alojamento local e unidades de hostelaria, para tentar compensar essa situação. É evidente que isto é um caminho que se faz caminhando e que importa encontrar agora mais parceiros que possam melhorar este desempenho.

E é possível que estes acordos com hostels, com pousadas, colmatem a redução nas residências?

É evidente que, desejavelmente, todos nós gostaríamos de ter orçamento para poder adequar espaços e as próprias instituições criarem a sua capacidade, ou seja, aumentar o número de instalações. Não sendo possível, até porque este quadro comunitário não o prevê, importa neste momento encontrar soluções do lado do setor privado. E é nesse sentido que as instituições estão a trabalhar e que estamos a tentar melhorar o desempenho e aumentar o número de camas disponíveis. Os números, neste momento, ainda estão longe daquilo que foram as metas do governo, mas ainda é um caminho que está no início. Recordo que o lançamento desta iniciativa, os acordos com as unidades privadas, foi lançado ainda no início da semana.

Portanto, ainda não está fechado esse número?

No que diz respeito à Universidade dos Açores, nós já assinamos protocolos com algumas instituições, estamos em conversação com outras e era algo que nós já tínhamos vindo a alertar o governo para a necessidade de reforçar os apoios sociais, não só os diretos, as chamadas bolsas, porque há uma situação de maior dificuldade financeira por parte das famílias, mas também para os apoios sociais indiretos, que estamos a falar concretamente do alojamento. Esta situação reforça a ideia de que é importante que no próximo plano de recuperação económica do país, que as instituições tenham acesso a fundos para poder requalificar espaços para capacitar e modernizar, de forma a aumentar a capacidade instalada e oferecida por cada instituição.

O facto do número de camas estar, como dizia, longe das metas do governo, tem só a ver com a pandemia ou há aqui outros motivos?

Há muitos anos que não existe investimento em termos de alojamento, ou seja, nos últimos quadros comunitários não previam o aumento ou a força capacidade de oferta de alojamento. E por isso, essa situação foi-se agravando ao longo do tempo e que agora merece maior preocupação, atendendo a que as novas regras, as regras que nós temos que implementar para estar de acordo com as orientações da Direção-Geral de Saúde, vai agravar a situação atual. Por isso, se o próximo quadro comunitário não tiver meios para o fazer, era importante que o Estado pensasse em termos do reforço do Orçamento de Estado.

Quando é que devem estar fechadas estas parcerias que falava, que têm a ver com pousadas, nomeadamente, uma vez que as colocações saem este fim de semana, qual é a perspectiva?

Como lhe disse, caberá a cada instituição, caberá em cada localidade, depende das regiões onde estão situadas, mas as instituições estão a fazer um esforço enormíssimo para tentar encontrar parceiros privados que permitam ultrapassar a situação. Portanto, é uma situação evolutiva. Desejavelmente já deveria estar resolvida este fim de semana, uma vez que as colocações irão acontecer nas próximas horas, nos próximos dias.

Mas é possível que as aulas arranquem sem isto ainda estar fechado?

Julgo que não podemos dramatizar a esse nível. É importante, sem dúvida, resolver o problema, dar passos contínuos. Era um alerta que já tínhamos vindo a fazer e que as instituições, com as associações de estudantes, as associações académicas, com os apoios que foram agora disponibilizados pelo Estado, estão a tentar ultrapassar.