Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Junta-se em direto a este jornal do meio-dia o embaixador António Martins da Cruz. Boa tarde, obrigado por se juntar a nós em direto. Esta resposta por parte do governo português é aquela que seria de esperar perante estas circunstâncias?

Boa tarde. Exatamente. Eu acho que o Ministro dos Negócios Estrangeiros procedeu da maneira correta, ou seja, o bombardeamento à cidade de Kiev terá provocado danos colaterais no escritório da Embaixada de Portugal, ou seja, o que nós chamamos a chancelaria. Não foi a casa do embaixador, a embaixada, mas foi a chancelaria. Importava, na minha opinião, duas coisas. Em primeiro lugar, elevar um protesto veemente e forte junto das autoridades da Federação Russa, através da embaixada que eles têm em Lisboa, protestando contra o bombardeamento que causou danos às instalações diplomáticas portuguesas. E em segundo lugar, num momento posterior, depois de fazer as reparações que têm que ser feitas, apresentar a conta ao governo da Federação Russa e exigir uma indenização. Estes são os dois passos que têm que ser feitos.

Paulo Rangel dizia nestas declarações que admitia outras diligências e também outros níveis, tendo em conta também que esta era uma zona de embaixadas e que outras também terão sido afetadas. Que outras diligências é que poderão também ser tomadas a outros níveis, como dizia Paulo Rangel?

Pode ser feita uma chamada diligência conjunta, quando soubermos quais são as chancelarias que foram afetadas. Se pertencem, por exemplo, à União Europeia, pode ser feita uma diligência conjunta dos países afetados junto, por exemplo, do representante diplomático russo na União Europeia, em Bruxelas, ou mesmo as embaixadas destes países em Moscovo realizarem uma diligência conjunta junto do governo da Federação Russa, ou seja, do Ministério dos Negócios Estrangeiros. Mas eu gostava de dizer o seguinte: não é a primeira vez que isto acontece. Eu lembro-me perfeitamente, em maio de 1999, há 24 anos, eu era embaixador de Portugal na NATO e a NATO decidiu uma operação de bombardeamento de Belgrado, da Sérvia. Operação na qual, aliás, participaram, sem participar nos bombardeamentos, mas participaram na operação, dois F-16 portugueses que estavam estacionados numa base aérea no norte de Itália. Nessa operação, creio que no dia 9 de maio ou 7 de maio, já não me lembro exatamente da data, de 99, vários aviões americanos bombardearam e destruíram a embaixada da China em Belgrado. E o que é que fez a China? Protestou junto do governo dos Estados Unidos pela destruição da sua embaixada e a seguir, uns anos depois, a China apresentou a fatura aos Estados Unidos e os Estados Unidos pagaram os danos realizados. Ou seja, estes são os dois procedimentos que se fazem quando uma missão diplomática é bombardeada no decurso de uma guerra.