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Junta-se a este "Jornal da Teta", o Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos. Muito bom dia, Jorge Roque da Cunha. Como é que entende o cancelamento da reunião que estava prevista para hoje?

Muito bom dia. De facto, vivemos tempos especiais e a circunstância de ter sido cancelada a reunião, no nosso ponto de vista, compreende-se de alguma maneira. Apesar de o Governo estar em funções, apesar de ainda não ter havido uma decisão do senhor Presidente da República, e depois de ter havido o Conselho de Estado a tomar uma decisão, a verdade é que esta reunião ocorreria sempre numa situação um pouco limitada. O Governo decidiu cancelar e nós não temos qualquer dúvida que o que não conseguimos nos últimos 18 meses, dificilmente seriam atingidos hoje. Mas a verdade é que esta situação de perturbação vai causar ainda uma maior perturbação no Serviço Nacional de Saúde. Este é um tempo de dificuldades e, portanto, vamos aguardar.

Mas precisamente por isso, pelo tempo de dificuldades e também pela indefinição política que existe nesta altura, o sindicato admite suspender parte do protesto ou, pelo menos, alguns dos protestos que estão a ser realizados neste momento?

Caso haja marcação de eleições, nós vamos ter de ponderar, naturalmente, essa possibilidade que, aliás, no nosso ponto de vista, poderá ocorrer com quase toda a certeza. Não faz sentido não haver interlocutor e estes protestos se mantiverem. Aliás, da nossa parte, temos uma greve ao trabalho extraordinário dos cuidados de saúde primários e depois de reunirmos a nossa direção, vamos ter de tomar uma decisão em relação a essa matéria.

O que está a dizer é que se forem convocadas eleições antecipadas, a greve dos médicos também será suspensa?

Muito provavelmente. Aliás, iremos fazer esse apelo em relação aos colegas que estão com as minutas das 150 horas, porque não faz sentido, caso, volto a repetir, essas eleições sejam marcadas, que num processo eleitoral, durante uma campanha eleitoral, não havendo interlocutor, que esse tipo de protestos possam ocorrer. Como digo, não é uma decisão definitiva. É muito provável que isso possa acontecer da nossa parte e naturalmente iremos fazer esse apelo aos nossos colegas, que durante o processo eleitoral, esses protestos possam ser de alguma maneira mitigados. De facto, é uma pena que não se tenha aproveitado oito anos de maioria absoluta do Partido Socialista para robustecer o Serviço Nacional de Saúde. A verdade é essa. Infelizmente, a situação é a que é. Há, mesmo assim, a possibilidade de, em situação de instabilidade, juntar a instabilidade ao SNS, mas é vida e esperamos que, em democracia, não há situações que não tenham soluções. Esperamos que os nossos políticos tenham a capacidade ou engenhar para que, em relação ao Serviço Nacional de Saúde, qualquer que seja a decisão, haja um verdadeiro interesse e vontade em investir seriamente no Serviço Nacional de Saúde, porque de outra forma, esta situação é insustentável.

Jorge Roque da Cunha, ficou claríssimo. Muito obrigada por ter estado em direto neste "Jornal da Teta". O Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos, a achar natural que se forem convocadas eleições antecipadas, o protesto dos médicos, a greve que está neste momento em vigor, poderá ter de ser ou deverá ser cancelada, uma vez que se perde um interlocutor