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Junta-se agora a nós, por telefone, o presidente da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, Gonçalo Lobo Xavier. Antes de mais, obrigado por estar aqui conosco. Ouvimos estas medidas e passam agora, por exemplo, em relação aos horários, a serem as autarquias a terem autonomia para decidir os horários de fecho entre as 20h e as 23h. Pela experiência da Grande Lisboa nos últimos meses, houve equilíbrio?
Muito boa tarde, obrigado pela oportunidade. Só uma correção fraterna, não sou presidente da APED, sou o diretor-geral da APED. Errou o acédono.
Fica corrigido.
Muito bem. Vamos lá ver. Nós temos que ter, de facto, uma avaliação sensata de todas estas medidas, que grande parte delas tem por base o que tem sido feito na Grande Lisboa. Acontece que grande parte do país não é exatamente uma réplica do que existe na Grande Lisboa e por isso nós temos algumas dúvidas sobre algumas das medidas que estão aqui sugeridas. Desde logo, o que apelamos é que haja um enorme bom senso por parte das autarquias, como aliás tem havido, na gestão deste dossier, porque todos estamos interessados em controlar a pandemia e evitar o contágio, e é preciso ter a noção de que há medidas que aparentemente no papel podem ser muito interessantes, mas na prática não resultam. A questão dos horários é seguramente uma delas. Vamos lá ver. Nós verificamos, ainda por cima os comunicados e os PowerPoints que têm sido distribuídos durante o dia não são coincidentes e, portanto, eu temo estar aqui a fazer comentários com base em informação que não é totalmente clara. A informação só será totalmente clara para toda a gente quando sair a resolução, que será publicada, com certeza, durante o dia de hoje ou final do dia de hoje ou durante a noite. Aliás, como tem sido nos últimos tempos. Dito isto, de facto, limitar a abertura das lojas para o retalho especializado, aparentemente, entre as 10h e limitá-lo com um fecho às 20h, tanto quanto está lá escrito, aparentemente pode ser bom do ponto de vista de desfasar os horários das entradas das pessoas. Mas queremos crer que a distribuição alimentar está fora desta malha. Isto porque a experiência tem nos dito que limitando os horários, há depois uma concentração de pessoas para fazerem as suas compras em determinadas horas do dia, sobretudo ao final do dia. E isto nem sempre é uma boa medida de forma a dispersar as pessoas e a que tenhamos as pessoas a fazerem as suas compras de forma desfasada. Portanto, eu temo que-
Esta não seja uma medida razoável. Há aqui uma outra medida, por exemplo, a proibição de venda de álcool nos centros comerciais, nas lojas, a partir das 20h, supermercados, hipermercados. Faz sentido nesta altura?
Atrevo-me a dizer que é uma medida que tem sido utilizada na Grande Lisboa e que o que tem provocado é, sobretudo, um enorme tráfego ao final do dia entre as 19h e as 20h nos espaços comerciais, com as pessoas a correrem para poderem fazer as suas compras e adquirirem os seus produtos. Eu percebo o que está na cabeça do governo quando quer limitar a utilização de bebidas de álcool na via pública e evitar esses ajuntamentos.
Mas quem o quiser fazer pode comprá-las mais cedo, por exemplo, não é?
Naturalmente. E essa limitação, alargá-la a todo o país, quando o país não tem estes hábitos todo por igual.
Que quebras de rendimento é que podem existir ou se já existem? Por exemplo, tendo em conta aquilo que existe em Lisboa, que quebras é que estão nesta altura em cima da mesa?
Nós não estamos preocupados com as quebras de rendimentos, estamos preocupados com a ineficiência das medidas e a sua falta de eficácia relativamente ao que se pretende, que é conservar medidas de saúde pública. E, portanto, eu diria que alargar esta proibição de venda de produtos alcoólicos até às 20h para todo o país é uma medida mais populista do que eficaz, porque as pessoas não vão deixar de fazer as suas compras, mas o que é vamos limitá-las na sua liberdade e nas suas horas de fazer. Vão concentrar-se ao final do dia, com certeza.