Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O presidente da Câmara de Almeirim, Pedro Ribeiro, e Pedro Raposeira, da Associação de Pais, estão em direto neste jornal das 19h. Muito bom dia aos dois, obrigada pela disponibilidade. Pedro Ribeiro, deixe-me começar por si, para lhe perguntar que impacto é que a autarquia espera que haja com estas novas regras.

Como referiram, estas foram recomendações que foram aceites, até porque foram tomadas por unanimidade, onde além das associações dos pais, os agrupamentos e mais um conjunto de pessoas da comunidade escolar estão representadas. E aquilo que esperamos é que haja, naturalmente, um cumprimento desta recomendação, uma vez que ela vai ser vertida naquilo que é o regulamento das escolas. E esperamos, naturalmente, que se possa criar um conjunto de regras que possam diminuir bastante e, no caso de contexto escolar, eliminar a utilização dos telefones, sempre que eles não são necessários. Há casos, como miúdos que têm algumas doenças, tipo a diabetes, onde o telefone é importante para o seu dia a dia, obviamente que isso está excluído, ou nos casos em que os próprios professores entendam que é importante, no contexto escolar, poder utilizar estas novas ferramentas. Nós temos um conjunto de problemas de socialização e esses, eventualmente, até são aqueles que eu diria que eram menos graves. E menos graves, porque depois tudo o resto é muito pior. Nós temos gente com sinais de dependência dos telefones e dependência física, com ansiedade, com irritabilidade, muitas vezes até manifestações de suores, ataques de pânico, etc.

Em ambiente de aula?

Em ambiente de aula, de jovens que precisam de sair porque não se encontram bem. Os estudos vão demonstrando que isto é resultado de um uso excessivo. Estamos a falar de uma sociedade que hoje, nos adolescentes, privilegia o estar sempre disponível e o fato de não estarem disponíveis cria, na prática, bullying sobre esses jovens. Eles ainda não têm a idade nem a capacidade de poder responder a isto de uma forma que nós, adultos, naturalmente conseguimos responder de outra forma, apesar de também haver um conjunto de pessoas adultas que também têm esta dependência.

Mas é uma decisão que é também sustentada pelo conhecimento científico e o problema da dependência em relação às novas tecnologias.

Deixe-me só dizer que há estudos que estão a começar a comprovar que nós teremos uma sociedade, se nada for feito, com um QI mais baixo que a anterior. Uma sociedade não, uma geração que a anterior, fruto da falta de estímulos que o uso dos telefones, tablets, etc., acabam por criar. E isto é, do ponto de vista civilizacional, um retrocesso. E quando há dados científicos sobre estas coisas, nós todos temos que tomar uma posição, por muito chata que ela possa ser.

E por isso mesmo, Pedro Raposeira, bom dia também. Os pais concordam com estas regras. É porque muitas vezes são os próprios pais que gostam de saber que os filhos estão contactáveis, sobretudo os mais novos, que são esses que aqui, no caso, vão ficar impedidos de ter acesso ao telemóvel.

Impedidos, mas se nós nos lembrarmos dos tempos idos e quando eu próprio andava na escola, os nossos pais nunca estiveram incontactáveis. Claro que os meios que estavam à disponibilidade não eram os mesmos de hoje em dia. Havia outra forma de contactar a escola e que continuou sempre a existir, mas fomos privilegiando com o avanço tecnológico, que os nossos próprios filhos tivessem, ou fossem munidos de telemóveis, mas a escola sempre continuou a ter as centrais telefônicas e telemóveis para nós contactarmos com os professores e com os nossos educandos. Por outro lado, aquilo que se tem assistido e por aquilo que o senhor presidente da Câmara disse, e tem feito um esforço a autarquia para que a saúde mental dos nossos jovens fosse assegurada, para nós não termos um problema, e aquilo que nós estamos a fazer, e sabemos que tomando esta posição, não vamos ao agrado de todos, porque nunca será assim. Mas quando há estudos científicos que desde o QI, desde o aumento da taxa de suicídio, desde o aumento de uma série de pressões que a própria sociedade de eletrónica exerce sobre os nossos jovens, e eu também estando ligado à área da saúde, urge começarmos a prevenir para que mais tarde não possamos andar a correr atrás do prejuízo. É claro que esta medida será uma medida que terá que contar com o apoio das famílias. As famílias terão que a pouco e pouco, e temos outros exemplos, e nós no Conselho Municipal de Educação falámos de um que chegou a ser notícia também nos órgãos de comunicação social, em Santa Maria da Feira, na freguesia de Lourosa, que há seis anos a escola aboliu o telefone e hoje em dia os alunos já nem se lembram deles. É claro que o senhor presidente garantiu ao Conselho Municipal de Educação que tudo fará para que os nossos educandos não estejam incontactáveis, porque inclusivamente perguntou aos agrupamentos o que é que eles iriam precisar para fazer cumprir esta medida ou esta recomendação que o Conselho Municipal de Educação emanou. E, portanto, estando reunidas todas as condições, quer físicas, quer de capacidade de contacto, fazendo a salvaguarda, como o senhor presidente disse, e bem, de tudo aquilo que é componente pedagógica, e que o Conselho Municipal de Educação não pode tomar posições que vão contra a parte pedagógica, que isso cabe aos professores. Tudo aquilo que sejam trabalhos, tudo aquilo que sejam aplicações que se utilizem ou que seja necessário a utilização dos telemóveis, eles estarão disponíveis para os alunos. Tudo aquilo que será contactos dos encarregados de educação com os mesmos. Será feito pelos canais, como costumo dizer, de antigamente, ou seja, haverá telefonemas.

Ao velhinho PBX.

Ao velhinho PBX, à velhinha funcionária que está no PBX e que, se for preciso, vai à turma e chama o menino para falar com o pai ou com a mãe. Haverá todas as formas de contato dos agrupamentos com as famílias.

Portanto, os alunos não vão ficar isolados na escola. Pedro Ribeiro, presidente da Câmara de Almeirim, vai ser possível pôr tudo em prática em setembro, porque já aqui falou, é preciso alterar os estatutos das escolas e também criar estas condições para que a comunicação com a família não fique bloqueada.

Sim, nós sabemos que os regulamentos daquilo que tem a ver com o estatuto do aluno e o próprio regulamento dos dois agrupamentos, nós temos dois agrupamentos, de certa forma, têm tudo isto previsto. É preciso apenas e só esclarecer um conjunto de situações. Isso é perfeitamente possível. É uma reunião de um conselho geral e o assunto está tratado, portanto, não é uma coisa que seja difícil. Aliás, esta recomendação não resulta do ponto zero. Temos vindo, ao longo dos tempos, a criar isso. Aliás, há estudos, um estudo recente que foi feito num dos agrupamentos demonstra essa mesma dependência. Voltamos ao mesmo, com dados que são científicos, de estudos, de pessoas que são investigadores, etc. Portanto, isso é possível. O que estamos aqui a ver é encontrar uns cacifos ou uns cofres individuais. O que se pretende é que quando os miúdos chegam, na primeira aula, eles colocam numa caixa que o professor há de ter, e estamos a falar do quinto ao nono ano, porque são aqueles que recomendamos que não levem, mas que levando, depois acabarão por ficar noutro local. Depois o funcionário passa, pega nesse dito cofre ou cacife, obviamente que fica num local onde está à vista de toda a gente, depois de fechado, naturalmente. Tudo isso será pacífico de fazer. Agora, efetivamente, aquilo que o presidente da Associação de Pais diz, aquilo que se recomenda é que, efetivamente, eles não levem, até porque, na maioria dos casos, ou na esmagadora maioria dos casos, acabam por ser os pais que vão colocar à escola, que vão buscar à escola.

Não há uma necessidade objetiva.

Não há essa necessidade objetiva daquilo que é o contato, e eu obviamente que sou sensível a essa parte, mas daquilo que é o verdadeiro contato, não há essa necessidade. Até porque vamos ver uma coisa, e quem tem filhos percebe isso, aquilo que é necessidade real por uma situação de urgência ou emergência de contactar um filho, é uma coisa que não acontece uma vez por ano. Estamos a falar de uma necessidade real de urgência ou emergência.

Com certeza.

Só um segundo. Para já, não é obrigatório, como é óbvio, o professor não tem que disponibilizar o seu número de telefone pessoal, mas eu diria que 90 e muitos por cento dos professores, dos diretores de turma, disponibilizam com os pais os seus contatos. Além disso, nós temos escolas que, em alguns casos, têm duas, três turmas. Temos um jardim de infância que tem uma turma. Tudo isto, é verdade que depois, o secundário, as duas EB2,3 têm centenas de alunos, mas está perfeitamente identificado.

É um universo, apesar de tudo, muito controlado. Pedro Raposo, muito rapidamente, interessa aqui perceber a opinião dos alunos que estão a reagir bem a esta ideia.

Os alunos, e estando nós em tempo de férias, se calhar só terão o real impacto quando nas reuniões de apresentação, depois lhes for comunicado as regras, e como disse o senhor presidente, e bem, e quando falamos em termos daquilo que são as regras, o regulamento interno dos dois agrupamentos, e eu pertenço ao agrupamento de Almeirim, já previa, na sua última revisão em 2017, que os equipamentos tecnológicos ficassem fora do espaço escolar. No fundo, aquilo que o senhor presidente disse, e bem, é aplicarmos aquilo que em termos de regra já existia e que, desculpe-me a expressão, temos vindo enquanto sociedade a assobiar pro lado, a achar que é um não problema esta adição e esta dependência que estamos a criar aos nossos jovens. No fundo, aquilo que o Conselho Municipal de Educação fez foi agarrar o problema e não estarmos daqui a uns anos a correr atrás do prejuízo. Mas uma vez que já existe a regra, é que ela se aplicasse e criar, principalmente, como o senhor presidente disse, e bem, condições pra que ela fosse aplicada.