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Como toda a gente, com grande preocupação. Esperando que a justiça, que tem o seu tempo, seja tão rápida quanto possível. Naturalmente, isto já tem, como não podia deixar de ter, consequências políticas, com a decisão que o Primeiro-Ministro hoje tomou, que tem consequências seríssimas para o país, no momento em que inclusivamente um orçamento de Estado está em discussão e em que agora tudo está nas mãos do senhor Presidente da República.

Em directo para o Site Notícias pergunto-lhe exatamente isso: o que espera que o Presidente da República faça agora?

Sei que ele já convocou o Conselho de Estado, como é normal. Penso que de uma situação destas não se pode sair sem, a curto prazo, mas a um prazo razoável, que permita a organização de eleições, o que também vai supor organização dentro dos partidos, em particular do PS. Espero que isso seja feito com a máxima rapidez possível, mas parece-me que será difícil antes, por exemplo, de fim de janeiro. Qual a solução interina? Não sei. O senhor Presidente da República, naturalmente, avaliará, inclusivamente face àquilo que conversou com o Primeiro-Ministro. Não me espantaria que houvesse uma solução de governo de gestão interinamente, no pressuposto que desta crise só se sairá com eleições.

E se ficasse alguém dentro do Partido Socialista até novas eleições, quem é que poderia assumir este lugar?

Como digo, só qualquer solução interina é que poderá eventualmente contemplar um outro nome, e de uma solução transitória, porque só com eleições é que efetivamente qualquer governo terá legitimidade para governar o país. Eu penso que já devemos ter aprendido todos com o erro que foi cometido pelo presidente Jorge Sampaio, como ele próprio reconheceu, quando não convocou eleições em 2004, e mais tarde teve que o fazer. Espero que essa lição tenha sido aprendida por todos. E naturalmente, sei que o senhor Presidente da República está mais habilitado do que ninguém para ter entendido.

Havendo uma reorganização dentro do Partido Socialista, que impactos acha que isso pode ter até no próprio espectro político? Que Partido Socialista sai das cinzas da queda de António Costa, que só esperava um fim do mandato dentro de alguns anos? Que tipo de sucessão pode haver para este governo? Algum membro atual do governo ou algum dirigente ou algum elemento do Partido Socialista espera uma mudança também naquilo que é a vertente política do atual PS?

Não vou especular. Eu só sou uma militante de base. Não faço parte de nenhum órgão do Partido Socialista. Portanto, não vou especular. Vou deixar que o Partido Socialista democraticamente se reorganize e também olhe para dentro, para o percurso, que não é de agora, é do passado, e tire as melhores conclusões. O Partido Socialista é essencial à democracia no nosso país. Eu penso que o timing que será determinado pelo Presidente da República vai ser muito importante, vai condicionar também o próprio PS, mas é evidente que quando o Primeiro-Ministro António Costa se demite do governo, automaticamente isso quererá dizer que não é mais também secretário-geral do PS. Vai ser necessário o PS eleger um novo secretário-geral e preparar-se para disputar eleições.

Já não haja nada de concreto em relação ao Primeiro-Ministro, o facto de haver suspeições pode trazer aqui uma mancha difícil ao Partido Socialista de retirar, a pensar em novas batalhas eleitorais? Ou seja, pode deixar aqui uma marca que torne difícil para o PS o combate político em futuros atos eleitorais?

Eu sou uma das pessoas no PS que há muito tempo, já nos tempos de José Sócrates, chamei a atenção que o combate à corrupção pela transparência na gestão dos interesses públicos era essencial. Depois do caso Sócrates, ainda mais obrigação tinha o PS de ser exigente nessa matéria. E é evidente que eu não ponho em causa a probidade do doutor António Costa, de maneira nenhuma. A Justiça fará o seu trabalho. Eu admito que haja quem se queira valer do nome dele indevidamente, e espero que seja esse o caso. Mas é evidente que há outros nomes que rodeavam de muito perto o Primeiro-Ministro, designadamente o seu chefe de gabinete e outra pessoa, seu chegado amigo, por ele nomeado para algumas funções públicas, que obviamente recomendariam que não houvesse essa proximidade. Portanto, eu penso que é também o momento do PS, mais uma vez, que felizmente tem muita gente capaz, séria e realmente dedicada ao serviço do país e da causa pública, reflita que efetivamente o nível de exigência que tem que ter em relação às questões da transparência e da defesa dos interesses públicos, tem que ser ainda mais eficaz do que até aqui foi.

Não sei se coloco a pergunta da maneira correta, mas essa sucessão a ter de ser feita, todos aqueles que ficaram até agora, até o dia de hoje, ainda no governo, na sua opinião, ficam completamente fora da corrida por terem ficado até à última?

Não, eu não vou especular sobre isso. Eu só sou uma militante de base no PS. Acho que há muitas possibilidades. Vamos ver, portanto, o que a corrida aberta a partir de agora vai determinar. Haverá muitas pessoas que não estavam a pensar ter que assumir responsabilidades, que hoje sentirão esse apelo. E portanto, vamos ver o que é que vai passar-se, mas sem dúvida que tem que haver uma recomposição da direção do PS.

A própria Ana Homem está disponível para contribuir de outra forma para o partido?

Eu sou uma militante de base do Partido Socialista e tenho uma intervenção cívica, pelos comentários que faço, de crítica construtiva, procuro que sempre seja construtiva, incluindo ao meu próprio partido. Naturalmente que eu tenho sempre mais exigências em relação ao meu partido, porque é o meu partido. Exijo o máximo ao partido que é o meu, não aos outros. E, portanto, espero poder continuar a ter esse tipo de intervenção.