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As declarações da Ministra da Saúde, Marta Temido, hoje na habitual conferência de imprensa das autoridades de saúde, Direção-Geral de Saúde e também do Ministério. Quem se junta agora a nós neste jornal é a antiga Ministra da Saúde, Ana Jorge. Muito boa tarde, Ana Jorge. Obrigado pela sua disponibilidade. Queria começar por lhe perguntar se, na sua opinião, há ou não condições para fazer essas comemorações, essa sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República.

Muito boa tarde, muito obrigada pelo convite. Eu penso que sim, que há todas as condições para poder ser feita a sessão solene na Assembleia da República. A Assembleia da República está a estar em funcionamento com todos os cuidados que nós temos visto de distanciamento, de algumas preocupações que têm a ver com o momento que estamos a atravessar e mantendo essas mesmas condições, não há razão para não celebrar aquilo que é o mais importante neste momento, que é a celebração do 25 de Abril, que permitiu, por exemplo, que tivéssemos um Serviço Nacional de Saúde e que foi o grande responsável porque, apesar de tudo o que tem acontecido com esta pandemia do Covid-19, nós temos tido a sorte de ter um Serviço Nacional de Saúde que tem vindo e sido capaz de responder melhor do que nos outros países com outros sistemas de saúde, mas sem um Serviço Nacional de Saúde, sem uma saúde pública bem organizada. Portanto, há que celebrar o 25 de Abril, que nos permitiu isso, que nos deu e deu ao povo português e, portanto, desde que sejam mantidas e, de facto, como acabamos de ouvir a ministra Marta Temido, manifestações de rua, grandes aglomerações, obviamente, não devem ser feitas, mas a sessão solene que comemora na Assembleia da República, estou perfeitamente de acordo.

A doutora Ana Jorge foi a Ministra da Saúde do governo do Partido Socialista, mas é também médica de formação. Pedia-lhe que usasse também esses dois títulos, de ministra e também de profissional de saúde, médica, para lhe perguntar e, neste caso, para que me responda se neste momento é possível que sejam respeitadas todas as regras no Parlamento, de forma a que se possa cumprir esse distanciamento social. E pergunto-lhe também se, do ponto de vista simbólico, os deputados da Assembleia da República e outros protagonistas da vida política portuguesa fazerem esta sessão na Assembleia da República com muitas dezenas de pessoas, se é ou não um mau exemplo para o que resta da população.

Aquilo que está em feito e tem sido aconselhado é que o distanciamento entre cada uma das pessoas tem que manter um a dois metros de distância. Obviamente que isso leva e condiciona que aquilo que era habitual, e tem sido habitual nas sessões solenes na Assembleia da República, é o Parlamento muito cheio e com muitas pessoas, muitos convidados, muitos representantes dos diferentes organismos nacionais e provavelmente é isso que tem que ser evitado e pensado e ponderado, quem pode estar em presença na Assembleia da República, no Salão Nobre, ou poderão estar inclusive divididos por espaços diferentes, de maneira a poderem manter a distância e, portanto, não ser aquele aglomerado de tantas pessoas, mas sim, fazer uma boa seleção de quem são as pessoas mais importantes e que os outros possam assistir em diferido. E, portanto, mantendo, obviamente, o distanciamento social que nós temos vindo a definir e que é importante manter, porque apesar de estarmos a aliviar e ainda mantemos o estado de emergência até mais duas semanas e, portanto, durante o 25 de Abril, o estado de emergência ainda se mantém e aí se deve obedecer aquilo que são as regras de distanciamento social e as outras, como grandes aglomerados, o uso de máscara e de estarem afastados, manter essas regras e com isso, provavelmente, obviamente, não pode haver tantas pessoas como era habitual nas outras sessões que nos foram

Doutora Ana Jorge, estávamos agora a perder a comunicação consigo. Pedia-lhe só que recuperasse esta ideia final.

Eu não sei.

Foi mesmo agora, foram mesmo os últimos segundos. Tivemos aqui uma quebra na ligação, mas foram apenas os últimos cinco segundos.

O que eu só estava a reforçar a minha ideia de que mantendo a sessão solene, definindo quem são as pessoas e mantendo o distanciamento social que tem vindo a ser definido entre os lugares e, portanto, não poderá haver tanta gente na mesma sala, eventualmente poderá haver ocupar outros espaços, mantendo esse distanciamento em sala e depois, obviamente, no distanciamento e naquilo que é os cumprimentos não serem feitos daquela mesma forma que é habitual, mas sim só a sessão solene, os discursos, as intervenções e de forma a celebrar o 25 de Abril.

Já agora, doutora Ana Jorge, aproveito também para lhe perguntar, porque tem sido também outra das questões faladas ao longo dos últimos dias. Já foi inclusive abordada por parte do governo, nomeadamente pelo ministro da Administração Interna e pela ministra da Saúde, a questão das celebrações, por exemplo, do 1º de Maio. As centrais sindicais, pelo menos a CGTP, já adiantou de forma mais insistente, já sublinhou essa ideia de que é pra fazer comemorações do 1º de Maio nas ruas, ainda que em coordenação com as autoridades de saúde. O próprio governo já disse também, e já deixou essa porta aberta, que haja comemorações, mas em coordenação com as centrais sindicais e com essas autoridades de saúde. Na sua opinião, há condições para celebrar o 1º de Maio, tendo em conta que será, porventura, um momento também de grande aglomeração de pessoas nas ruas de algumas das principais cidades portuguesas?

Penso que aí também é preciso ter alguma cautela com as aglomerações de muitas pessoas nos mesmos espaços. E se deve ter algum cuidado de algum afastamento e mantendo a possibilidade de fazer algumas celebrações, de serem feitas com alguns cuidados de afastamento social. Nós não podemos pôr a perder, por uma celebração de massas no dia 1º de Maio, pondo em causa tudo aquilo que tem sido feito. Uma coisa são as celebrações, ok, e acho que se devem manter, mas definir muito bem, e com as autoridades de saúde, com o Ministério da Saúde, com o Ministério da Administração Interna, ir descendo e definindo quais são as regras que devem ser cumpridas, provavelmente escolhendo o espaço, vendo o número de pessoas para poder ser celebrado, mas em segurança. E isso é fundamental, não podendo perder, neste momento, aquilo que tem sido conquistado até agora, que é: os portugueses têm conseguido, de uma forma geral, com exceção de alguma outra situação, infelizmente, mantendo este distanciamento social, esta procura de ficar em casa, dar algum recato para que se consiga evitar a disseminação da epidemia.

E estas comemorações não podem levar, por exemplo, boa parte da população a relaxar, de alguma forma, no que diz respeito ao cumprimento das regras que estão impostas? Não nos podemos esquecer também que estamos num momento de estado de emergência no país.

Isso é preciso definir as regras e que elas estejam bem expressas, com todas as cautelas. Não podemos abrir de uma forma generalizada, sem qualquer definição de quais são os constrangimentos que são necessários tomar para que as coisas corram bem. E provavelmente é preciso também esperar mais uma semana para ver a evolução e, durante esse tempo, depois, fazer uma análise de quais são as condições, mantendo alguma celebração, mas não ultrapassando, de facto, aquilo que é a margem de segurança do contacto pessoa a pessoa, que se deve manter ainda com muito cuidado e algum afastamento.

Muito obrigado, doutora Ana Jorge, por estar conosco aqui em direto na Rádio Observador. Ana Jorge, que é médica, foi também a ministra da Saúde do Partido Socialista, a ajudar-nos a olhar aqui para estas celebrações na Assembleia da República, comemorações numa sessão solene do 25 de Abril, marcada para o próximo sábado