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Cristóvão Norte está conosco nesta edição das 16h. Bem-vindo e obrigado pela disponibilidade. O que o leva a declarar publicamente o apoio a António José Seguro?
Eu tenho consistentemente afirmado que o Chega, e André Ventura em particular, tem um projeto iliberal marcado por uma visão da sociedade completamente irreconciliável com aquela que eu professo. E, por isso, por procurar em todas as ocasiões fomentar uma sociedade fundada entre os nós e os eles, marcada pelo conflito, instigando a diferença e estigmatizando-a. Por muito que eu discorde de António José Seguro, eu não deploro essa opção. E por isso, para mim, há uma diferença de natureza fundamental, inescapável, que eu tenho o dever de assinalar. É que num caso eu vejo alguém que ainda que eu não partilhe muito da visão de sociedade, é alguém que eu considero que respeita princípios democráticos fundamentais e que, na sua ação política, não tem como propósito exaltar ânimos, instigar ódios, estimular divergências entre as pessoas. E, portanto, por isso, nessa circunstância, entendi tornar público o meu apoio e o meu voto nessa candidatura, a título meramente pessoal, mas sem pestanejar com a convicção que esse é um dever inultrapassável para mim.
O PSD devia seguir o exemplo? Parece-lhe acertada a decisão ontem anunciada pelo presidente do partido, Luís Montenegro, de não apoiar qualquer dos candidatos?
Repare, nós temos um Parlamento extraordinariamente fragmentado. Luís Montenegro está mandatado para liderar o país e por força disso, independentemente de qual venha a ser o resultado, tem que, no Parlamento, assegurar a estabilidade política. Essa estabilidade política, quer gostemos ou não, tem que resultar daquela geografia parlamentar. E aquela geografia parlamentar obriga o líder do Partido Social Democrata e ao partido em geral a ter que, obviamente, articular posições sobre matérias fundamentais com mais do que uma força política. Essa é uma razão que eu creio ser uma razão ponderosa e que previsivelmente justificará a tomada de posição pública do presidente do partido.
Uma questão de governabilidade. Surpreendido com o resultado obtido por Luís Marques Mendes, o candidato que apoiou nesta contenda e candidato apoiado também pelo seu partido?
Vamos lá. Eu apoiei o Luís Marques Mendes e no dia seguinte não me vi que o Luís Marques Mendes, por força do resultado eleitoral, era um mau candidato. Aliás, há um mês ele liderava as sondagens. Acho que sim, acho que de fato houve um momento fatídico. E esse momento, do meu ponto de vista, foi o debate entre o almirante Gouveia e Melo e o Luís Marques Mendes, que pôs em causa a confiança que franjas da população tinham nele. Por força disso, e com a perda de relevância nas sondagens, isso obviamente conduziu a uma erosão da base eleitoral, que preferiam redefinir as suas opções e tornar útil um voto que a partir de uma certa altura muitos consideraram que já não teria a utilidade de vir a eleger um presidente da República. E, portanto, creio que os eleitores da área política do PSD são, como se diz em bem, eleitores livres e que compreendem a modivendência essencial das disputas políticas e, portanto, dentro do espaço do PSD ou contíguo ao espaço do PSD, procuraram encontrar outras alternativas para tentar assegurar que de alguma forma se poderiam sentir representados nessa segunda volta.