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Rádio Observador. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto. Aconteça o que acontecer.

Os bares e discotecas querem abrir portas o quanto antes e contestam a demora do governo em lançar regras para que possam voltar à atividade. Os estabelecimentos de diversão noturna estão encerrados desde março, por causa da pandemia, e vão se queixando por estes dias de graves consequências econômicas provocadas por essa paragem. Já esta tarde, cerca de 130 trabalhadores de bares e discotecas entregaram, em frente à Assembleia da República, em Lisboa, um cesto de chaves dos próprios estabelecimentos para que seja o governo a gerir os negócios. Junta-se agora a nós, neste jornal Observador, Rodrigo Pinto de Barros, é o presidente da AHRESP, a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo. Muito boa tarde, Rodrigo Pinto de Barros. Ainda hoje, em comunicado, a AHRESP já incentivou os bares a reabrirem as portas e a aceitarem um novo desafio. O que é que propõe neste momento e tendo em conta também que o governo, pela voz do secretário de Estado, já remeteu qualquer decisão para a próxima semana?

Muito boa tarde e obrigado pela oportunidade. Bom, hoje o nosso comunicado vem nesse sentido, para o incentivo para que os bares, e vou dividir aqui os bares com música ambiente e com música ao vivo das discotecas, que me parece que é um problema mais complicado de se resolver do que propriamente os bares. Os bares têm um licenciamento igual ao do restaurante e um licenciamento igual a uma confeitaria e, portanto, não vejo motivo nenhum para que não possam abrir. Têm que se adaptar às normas que a Direção-Geral de Saúde impôs para a abertura dos restaurantes, das confeitarias e das padarias, enfim, de todo o setor. E a partir daí, aqueles que têm condições, principalmente, de fazer com que os seus clientes se possam sentar, eu não vejo por que não abrir. Eu acho que é preciso haver alguma criatividade. Esta pandemia fez com que o setor tivesse alguma criatividade, voltasse a ter alguma criatividade para poder reabrir os seus espaços. Foi isso que os restaurantes fizeram, foi isso que os hotéis estão a fazer para a sua reabertura, se adaptando a esta nova realidade e também indo ao encontro daquilo que são também as precauções que os nossos clientes têm ao entrarem nos nossos espaços.

Mas entretanto já falou, tem mantido diálogo com representantes de bares e discotecas que têm essa disponibilidade para ser, como disse, criativos e para mudar algumas das condições por forma a que seja permitida essa reabertura com segurança?

Sim, nós temos tido bastantes reuniões com a Associação de Bares e Restaurantes aqui do Porto e da região Norte. Todos eles estão abertos a estes novos métodos para a sua reabertura e, portanto, hoje o apelo que eu faço é para que eles abram os seus espaços e se limitem àquilo que hoje são conhecidas as normas para a sua reabertura e que comecem a trabalhar. Se é redução de 50% e os lugares têm que estar afastados, as mesas com as medidas que a Direção-Geral de Saúde impôs, que o façam, que abram as portas porque os clientes, e eu penso que aí é que tem que ser a aposta, os clientes também se adaptam a esta nova normalidade. Portanto, se os espaços têm que fechar às 11h, eu com certeza, se quero ir a um bar, se quero ir a um espaço em que vou beber um copo com os amigos ou com quem me apetecer, e se sei que o bar vai fechar às 11h, pois eu procurarei ir mais cedo. E tenho visto que os bares que frequento, que têm optado por abrir e que às 11h, dizem-nos que acabou, que têm que encerrar e nós vamos embora. E, portanto, eu acho que é esta disponibilidade, é este novo conceito que lanço aos empresários e para que eles abram. Nos bares, não estou a falar discotecas e tenho que frisar isto, porque discoteca, me parece que, ainda mais as discotecas em Portugal, que muitas delas não têm lugares para se sentar, a maioria fica tudo em pé. Me parece que aí o distanciamento se torna mais difícil, quer para a fiscalização da própria discoteca, quer para a própria nossa fiscalização. Acho que aí fica difícil. Mas nos bares, eu acho que é perfeitamente possível, e todos aqueles que possam sentar os seus clientes, abrirem e cumprirem as normas que a Direção-Geral de Saúde impôs para o nosso setor.

Rodrigo Pinto de Barros, deixe-me também perguntar-lhe. O Rodrigo é presidente da AHRESP, que é a Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo. Há outra também, outra associação que representa o setor, que é a AHRESPA, Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, que nos últimos dias avançou com um guia de boas práticas para que as discotecas e os bares possam reabrir. Perguntava-lhe se já olhou também para esse guia de boas práticas e se encara com alguma tranquilidade essas boas práticas que fazem parte desse documento.

Olhe, eu não conheço esse guia de boas práticas que a associação fez, embora tenha certeza absoluta que deve ir de encontro àquilo que são as normas conhecidas pela Direção-Geral de Saúde. Relativamente às discotecas, não há conhecimento nenhum daquilo que é o entendimento da Direção-Geral de Saúde para abertura das discotecas. Eu estou-me a prender neste momento mais a espaços de bares que tenham, eventualmente, até esplanadas, que tenham, eventualmente, possibilidade de colocar os seus clientes em segurança de saúde dentro dos seus estabelecimentos, que o abram, que o façam, que deixem o próprio cliente se adaptar a esta nova normalidade. Se nós sabemos que há uma imposição de encerramento às 11h, com certeza que iremos procurar ir mais cedo para esses espaços. Nas discotecas já é diferente, porque as discotecas pressupõe-se que o alargamento do horário terá que ser maior. Acho que aí a Direção-Geral de Saúde terá que ser mais objetiva naquilo que entenda ser uma abertura ou funcionamento destes espaços. Agora, nos bares, eu acho que se os proprietários forem ao encontro daquilo que são as orientações da Direção-Geral de Saúde, eu penso que podem abrir. Eu conheço muitos espaços, muitos bares aqui no Porto que estão se adaptar a essas regras e que têm tido, os restaurantes também não têm, os hotéis também não têm, não é aquela afluência do público que nós gostaríamos que tivesse, mas começam a ter algum público que também quer frequentar estes espaços.

O que quer dizer também é que o próprio público depois se vai adaptando.

Eu acho que sim. Acho que esta é a grande experiência que nós temos que tirar disso tudo, é que nós, público, nos adaptamos também a estas novas normalidades.

E é por isso que também no comunicado que hoje publicaram, sublinham que as circunstâncias excepcionais do momento em que vivemos pedem também medidas excepcionais.

Exatamente. E estas medidas têm que levar todas para esse campo do excepcional e temos todos que nos adaptar. Nós acreditamos que mais cedo ou mais tarde, isto irá de novo estar normal e portanto estamos numa fase transitória e penso que estarem fechados é completamente impossível, porque tem as suas despesas, tem os seus funcionários e é preciso dar um suporte a isto. Mas eu penso que aqueles que têm condições devem reabrir os seus espaços respeitando as normas que a Direção Geral de Saúde já deu para abertura destes espaços, porque o licenciamento deles assim o permite. Tem o problema do horário. O problema do horário é um problema passageiro, que nós clientes também teremos que nos adaptar e teremos que gerir o nosso horário de uma forma diferente. E penso, e pelo que eu tenho observado, que estamos a cumprir. Estamos a ir mais cedo aos restaurantes, estamos a sair mais cedo e também se for um frequentador de bar, também irei mais cedo e sairei mais cedo. Acho que até é uma vida mais saudável, mas enfim, isso seria uma discussão para ser mais aprofundada. Eu acho que neste momento, e volto e agradeço à Rádio Observador a oportunidade que me está a dar para poder expor esta minha ideia, é que abram, que cumpram aquilo que é as normas da Direção Geral de Saúde e que esperem que os clientes vão se adaptar, os clientes vão começar a frequentar. Isto tudo é uma onda, é uma roda que tem que começar a girar e cabe a nós, empresários, sermos resilientes e apostarmos também em novos funcionamentos dos nossos estabelecimentos. Nada mais vai ser igual ao que era.

Muito obrigado, Rodrigo Pinto de Barros. Não temos mais tempo, mas agradeço-lhe esse seu sublinhado. Fica assente essa ideia transmitida pelo presidente da Aporte, Rodrigo Pinto Barros, conosco neste jornal.

Rádio Observador. 98.7 na Grande Lisboa, 98.4 no Grande Porto. Aconteça o que acontecer.