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Foi inaugurado esta tarde o contador que vai atualizar ao segundo quanto é que Portugal está a perder por não ter um novo aeroporto. A pergunta que lhe faço é: como é que é medido este valor ao segundo?

Isto começou exatamente há um ano, quando há muito tempo a confederação considera que provavelmente o principal problema futuro do turismo é a falta de capacidade aeroportuária. Há um ano decidimos fazer um estudo que medisse exatamente o impacto da não decisão do aeroporto. E foram estudados vários cenários em que, por exemplo, se previa qual é que era a recuperação mais rápida e a recuperação mais lenta nas várias hipóteses. O cenário da recuperação mais lenta foi logo abandonado no ano passado, porque, como sabe, Portugal foi o único país da Europa que conseguiu recuperar o seu movimento igual a 2019, ou seja, antes da pandemia. Foram feitos dois cenários de uma recuperação mais rápida. Como é que isto foi medido? Isto foi um estudo que encomendámos à Ernst & Young e que fizemos em parceria, envolvendo todos os stakeholders envolvidos no turismo, seja as companhias aéreas, os aeroportos, as agências de viagens, a hotelaria, a restauração, etc. Como nós sabemos ou temos uma certa previsão da quantidade de voos que hoje em dia não estamos a conseguir confirmar por falta de slots no aeroporto de Lisboa, foram feitas uma série de reuniões e entrevistas, porque sabemos um avião médio quantas pessoas transporta, qual é que é o gasto médio do turista, etc. Foi assim que fizemos esta projeção e que chegamos à conclusão que a menos má hipótese, que era uma decisão urgente e que seria a extensão da Portela mais um, traria um impacto muito grande para o país, cerca de sete mil milhões de euros, a perca de cerca de 20 mil postos de emprego, mais 27 mil, e uma receita fiscal de dois mil milhões. Isto é uma conta que é feita ao ano e depois é fácil, é dividir pelos 365 dias, 24 horas, 60 minutos e 60 segundos. Nós logo, quando este estudo esteve pronto em julho do ano passado, pusemos este contador no nosso site e achamos por bem, para tentar sensibilizar a opinião pública em geral e sobretudo, quer o governo, quer a oposição, dar-lhe uma grande visibilidade e por isso colocámos um contador de grandes dimensões mesmo num parque do aeroporto, o mais perto possível, e junto da Segunda Circular, que deve ser provavelmente a via aqui em Lisboa que mais tráfego tem, com dois lados para quem entra em Lisboa e para quem sai de Lisboa. Foi este o racional.

Então qual é que é o impacto que a Confederação do Turismo de Portugal espera ter com este contador?

Este contador, aconselhava a ir ver, porque aquilo vai atualizando ao segundo. Neste momento, de julho até aqui, já se estima que tenha havido uma perca para o país de mais de 650 milhões de euros. É o chamar a atenção, mais do que estar a discutir se o aeroporto é na localização A, B, C ou D. É o impacto da não decisão que nós queremos chamar a atenção, porque todos sabemos isto. Há mais de 50 anos que se está a discutir o aeroporto. Não é possível. Existem N problemas na atividade do turismo, como existem noutras atividades econômicas. Problema da TAP, problema da promoção, problema da fiscalidade, problema da legislação laboral. Agora, por mais que se resolvam todos os assuntos, por melhor que todos façamos, forças privadas e forças públicas, nada adianta se depois não pudermos ter onde os turistas possam aterrar. Este é de facto o principal problema que nós temos presentemente.

Sente então que poderá fazer mais pressão ao governo para tomar uma decisão?

A nossa ideia é um bocadinho essa, é pressionar sensibilizando. Não para que o aeroporto deva ir para o sítio A ou para o sítio B, mas que cada segundo que passa, cada minuto, cada dia, o impacto é muito grande na economia portuguesa. E como sabe, já estão fechados os números de 2022, ultrapassaram-se todas as expectativas. O turismo voltou a ser o motor da economia. Estamos a falar de mais de 22 mil milhões de euros de receitas e é o grande exportador deste país e eu acho que é chegada a altura de dizer basta e temos mesmo que decidir que tipo de aeroporto vamos ter para aumentar a nossa capacidade aeroportuária.