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Hernâni Dias, presidente da Câmara Municipal de Bragança, para falarmos sobre este programa Bragança Liberdade para Recomeçar, que convida quatro famílias para morarem dentro do concelho, para que elas possam trabalhar de forma remota, trabalho online, e em contrapartida terão tudo pago. Eu vou começar por perguntar se esta oferta dá-se apenas a quem quiser trabalhar online e se será necessário algum tipo de formação por parte destes candidatos a este programa.

Efetivamente, este programa destina-se a atrair trabalhadores remotos. Isso significa que quem vier terá que obrigatoriamente desenvolver o seu trabalho remotamente. E isso está desde logo vinculado a uma carta de apresentação que os candidatos terão de fazer para o programa, conjuntamente com um plano de ação, chamemos-lhe assim, para o mês de maio, que é o mês que irão permanecer aqui em Bragança. Estas famílias que estiverem interessadas, através de um processo de facilitação, de integração, terão assegurado gratuitamente, durante o mês de maio, o alojamento com todas as comodidades para garantir também a sua qualidade de vida e a possibilidade imperiosa de trabalhar remotamente. Nós ofereceremos ainda um cabaz de boas-vindas com produtos regionais e vouchers experiência para diversos atrativos de Bragança, não vou agora divulgar quais, mas será assim, vai acontecer. E estas pessoas são desafiadas a viver de forma absolutamente autónoma e a partilharem também a experiência através de redes sociais. Por isso, como dizia anteriormente, estas pessoas terão que ter já alguma experiência no uso das redes sociais e nós próprios, através das suas candidaturas, avaliaríamos também se efetivamente assim acontece. Tanto mais que no final do programa, no final de maio, será partilhado um documentário no sentido de se transmitir o dia a dia destes, entre aspas, novos brigantinos, no sentido também de partilhar aprendizagens e até de podermos aferir a própria eficácia da ação deste projeto-piloto, porque verdadeiramente trata-se de um projeto-piloto. Sabemos bem que durante o ano de 2020 e 2021, portanto, durante a pandemia, esta relação laboral ganhou contornos diferentes, quer para os trabalhadores, quer para as entidades empregadoras, desde logo pelo facto de a comunicação ter passado a ser feita através de novas plataformas, também de o teletrabalho ter sido uma realidade, de nós conseguirmos melhor rentabilizar o nosso tempo no sentido de pouparmos aquilo que eram as deslocações anteriormente feitas. E, portanto, com tudo isto, entendemos nós, que é mais fácil termos uma maior flexibilidade e também uma perceção muito maior de que o trabalho pode ser desenvolvido a partir de qualquer parte do mundo. E neste caso, propomos que seja a partir de Bragança. Também é verdade que durante este último ano, mais concretamente durante o período de verão, as pessoas, e nomeadamente os portugueses, tiveram a oportunidade de redescobrir aquilo que é o interior, todo este potencial de ser um território acolhedor, autêntico, natural, com uma grande biodiversidade, também com paisagens absolutamente fantásticas, com uma gastronomia ímpar, como é, por exemplo, o caso do território brigantino, com equipamentos culturais de excelência que competem com os equipamentos do litoral. E isso são, de facto, atrativos, entendemos nós, para quem procura um destino em sintonia com aquilo que é o estilo de trabalho do futuro, sem dúvida nenhuma. Porque verdadeiramente, trata-se de uma experiência diferente, é uma experiência social, que pensa em pessoas ativas, e aqui, repito, com a possibilidade de desenvolver a sua atividade de forma remota, e também pessoas que tenham esta vontade de explorar diferentes ambientes de trabalho. Portanto, é dessa forma que nós queremos ter estas pessoas integradas numa iniciativa, que está integrada num programa de cooperação, que é um programa comunitário chamado URBACT e, neste caso, Find Your Greatness, que é um projeto financiado pela União Europeia e que promove a implementação de projetos-piloto, no sentido de promover também a aprendizagem e a troca de experiências, até para a promoção do desenvolvimento sustentável em várias cidades da Europa. Nós desde há algum tempo estamos a trabalhar neste projeto e agora chegou esta oportunidade de podermos desafiar estas quatro famílias a poderem deslocar-se a Bragança e aqui permanecerem durante o mês de maio, fazerem aqui a sua vida normal, tenham ou não filhos, sejam pessoas isoladas ou não. Tudo isto fará com que as pessoas tenham a perceção clara que é possível Terem o seu local de trabalho a partir daqui e, ao mesmo tempo, poderem usufruir daquilo que são as qualidades, as potencialidades de um território, como é o caso de Bragança.

E, portanto, o único critério acaba por ser mesmo a familiaridade com as redes sociais e é depois a Câmara Municipal que vai fazer a seleção dos candidatos, certo?

Há um grupo de trabalho que está constituído para este processo, que tem vindo a trabalhar neste projeto e que terá essa responsabilidade de avaliar aquilo que são as propostas dos candidatos. Quer através daquilo que é a sua capacidade de comunicação dentro das redes sociais, quer também daquilo que se propõe fazer durante os 30 dias que aqui estiver. E isso, claramente, diretamente ligado às redes sociais, porque como compreende, este para além de ser um projeto de comunicação e de promoção do território, pretende também ser um projeto de promoção de Bragança e de economia local, diretamente, divulgando o destino Bragança como um destino ideal para trabalhar remotamente, fora de casa, é evidente, mas com a flexibilidade e total liberdade, que é aquilo que é possível encontrar em Bragança.

Este plano vai albergar quatro famílias. Não acha que acabam por ser poucas pessoas a integrar o programa? Ou já tem alguma previsão, aproveito também para perguntar, para alargar este plano?

Deixe-me dizer-lhe, eu concordo consigo. Eu acho que são poucas pessoas, efetivamente. Mas como compreende, este é um projeto-piloto, tem um determinado orçamento e nós não podemos exceder o orçamento que temos. Daí que teremos no final, como tem de ser feito, uma avaliação de como as coisas correram durante este período e futuramente avaliaremos se efetivamente este projeto-piloto tem pernas para andar como um projeto já não piloto, mas um projeto diferente, lançado de uma forma mais natural, para que mais pessoas possam vir a tornar-se brigantinos de residência.

E já tem alguma lista de critérios mais ou menos bem definida sobre aquilo que pode levar ou não este projeto a deixar de ser piloto. Como estava a dizer, algum tipo de resultado específico que seja preciso atingir, no fundo, para alargar esta iniciativa?

Desde logo, o facto de termos muitos candidatos ou não. Esse é o primeiro aspeto, como é evidente. E depois conseguirmos ter o feedback das pessoas que para cá vieram, que estiverem a trabalhar a partir daqui. É evidente que se houver uma avaliação, eu não acredito que isso aconteça, muito sinceramente, mas imagine que as famílias que vieram participar neste programa, que eventualmente possam ter ficado com uma perceção negativa do nosso território. Teria de haver aqui uma reorientação no sentido de podermos ter melhores resultados numa próxima oportunidade. Mas efetivamente, eu creio que tudo vai acontecer pelo melhor. O território tem um potencial enorme. Eu só posso efetivamente ter aqui uma ideia, como já temos vindo a manifestar desde há muito tempo a esta parte, que é a dificuldade de, em alguns pontos do Conselho, haver dificuldade de comunicação, mas que nós estamos a trabalhar no sentido de resolver todos esses problemas. E isso obrigatoriamente levaria a que, da parte de quem tem a responsabilidade, por exemplo, imagine até ao nível do 5G, como nós já sugerimos várias vezes, que se optar por desenvolver os projetos e imediatamente, logo no início, dotar os territórios do interior com todo este potencial, com toda esta capacidade de comunicação via digital, a acessibilidade digital que é extremamente importante, numa altura em que nós sabemos que tudo mudou. Como eu disse há bocado, as questões laborais mudaram, todo este paradigma foi alterado substancialmente devido à pandemia, e é importante que se tenha a noção que os territórios do interior necessitam de condições idênticas às do litoral para poderem competir de igual forma, e nomeadamente no que tem a ver com residentes. Sabemos que atravessamos um inverno demográfico e é importante e urgente que se altere esta situação, sob pena de o próprio país ficar cada vez mais desequilibrado e tendencialmente sempre para o litoral.

E em relação a essa questão do território, e dizia-me há pouco que até existem zonas com algumas dificuldades de comunicação. Já sabem onde é que estas casas vão ficar situadas? E já agora aproveito a deixa, sabe se vão ficar situadas nestas zonas ou se acaba por ser já numa área com melhores acessos, com melhor comunicação, etc.?

Nós vamos fazer o seguinte: nós temos um pacote de oferta de várias habitações em vários pontos do Conselho. Queremos que três famílias fiquem no meio rural e apenas uma fique na área urbana. E são as próprias pessoas, os candidatos, que vão selecionar o sítio para onde pretendem ir Isto é, imagine que vamos ter as 400 famílias, mas temos 10 habitações possíveis para eles ficarem. São eles próprios que, mediante a apresentação das habitações, com fotografias e com as características dessas habitações, vão escolher o sítio para onde pretendem ir. Nós não teremos qualquer influência na seleção dos locais onde as pessoas passarão o mês de maio. Elas próprias farão esse trabalho. E a partir daí, depois veremos, como já disse, se há algum problema, quer ao nível da capacidade de comunicação digital ou não, ou até a outros níveis. Mas a verdade é que nós estamos convencidos que dentro daquilo que é a oferta disponível, haverá seguramente boas condições para oferecer a todos aqueles que queiram passar o mês de maio aqui em Bragança.

E em relação a possíveis situações de desemprego, existe algum tipo de plano para estas situações ou os apoios vão manter-se? Portanto, aquela questão de ter tudo pago continua a manter-se até o final do mês?

Não. As pessoas que cá ficarem a trabalhar, estando no nosso programa, independentemente de elas terem alguma relação laboral com outra entidade que eventualmente possa não chegar ao final do mês, obviamente que nós não vamos ter isso em consideração. Nós vamos ter apenas a participação da pessoa aqui no projeto, nós não queremos avaliar aquilo que a pessoa faz sob o ponto de vista laboral. Nós queremos é avaliar aquilo que é a reação da pessoa a uma experiência como esta, passada fora do seu ambiente normal e ter a capacidade de estar durante o mês de maio num território diferente. Eu queria reiterar a ideia de que não tem tudo pago. A questão da alimentação, as deslocações e as despesas pessoais são por conta dos candidatos. Nós garantimos o alojamento e garantimos que vão ter as condições para trabalhar. Tudo o resto é por conta dos candidatos. Nós não vamos garantir umas férias a quem vier para cá. As pessoas vão ter que estar a desenvolver o seu trabalho, mas terão aqui condições para o poderem fazer num território, como já disse, com uma componente natural e com outros atrativos muito interessantes.