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Perguntava-lhe o que é que correu bem nestes últimos 15 dias para esta boa notícia?

Sim, é uma boa notícia. Nós já estávamos a aguardá-la, porque vamos monitorizando também os dados com ceios e, por isso mesmo, já sabíamos que estávamos num nível de risco mais baixo em relação àquele que estávamos anteriormente. E por isso foi com satisfação que vimos essa confirmação, ontem, da comunicação do senhor primeir-ministro. E queria aproveitar também para, por um lado, ver também com satisfação aquilo que foram as decisões tomadas pelo governo, no sentido das medidas que, na verdade, vêm muito naquilo que também já tinha vindo a defender, que grande parte do sucesso vai depender das nossas atitudes, da nossa responsabilidade enquanto cidadãos e, por isso mesmo, penso que foram equilibradas as medidas que foram propostas. Ainda assim, há algumas questões que penso que devem ser revistas por parte do governo. A primeira delas é de que não deverão contar, para estes números de classificações, de todas as situações em que os cidadãos, pela natureza em si, já estão confinados. Estou a falar, por exemplo, de estabelecimentos prisionais, de lares de idosos e de outras circunstâncias semelhantes, em que o cidadão já está confinado e, portanto, não é um risco para haver uma propagação da contaminação comunitária.

Ou seja, não contar para este cálculo dos conselhos de risco.

Exatamente, tem que ser expurgada essa situação, porque isso vai passar muito também pela obtenção de resultados, que os próprios cidadãos vejam que vale a pena o esforço que estamos todos a fazer. E tal como, é um ditado que todos conhecemos, agora que se está a aproximar já podermos ter acesso a vacinas, embora vá demorar o seu tempo, mas não vale a pena morrer na praia. Portanto, os cidadãos têm que incorporar essa responsabilidade e nada melhor do que perceberem que o facto de terem atitudes responsáveis, vai ao encontro de baixar os casos que temos em cada um dos conselhos. E portanto, dessa medida, avalio como de forma muito positiva, que pudesse ser corrigida também nessa circunstância. Por outro lado também, a Direção-Geral de Saúde deixou de publicar os dados totais por conselho, o que me parece que é algo que não está correto e, portanto, deveria publicar, até como medida de transparência, passou só a publicar o da série dos 14 dias. Série essa que é desatualizada no tempo, porque ainda ontem o senhor primeir-ministro o referiu, estava ontem a comunicar algo que só se vai aplicar a partir da próxima quarta-feira, mas são dados do dia dois. Ou seja, estamos aqui a perder de dois a nove, uma desatualização que, no todo, não é coerente. Portanto, o sistema terá que ser melhorado, terá que ser corrigido, mas não deixa de ser positivo, ainda assim, aquilo que foi a decisão do governo, não só definir por vários níveis de risco, mas agora é preciso aprofundar e aperfeiçoar essas mesmas avaliações por conselho e de risco, de modo a incentivar todo o esforço que está a ser feito pelos cidadãos para não termos uma pandemia completamente descontrolada.

Este levantamento ou este desagravamento, é a palavra melhor, do nível de risco em Cascais representa também o levantamento das restrições ao fim de semana. É também uma boa notícia para o comércio e para a restauração.

É verdade, acima de tudo, é uma boa notícia para os cidadãos, porque têm menos possibilidade, probabilidade de se infetarem. Por outro lado, é muito positivo para aqueles que estão na linha da frente, que estão nos hospitais a tratar dos doentes já em situações mais sérias. É também uma boa notícia para os que estão, e que poucas vezes são referenciados, para os que estão na linha de trás, aqueles todos que estão, nomeadamente, a nível dos centros, quer de testes, quer de rastreios, e especialmente os rastreios dos inquéritos epidemiológicos, porque, de facto, têm estado a trabalhar desde março de uma forma incansável, muitos deles sem fim de semana, 14 horas por dia. E, portanto, quantos menos infetados houver, quanto menos estiver a pandemia instalada, obviamente, permite também a estes profissionais terem algum período de menor compressão e de maior exposição ao próprio estresse. E portanto, também para tudo o que é comércio e também para a restauração, que são responsáveis por muitos postos de trabalho, é obviamente uma medida muito positiva, que tem depois também um reflexo final do ponto de vista social, porque havendo menos desemprego, há também menos procura de apoios sociais, que se tem vindo a verificar como estando numa escalada exponencial. Portanto, tudo isto é positivo, ou seja, tudo isto é um reflexo das medidas que cada cidadão assume para si próprio, das atitudes que tem, que depois acaba por ter esse reflexo a todos os níveis, quer de saúde, quer económico, quer social, reflexos todos eles positivos.