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Coimbra avançou com uma nova zona de evacuação entre São Martinho da Árvore e São João do Campo. E é pra lá que vamos agora, ao contato com o autarca desta freguesia, Valter Santos. Senhor Presidente, muito boa noite. Obrigado por estar neste noticiário da Rádio Observador. Pergunto-lhe como é que está o processo de retirada destas populações.

Boa noite. O processo está terminado. Terminou cerca das 23h30. Cerca de 90% das pessoas da população entendeu ficar em casa, com conhecimento concreto dos riscos que poderão vir a correr.

Estamos a falar, mais ou menos, de quantas pessoas? 90% da freguesia entendeu ficar. Quantas pessoas?

Não, não é 90% da freguesia. É 90% de uma determinada rua, ou seja, são 29 habitações. Temos uma média entre três e quatro pessoas por família, sensivelmente. E então 90% destes familiares, correspondente a estas habitações, entendeu ficar.

E qual foi o argumento que deram às autoridades?

Como têm um primeiro andar, sentem-se um pouco confortáveis e já estão atentos também, já estiveram atentos nas últimas noites, continuam a estar atentos. Não têm reporte de, no passado, ter havido situações graves que pudessem ter tido a necessidade de saírem de casa e esta, eventualmente, poderia não ser. E estão atentos, e é dessa maneira que estão a avaliar as coisas, respeitados, como é natural. Os restantes saíram pelo seu próprio pé para casa de familiares, filhos, alguns primos. Depois temos duas pessoas, mãe e filho, a senhora já com 96 anos e o filho na casa dos 50 e qualquer coisa, que agora não me estou a recordar. Estão na zona de acolhimento à população, na escola, a CMG, em São Silvestre. Foram os únicos dois que foi necessário retirar. Confortavelmente, aceitaram, uma vez que também não têm recursos. E essa família, neste momento, está em zona de acolhimento e está tudo bem. O processo está terminado.

Pergunto então, porque São João do Campo é uma das freguesias que se encontra do lado direito do rio Mondego, da margem do lado direito deste rio. Uma margem que, pelo menos há 24 horas, não estava indicada como, neste caso, a que centrava mais preocupações. Certamente havia essas dúvidas, esse receio, mas sempre ouvimos falar da margem esquerda. Com este rebentamento do dique do lado direito, pergunto-lhe se nas próximas horas ainda vão ser mais críticas que o esperado.

Eu penso que sim. O nível das águas irá subir, o rio tem muita água, é normal. Temos que aguardar também com alguma serenidade. Pra mim não foi surpresa. Aliás, pra ser sincero, até fiquei um pouco mais tranquilo em ser pra margem direita do que pra margem esquerda, porque acho que eu, na minha ignorância, não sou técnico, creio que me sinto mais confortável que as águas tenham vindo pro lado direito, temos uma grande área de terras agrícolas onde as águas se podem espalhar.

E há menos população que na margem esquerda.

É, não tenho dúvidas. Conheço bem a margem esquerda, por motivos profissionais, e reconheço que é, de todo, a mais tranquila, porque neste momento teríamos problemas bem mais graves, não tenho dúvidas.

Então, só para terminar esta entrevista, quais vão ser as preocupações maiores para esta madrugada e, como já referiu, há essa perspectiva do aumento, neste caso, do caudal do rio Mondego.

Eu creio que a preocupação maior é perceber se o caudal vai continuar a subir, quer no rio, quer nesta área agrícola do baixo Mondego, se vamos ter capacidade de absorção em todas estas terras, nesta área que vai até Montemor, ou se realmente não vamos ter essa capacidade e o nível vai começar a subir e vai entrar em conflito com estas zonas onde temos algumas habitações. E é preocupante, como é natural.

Muito obrigado, senhor presidente Valter Santos, presidente da Junta de Freguesia de São João do Campo, uma das freguesias que teve que ser evacuada devido a estas possibilidades de aumento do caudal do rio Mondego