Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Borges, médico de saúde pública, muito boa tarde. Gustavo, temos falado muito ao longo destes meses, já anos, da situação pandémica. Temos tido nos últimos meses o crescimento da situação depois desse momento mais estável durante o verão e agora voltam a surgir novas medidas para este mês de dezembro e para a primeira semana de janeiro. Face à situação que estamos a ter neste momento, segundo dia com mais de 3000 casos, acha que as medidas que foram anunciadas hoje por António Costa são suficientes para conter o aumento de novos casos?
Boa tarde. Eu penso que globalmente as medidas que foram anunciadas são boas medidas e são medidas que são eficazes. A obrigatoriedade do uso de máscara, a necessidade do certificado de testagem para poder aceder a determinados espaços, o que faz com que haja mais testes realizados e mais rastreios efetuados à população em geral. Também já tínhamos antes a disponibilidade dos testes rápidos gratuitos nas farmácias. Esta possibilidade de recorrer também ao teletrabalho, a diminuir os seus contactos sociais. As medidas globalmente são boas medidas. Penso que podiam já estar a ser implementadas mais rapidamente e não esperarmos por 1 de dezembro, mas penso que são medidas que irão ser eficazes a controlar esta disseminação e a mudar até alguns comportamentos das pessoas.
Mas por que é importante diminuir o número de novos casos? E pergunto-lhe isto porque Portugal tem uma elevada taxa de vacinação. António Costa referiu isso, que essa elevada taxa de vacinação está a levar que não aumente o número de pessoas internadas e não aumente também de forma exponencial o número de mortes. O número de casos, sim, está a crescer, a olhos vistos, como temos visto nas últimas semanas. Por que é importante parar esse aumento de novos casos?
É importante porque nós temos uma população não vacinada ainda considerável, que são as crianças, maioritariamente abaixo dos 12 anos, e que podem vir a desenvolver uma nova variante da doença e que era algo que nos podia levar a ter uma situação de maior transmissibilidade e de maior risco. E depois, porque nós temos uma população vulnerável, que está agora a ser reforçada na sua imunidade com a terceira dose, com a dose de reforço, mas que alguns podem não ser protegidos o suficiente devido às suas comorbilidades e às suas fragilidades, e podem vir a ter contato com um caso de Covid e vir a falecer, como continuamos a ter mortes. E depois, por fim, ainda estamos a ignorar a possibilidade de que as pessoas que tenham mesmo doenças ligeiras possam vir a ter alterações físicas, sequelas da doença, que levam a que no futuro possam não atingir o seu potencial de saúde. Repare, nós tivemos vários atletas de alta competição que depois de terem Covid nunca mais conseguiram atingir os seus índices de desempenho anteriores. E portanto, há uma sequela desta doença que nós não conhecemos e que quanto mais pudermos evitar, melhor.
E, portanto, pelo desconhecido, mais vale prevenir e aplicar mais medidas, mesmo tendo todo este nível de vacinação. E pergunto isto porque de facto este último ano tem sido marcado pela vacinação. Desde o início foi apresentado aquilo que seria um plano, as pessoas teriam que receber uma ou duas doses da vacina, independentemente da vacina que iriam receber. Em função disso, iam receber um certificado digital que lhes iria permitir realizar uma série de atividades. Essas atividades foram permitidas a partir de outubro e agora temos este retrocesso devido ao aumento do número de casos. Isto vai-nos acontecer todos os anos? É expectável que isso aconteça?
Não, não é expectável que isso aconteça, mas permita-me também juntar aqui um argumento ou um dado que não falou, que foi a partir dessa data que anunciou, de outubro, nós deixamos de ter praticamente medidas de controle da pandemia. A máscara deixou de ser obrigatória.
Mas vamos viver com essas medidas para sempre?
O uso de máscara poderá até ser bastante normalizado, até em termos de forma de prevenção, quando uma pessoa tiver um sintoma gripal ou síndrome respiratória, poder vir a usá-la de uma forma muito natural. Já usam em muitos países e portanto não é uma medida tão desastrosa. A verdade é que enquanto não tivermos o mundo vacinado e não existir uma vacina que evite de uma forma muito concreta a transmissibilidade da doença, e esperemos que para o ano possa haver novidades nesse sentido, nós vamos precisar de manter um olho nesta doença e algumas medidas para nos ajudar. Mas em princípio, correndo dentro da normalidade e aumentando a cobertura vacinal com as vacinas que já existem a nível do mundo inteiro, nós teremos a possibilidade de voltar a uma normalidade sem esta vigilância e este ataque constante a esta doença e poder concentrar na nossa vida normal. Mas o uso de máscara, desinfeção das mãos, distanciamento físico, são medidas que não precisam de legislação ou desta pandemia para continuarem a fazer o seu efeito e continuarem a nos proteger. São coisas normais que nós poderemos vir a adotar no nosso dia a dia.