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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, escreveu numa publicação na rede social Twitter que o hospital de campanha montado no Estádio Universitário foi descontaminado durante o dia de hoje e que vai ser encerrado na próxima terça-feira. É assim? Estiveram hoje a proceder essa descontaminação?

Antes de mais, o presidente Fernando Medina, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, câmara que integra o conjunto de instituições que estruturaram, definiram e se apoiaram no sentido de ter toda esta estrutura montada. O que se passou hoje não foi exatamente assim. O que se passou hoje foi que o Pavilhão três, onde estava a estrutura de contingência hospitalar de Lisboa, foi descontaminado para que pudesse, no futuro, a partir da próxima semana, exercer funções diferentes no âmbito da pandemia de Covid-19. Nós tínhamos definido a meio desta semana, a comissão diretiva e o conselho executivo, após consulta a vários hospitais, que face ao reduzido afluxo de doentes nesta altura e à não necessidade de apoio aos hospitais nesta altura no seu retorno à atividade normal, nós tínhamos decidido que até domingo a nossa atividade seria suspensa. Hoje o que se passou foi simultaneamente duas coisas. A primeira coisa foi a passagem para o novo pavilhão, que iniciou o seu processo de equipamento em meados de fevereiro deste ano, quando no pavilhão três onde estávamos, se atingiu uma taxa de ocupação da ordem dos 85% da sua capacidade total. Aquilo que fizemos foi ativar esse pavilhão, transferir para lá as poucas pessoas que ainda existiam no pavilhão três, testar todo o equipamento, todos os circuitos, todo o funcionamento de toda a aparelhagem existente e a articulação necessária. Está feita também a prova de que este pavilhão está completamente operacional e, simultaneamente, o que se verificou durante a parte da tarde foi que, ao contrário daquilo que estava inicialmente programado, que seria que os doentes ficariam, por razões circunstanciais, até domingo nesta estrutura, a verdade é que se conseguiu encontrar alternativas quer para o seu regresso a casa mais cedo, quer para a sua passagem para outro tipo de instituição onde eles vão concluir ou vão permanecer durante mais algum tempo. Nesse sentido, entendemos que aquilo que seria correto seria não privar as pessoas dessa possibilidade, nomeadamente do seu regresso a casa, e como é óbvio, demos alta aos últimos três doentes que estavam internados nesta altura no tal novo pavilhão, o pavilhão um. Isto não corresponde ao encerramento, que foi outra ideia que eu ouvi, da atividade da estrutura hospitalar de contingência de Lisboa. Isto corresponde, tal como estava previsto desde o início, à suspensão da sua atividade. E ela vai permanecer, do ponto de vista da estrutura física, de todo o equipamento, de todos os circuitos, eles vão permanecer absolutamente ativos. O que se suspendeu foi a atividade clínica.

Os pavilhões continuam a estar operacionais, mas neste momento não estão a receber doentes.

Exatamente. Completamente operacionais. Aliás, estão até mais operacionais do que já estavam, porque eles preveem, nesta altura, setores diferenciados para o caso de ser necessária a sua ativação. E o corpo clínico, o corpo de enfermagem, o corpo de assistentes técnicos e assistentes operacionais sabe que se está numa situação de eventual necessidade de voltar a reativar todo este processo, o que se conseguirá fazer em cerca de 48 horas.

Esses profissionais vão agora regressar a outras unidades hospitalares?

Vão regressar, exatamente. Repare, não fazia muito sentido estarmos nesta altura a ocupar um número ainda significativo de profissionais, quando os próprios hospitais nos tinham dito que nesta altura não sentiam essa necessidade. Se voltarmos atrás, eu recordo que esta estrutura nasceu com dois grandes objetivos e um terceiro a longo prazo. Os dois grandes objetivos eram: apoiar os hospitais e contribuir para evitar a eventual situação de rutura em caso de um grande afluxo de doentes. Segundo aspeto, promover ou contribuir para acelerar o processo de retorno à atividade normal após esta fase. Ao longo deste mês e meio, passaram por esta estrutura hospitalar de contingência 155 doentes. Poupou-se, em relação à atividade hospitalar, cerca de 900 dias de internamento Portanto, a sua função era sempre uma função temporária e na sua génese tem um conceito que é: aparece quando é necessário e quando deixa de ser necessário, fica num estado latente. É nesse estado que nós estamos agora. Estamos a aguardar para ver se é necessário. Se for novamente necessário, com todo o equipamento que nós temos e com os recursos humanos que temos, nós vamos ativar novamente esse processo. Entretanto, os profissionais poderão dedicar-se, nesta altura, a outras tarefas, quer na área Covid, quer na área não Covid, que sejam prioritárias. Se tivermos que chegar à fase desta estrutura ser novamente ativada, aí seguramente que será esta a atividade que é prioritária.

Recuando aqui um bocadinho para clarificar uma questão, estava-me a dizer que este pavilhão três, que atividade tem agora? O que é que ficou lá?

O pavilhão três foi descontaminado. Não me compete a mim estar a dizer qual é que vai ser a atividade do pavilhão três a partir da próxima semana. As pessoas que estão diretamente envolvidas nisso é que devem fazer esse anúncio.

Mas ele vai ter uma nova função, a vacinação, por exemplo?

Irá ter, seguramente, uma nova função. Não me compete a mim dizer. Eu respondo pela estrutura hospitalar de contingência de Lisboa. Não era bonito se eu lhe fosse dizer o que é que vai acontecer lá.

Em relação à estrutura de contingência, qual tem sido os últimos dias a capacidade? Neste momento já tem zero doentes, não é?

Nesta altura, tem. Antecipámos, como lhe disse, em 48, 72 horas, a suspensão da atividade, porque houve uma conjugação de fatores que permitiram que isso fosse feito. Não estávamos a pensar que fosse já hoje, mas ainda bem, porque sendo assim-- atenção, o que se suspendeu foi a atividade clínica. A atividade lá vai continuar, nesta altura nós vamos começar a elaborar os relatórios correspondentes a este mês e meio de atividade e há um conjunto de tarefas que ainda têm que ser feitas para assegurar que tudo continua perfeitamente operacional. Haverá pessoas, eu incluído, que vão continuar na estrutura hospitalar de contingência para assegurar que tudo, em caso de necessidade, esteja perfeitamente operacional.

E nestas últimas semanas, e aqui mesmo para terminarmos, como é que tem acontecido essa evolução neste caso decrescente do número de doentes internados no hospital de campanha?

Esse decréscimo, na verdade, acompanhou o decréscimo global que existiu, pelo menos, eu já não vou falar a nível nacional, vou falar da região de Lisboa e Vale do Tejo, o mesmo decréscimo que houve no internamento ao nível de toda a região, nomeadamente no Serviço Nacional de Saúde. Nós chegámos a ter, em determinada altura, cerca de três mil internamentos no SNS, só no SNS, sem contar com as outras estruturas. E nesta altura ainda estamos com menos, mas há dois dias, que foi quando nós tomámos a decisão de programar a suspensão da atividade, havia cerca de 600 pessoas internadas. A atividade do pavilhão chegou a atingir, mais ou menos na mesma altura, durante um período de cerca de uma semana, quase 85% da sua lotação máxima, sendo que as camas de oxigénio que nós tínhamos praticamente estiveram lotadas, e agora tínhamos já três doentes. Hoje aquilo que demos alta foi a três doentes. Foram os três últimos doentes.

Uma diferença de quantas semanas?

Estamos a falar do princípio de fevereiro e do princípio de março, que é quando nós estamos, mais ou menos. Portanto, num mês houve esta redução.

Que acompanhou os números.

Que acompanhou os números, supõe-se que os números nacionais, e seguramente os números da região de Lisboa. E sobretudo, pesou também, como é evidente, na nossa decisão, sendo uma estrutura que nasce para ajudar ou poder, dentro da medida das suas possibilidades, contribuir para ajudar o funcionamento mais harmónico dos hospitais da região de Lisboa, os próprios hospitais nos transmitiram a ideia de que nesta altura a situação já estava controlada e já estariam a retomar a sua atividade normal e a estrutura já poderia descansar, entre aspas. E foi isso que fizemos: hibernámos, por assim dizer. Estamos em estado de hibernação, à espera de ser necessário acordar de novo. À espera de ser necessário, não. À espera que não seja necessário acordar de novo deste estado, porque se o tivermos que fazer, significará inevitavelmente que a situação a nível da região de Lisboa, pelo menos, é uma situação que é má