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Os consultórios de dentistas podem continuar abertos neste confinamento que foi decretado esta tarde pelo governo. É uma das novidades também face a esse confinamento que tinha sido decretado no mês de março do ano passado. E em direto agora na Rádio Observador, junta-se a nós Miguel Pavão, é bastonário da Ordem dos Dentistas. Muito boa tarde.
Boa tarde.
Miguel Pavão, esta era uma das reivindicações que tinham, continuar abertos neste novo confinamento. Como é que vê esse anúncio por parte do primeiro-ministro, esta tarde, que os consultórios dentistas vão poder continuar a funcionar?
A Ordem dos Médicos Dentistas e todos os médicos dentistas congratulam-se por esta decisão, que é uma prova, que fica bem evidente, onde recebemos a confiança por parte do governo e que fica bem plasmado, que todos os nossos protocolos e orientações que foram conseguidas após o confinamento da primeira fase, de março e abril, logo no início desta pandemia, e que a Ordem dos Médicos Dentistas, juntamente com as autoridades de saúde, Direção-Geral da Saúde, trabalhou para que estas orientações e normas de orientação clínica fossem bem conseguidas e tivessem realmente efeito. E isto vem realmente corroborar aquilo que tem sido a posição da Ordem dos Médicos Dentistas, que não havia qualquer razão para haver aqui uma suspensão da nossa atividade, como foi no início. Fomos manifestando isso, fomos traduzindo também com inquéritos e com avaliações, que corroboram também aquilo que se obteve a nível nacional e internacional do impacto que os médicos dentistas tiveram. E ao mesmo tempo, simultaneamente, os médicos dentistas, como profissionais de saúde, têm estado também numa colaboração direta no combate à pandemia. Por várias frentes, nomeadamente nos nossos consultórios, por uma informação à própria população, onde o papel pedagógico que existe e o contributo de saúde pública que existe por parte dos médicos dentistas, mas também em outras frentes, nomeadamente na linha de saúde SNS 24. Este novo confinamento é, acima de tudo, um grande apelo, onde nós, médicos dentistas, temos também aqui, mais do que nunca, ser chamados para uma participação à população. No fundo, a mensagem é muito clara: os números são, a nível epidemiológico, muito graves, e aquilo que nós precisamos deste recolhimento domiciliário é fundamental e os médicos dentistas certamente vão ser transmissores dessa mensagem. Contudo, esta mensagem de ficar em casa não significará nunca deixar de tratar da nossa saúde oral e vir a um local seguro, como são os nossos consultórios médicos dentistas. É fundamental passar essa mensagem, é fundamental sermos conscientes e, como profissionais de saúde, passarmos uma mensagem à população de responsabilização e que ultrapassaremos esta fase, este período difícil, e que certamente vai dar resultados a breve trecho.
Está garantida toda a segurança dos utentes que se deslocarem a estes consultórios?
Sim, é a nossa garantia e, confesso, as clínicas, os consultórios médicos dentários, nunca houve razão para duvidar sobre a segurança quanto à infeção cruzada e quanto à capacidade de proteção dos nossos próprios profissionais, não só dos utentes que recorrem, os doentes que recorrem às nossas consultas, mas também dos profissionais que lá trabalham. É importante evidenciar aqui que estas deslocações aos consultórios de medicina dentária, num cenário de confinamento e de recolhimento domiciliário, vão estar autorizadas para poderem os utentes, por marcação, por contacto com os seus consultórios de medicina dentária, atender e dar resposta às consultas médico-dentárias e por motivos de saúde. E nesse sentido, é fundamental que sigam as orientações que os consultórios, os médicos dentistas e as equipes que trabalham nos nossos consultórios possam dar para estas deslocações serem devidamente autorizadas. Não há nada relativamente a duvidar aqui, há acima de tudo que informar, que ter aqui um papel pedagógico, onde os médicos dentistas, a Ordem dos Médicos Dentistas, tem tido sempre uma participação para que uma informação correta chegue junto à população. Este é um trabalho de saúde pública, é um trabalho comunitário, onde todos os portugueses têm um papel e uma quota parte de responsabilidade no combate a esta pandemia. E, nesse sentido, a Ordem dos Médicos Dentistas, os médicos dentistas, tudo farão para que os pequenos procedimentos que continuam em vigor enquanto o plano de vacinação não faz efeito, e que será certamente uma das grandes soluções, certamente vai ser a única hipótese que temos, é manter em vigor aquilo que são as regras fundamentais: o uso da máscara, a lavagem de mão, as distâncias sociais. E acima de tudo, neste momento principal, o recolhimento domiciliário e apenas saída para o que é essencial e, obviamente, como não poderia deixar de ser, as consultas de medicina dentária, quando assim tem que ser e quando temos que dar resposta aos nossos cuidados de saúde oral.