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Temos ao telefone o presidente da Câmara de Loures. Ricardo Leão, muito bom dia. Antes de mais, deixe-me perguntar se já tem um balanço mais preciso do que aconteceu esta noite no seu concelho.
Esta noite foram pontos mais espalhados, ao contrário da noite anterior, onde foi muito focalizado em três bairros. Agora foi muito fora daquilo que é o bairro, muito dentro daquilo que é o território do concelho de Loures, em áreas onde nunca se esperava. Portanto, foram casos muito pontuais aqui e ali, tirando uma situação muito mais grave que eu presenciei, que estive lá, foi o incêndio de um autocarro em que o próprio motorista saiu em estado grave.
O motorista está em estado grave.
Está em estado grave e aliás, é de repudiar. Primeiro, é de repudiar qualquer ato, neste momento, de vandalismo de bens públicos, como são contentores, autocarros, que é colocar as pessoas em risco. E aquele caso foi às 2h da manhã, era onde aquele circuito acabava. Alguém sabia que aquele circuito acabava ali. O motorista tinha que abrir as portas, e ali nem houve hipótese de o motorista sair. O coquetel Molotov foi atirado para cima do motorista, inflamando-o logo, e portanto, está neste momento em estado grave com queimaduras graves. Há que lamentar e há que repudiar, de uma forma muito veemente, esses atos que eu digo com franqueza, que estive lá ontem até às 4h da manhã e confesso que estava revoltado, digo mesmo o termo, revoltado.
A revolta, o repúdio e depois disto, Ricardo Leão, o que é que pode sair da reunião então desta manhã entre o governo e os autarcas? Espera medidas concretas?
Eu espero que desta reunião não se foque unicamente na questão dos bairros e não se foque unicamente na questão destes atos de vandalismo que estão a acontecer sob forma de manifestação, na sequência de um acontecimento infeliz que está para se apurar as responsabilidades e a forma como foi. Eu gostava que a reflexão que se fizesse hoje não ficasse por aí, porque se ficar por aí, eu acho que é limitar muito aquilo que é uma oportunidade para nós refletirmos e começarmos a agir para garantir a segurança de todas as pessoas, não só as dos bairros municipais, de todas as pessoas.
Mas a GIR está a falar num reforço policial.
Estou falando aquilo que é, por exemplo. Eu ainda sou do tempo, quando era autarca aqui em Loures, quando era vereador, tínhamos os chamados contratos locais de segurança. Esses contratos locais de segurança tinham bons resultados. Tiveram bons resultados, porque havia proximidade da polícia nos bairros. Acabou-se com os contratos locais de segurança, por quê? Porque como não havia agentes, acabou-se. Ainda sou do tempo em que havia uma função que era muito importante, que eram os mediadores, para fazer as mediações, para fazer a gestão de conflitos. Mediadores formalmente constituídos, com formação através do Centro de Emprego, para que nos bairros, nesses territórios, pudessem fazer a gestão dos conflitos. É algo que nós podíamos retomar e que teve bons resultados e que se acabou. Agora, nós o que temos que fazer é também olhar para o resto do território e perguntar às pessoas se se sentem seguras nas ruas. E se perguntar, embora os índices criminais não indiquem nesse sentido, indicam mais um crime organizado, mas o que é facto é que as pessoas não têm um sentimento de segurança. E não têm por quê? Porque não há policiamento de proximidade e não é por culpa dos agentes da PSP, que aliás, eu ontem tive o cuidado de me referenciar a isso. Eu quero fazer aqui um louvor aos agentes da PSP pelos milagres que fazem com a falta de condições e meios que têm. A PSP não tem meios e não tem agentes para fazer aquilo que é o policiamento de proximidade, para voltar a dar às pessoas aquele sentimento de segurança que perderam, que não o têm.
Que perderam.
E por isso eu acho que é muito importante nós falarmos sobre policiamento de proximidade, falarmos da questão da instalação de uma forma mais generalizada e mais operacional e menos burocrática das videovigilâncias em uma série de concelhos à volta de Lisboa, com financiamento em que o governo obviamente tem que dar, porque isto tem um factor de custos astronômicos. Estamos a falar da reposição dos mediadores nos bairros, da reposição dos contratos locais de segurança. Eu espero que hoje a reunião não seja só para nos focalizarmos nestes acontecimentos e para combater estes acontecimentos, mas aproveitar esta ocasião para de facto garantir a segurança e garantir o sentimento de segurança que as pessoas em todo o território perderam.